População goianiense se torna refém do crime

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A estudante Tairine Batista: “Não tenho mais tranquilidade para andar nas ruas”

A capital do estado, que outrora fora considerada uma das cidades mais tranquilas para se viver, hoje se tornou referência negativa: insegurança toma conta de todos

Fabiola Rodrigues e Manoel Messias

Os roubos ou assaltos a pessoa, na rua, em casa ou em estabelecimentos comerciais, são a face mais visível da escalada da violência e da criminalidade em Goiás. Esse tipo de crime tem tirado a paz da população e hoje ninguém sai de casa sem medo de ser assaltado. Para se ter uma ideia, entre janeiro e fevereiro deste ano foram registrados mais de dois mil casos de roubo a transeunte em Goiânia. Nada mais nada menos do que 2.232 pessoas procuraram a Polícia Civil para registrar crime de roubo de que foram vítimas. Porém, o número real pode ser ainda maior, já que nem todos vão até uma delegacia para fazer o registro. Nesses mais de 2.200 casos não estão contabilizados vários outros tipos de roubo, como roubo em estabelecimento comercial, roubo em residência etc, o que, evidentemente, elevaria muito o número de vítimas.
Considerada uma das capitais mais tranquilas para se viver até bem pouco tempo, Goiânia se tornou nos últimos anos referência negativa. Além do trauma de ter seus pertences subtraídos, as vítimas de assaltos estão, muitas vezes, perdendo a própria vida. Nas últimas semanas, os casos de roubo seguido de morte, denominado no meio policial e jurídico de latrocínio, estão se repetindo de forma assustadora. Nem mesmo policiais estão escapando da violência urbana.
A estudante Tairine Batista, de 20 anos, é mais uma das inúmeras vítimas de roubo a transeunte. Ela estava voltando pra casa, vindo da faculdade, quando foi abordada por dois homens que estavam em uma motocicleta na porta de sua residência, no Bairro da Vitória, região noroeste de Goiânia.
“Eu já estava na calçada e abri a minha bolsa para pegar a chave para abrir o portão, quando de repente um dos homens desceu da moto e deu voz de assalto, pedindo minha bolsa. Na hora, eu não quis entregar, mas quando ele apontou a arma não tive escolha”, relata a estudante.
A jovem ficou sem os materiais de estudo, documentação, telefone celular e passe escolar. Tudo aconteceu em plena luz do dia. Sem reação, Tairine conta que começou a chorar e tremia muito e, como se não bastasse, após ser assaltada, ela viu a dupla de assaltantes tentando roubar outra mulher. O medo agora é uma das maiores preocupações da estudante, que diz que se sente insegura sempre que sai de casa. O medo fica ainda maior quando ela vê aproximação de motoqueiros.
“Não tenho mais tranquilidade para andar nas ruas. Pode ser em qualquer horário, principalmente porque me roubaram pela manhã”, diz Tairine.
Os assaltos ocorrem em qualquer horário e em qualquer lugar. A vendedora Nazaré Correia, de 54 anos, teve seu telefone celular roubado enquanto esperava o ônibus para ir pro trabalho. Enquanto ela e uma amiga aguardavam, ela se sentou no banco e, ao levantar a cabeça, já se deparou com um revolver apontado para o rosto.
“Quando vi o motoqueiro, achei que poderia ser o esposo da minha amiga, mas era um bandido e ele quase colocou a arma na minha boca. Ele estava muito agressivo e pedindo meu celular”, diz Nazaré Correia.
O assaltante ainda tentou roubar o celular da amiga de Nazaré, mas desistiu de levá-lo quando viu que era um aparelho mais antigo, de baixo valor comercial. Nazaré conta que ficou muito assustada.
“Medo era o que eu sentia. Ele gritava muito. Achei que ele iria atirar em mim”, relata a trabalhadora.
Nazaré conta que por falta de tempo não registrou o roubo na polícia. Ela também diz que os roubos se tornaram comuns e que, caso registrasse, seu caso seria apenas mais um entre tantos.


Até crianças se tornam alvo de assaltantes

A cozinheira Josiane Carvalho foi assaltada na presença das duas filhas, quando voltava do trabalho para casa: “Ele estava armado e tive que me render”, lamenta
A cozinheira Josiane Carvalho foi assaltada na presença das duas filhas, quando voltava do trabalho para casa: “Ele estava armado e tive que me render”, lamenta

Mãe de duas crianças, a cozinheira Josiane Carvalho, de 29 anos, foi assaltada junto com as duas filhas quando voltava para casa do trabalho. Ela trabalha em um restaurante em Campinas e mora no Residencial Triunfo, em Goianira, próximo à capital.
“A rua da minha casa já estava escura, mas não era tarde da noite. Eu segurava minhas crianças e de repente apareceu um motoqueiro, pediu meu celular e minha bolsa. Ele estava armado e tive que me render”, conta Josiane Carvalho.
As duas crianças saíram correndo na rua pedindo socorro. Josiane diz que ser assaltada é uma das piores sensações da vida, principalmente na presença dos filhos.
“Estes ladrões aparecem para prejudicar nossa vida e nos deixar ainda mais assustados, mas minha preocupação maior era que algo acontecesse com minhas meninas”, desabafa.
A cozinheira não quis registrar queixa, pois diz que a justiça é muito lenta e saberia que quase nada seria feito. Ele preferiu comprar um novo celular e sabia que a bolsa não iria ser encontrada.
“Medo é palavra que me toma. Não tenho paz para andar tranquila mais. Eu e minhas filhas não podemos ver uma moto”, diz Josiane.


Veja dicas da polícia para evitar ser a próxima vítima

Qualquer um pode ser assaltado na rua a qualquer momento. Por isso, aqui vão algumas dicas de segurança, sugerida pela polícia, para você não se tornar mais uma presa fácil. Uma ferramenta útil é instalar o aplicativo Agentto nos smarthphones. Através dele, é possível acionar a Polícia Militar se você se sentir em perigo.
Ao andar na rua, fique sempre atento; não é bom andar com grandes quantias de dinheiro ou cartões de créditos, caso não haja necessidade. Em caso de furto ou roubo de cartões, eles precisam ser cancelados imediatamente. Sempre evite abrir a bolsa ou carteira na presença de estranhos e nas ruas.
Em casa, não abra o portão ou porta sem primeiro saber quem é a pessoa. É importante comunicar à polícia a presença de pessoas em atitudes suspeitas. À noite, deixe sempre alguma lâmpada acesa, principalmente na área externa da casa. Evite deixar objetos de valor espalhados pelo quintal de sua casa, recolhendo-os a um depósito seguro, ou cobrindo-os com uma lona.
Para quem anda de carro, é sempre bom procurar estacionar em locais vigiados e seguros. Evite deixar documentos dentro do veículo e jamais entre no carro quando suspeitar de alguém estranho por perto.

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