Clínicas populares chegam a Goiânia

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Frederico Leão, advogdo, e os sócios médicos Fabrício e Ingrid Leão: clínicas populares visam democratizar acesso à saúde

Modelo de negócio, que já é sucesso em São Paulo, além dos preços baixos, se destaca pela qualidade oferecida. Mas instituto de defesa do consumidor diz que clientes devem estar atentos aos seus direitos

Daniela Martins

Um novo modelo de clínica médica particular tem chegado a Goiânia, com o objetivo de atender a população de baixa renda, que não tem plano de saúde e sofre com as intermináveis esperas por atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Somente em janeiro, duas unidades de atendimento popular foram inauguradas na Capital: a Médico Express, no Araguaia Shopping; e a Clínica Vittá, na Avenida Independência, ­região central.
Esse tipo de negócio já é sucesso em São Paulo e tem se espalhado pelo país. Trata-se de clínicas que oferecem consultas médicas com especialistas além de exames de baixa complexidade a preços bem abaixo do que é normalmente praticado no mercado. Enquanto uma consulta particular gira em torno de R$ 200, R$ 300, as chamadas clínicas populares garantem atendimento por valores a partir de R$ 80. E uma delas ainda divide em até 12 vezes no cartão de crédito.

Médico Gustavo Caiado, com Lara, publicitária, e Rafael Caiado, médico: modelo revolucionou saúde nos Estados Unidos
Médico Gustavo Caiado, com Lara, publicitária, e Rafael Caiado, médico: modelo revolucionou saúde nos Estados Unidos

Em razão da crise econômica e do alto índice de demissões Brasil afora, os planos de saúde têm perdido um grande número de usuários. O já combalido sistema de saúde pública não é capaz de assumir com tranquilidade essa demanda. Cria-se, assim, uma quadro favorável ao aparecimento dessas clínicas.
“O perfil do nosso cliente é a grande maioria que não tem plano de saúde, mas tem condições de pagar a consulta”, explica o advogado Frederico Leão, que, junto aos médicos Fabrício Leão e Ingrid Leão, está à frente da Médico Express.
É fato que já há espalhadas pelos bairros, nas proximidades das unidades públicas de saúde, pequenas clínicas que também oferecem exames e atendimentos com preços menores, mas o “pulo do gato” deste tipo de negócio está no alto investimento em marketing, com foco na qualidade do ambiente da clínica, além da rapidez e amplo atendimento médico oferecido.
“A gente quer democratizar o acesso à saúde. Oferecer atendimento na hora que você precisa, além de um local agradável, confortável, oferecendo estrutura com segurança”, pontua Frederico Leão.
“Buscamos desenvolver um projeto baseado no que tem acontecido em São Paulo, esse mesmo modelo que nos Estados Unidos revolucionou a saúde”, salienta o médico Gustavo Caiado, que integra, junto ao também médico Rafael Caiado e à publicitária Lara Caiado, o trio de sócios da Clínica Vitta.
“Muita gente tem plano de saúde, mas a cada dia os planos também têm deixado a desejar. Nós oferecemos atendimento com maior resolutividade, dando um tratamento adequado para o seu problema”, sintetiza Gustavo.
As clínicas oferecem cerca de 15 especialidades, entre elas cardiologia, geriatria, otorrinologia, ginecologia, urologia, psiquiatria.
“A gente percebe que às vezes os planos demoram dois, três meses pra agendar com neurologista, por exemplo; aqui o paciente consegue em dois dias. Se for algo urgente, tem essa opção na clínica”, exemplifica o médico.


Consumidor deve ficar atento a seus direitos

Wilson Rascovit, Ibedec: documentação é importante
Wilson Rascovit, Ibedec: documentação é importante

O presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo – Seção Goiás (Ibedec-GO), Wilson Cesar Rascovit, recomenda precaução aos consumidores que desejam utilizar os serviços destas clínicas populares.
“Antes de mais nada, é importante verificar como será feito este atendimento. Você vai pagar consulta em determinado valor e terá direito a quê?”, questiona.
Normalmente, com o pagamento da consulta médica, o paciente tem direito a um retorno em um prazo de 15 dias. Isso deve ser, segundo o presidente do Ibedec-GO, devidamente documentado, já que há neste caso uma relação de consumo.
“É importante exigir um documento que comprove que você esteve ali, um recibo. Isso vai te dar um amparo, se houver uma futura ação por má prestação de serviço ou até de atendimentos, promessas feitas e que não foram cumpridas”, conclui Wilson Rascovit.


Localização é estratégica

A localização dessas clínicas também é estratégica e, portanto, deve ser um local cuidadosamente escolhido: estão no centro da cidade, onde há grande movimentação de populares. A Médico Express, por exemplo, se estabeleceu no Araguaia Shopping, beneficiando-se com a aglomeração da rodoviária e a proximidade com a Rua 44, polo atacadista de moda da Capital, que recebe um fluxo natural de pessoas da cidade e também de outros municípios e estados brasileiros.
“Fizemos uma pesquisa de mercado, e vimos que o fluxo de pessoas é grande no Centro. Nosso público-alvo frequenta o Araguaia Shopping e a Rua 44, esse é o foco do nosso trabalho”, afirma Frederico Leão.

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