Como diferenciar bullying de um conflito normal

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Rosemeire Barreto dos Santos Carvalho

A violência entre jovens, no contexto escolar e virtual, é um fenômeno complexo porque faz refletir sobre sentimentos, atitudes e relações pessoais e interpessoais. Por outro lado, também, não é simples identificá-la, tendo em vista que cada indivíduo possui uma compreensão acerca dessa temática.
Nesse sentido, torna-se urgente compreender e analisar os desafios a serem enfrentados pelas instituições de ensino e pela sociedade. É preciso saber diferenciar o bullying de um conflito normal. O bullying é caracterizado como um ato repetitivo de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder. Esse fenômeno é sério e não deve ser tratado como brincadeira, pois deixa de ser brincadeira quando feri e machuca o outro.
O bullying pode ocorrer em formas diversas: física (chutes, empurrões, danos materiais, etc.); verbal (apelidos ofensivos, humilhações, ameaças, etc.); social/relacional (exclusão, manipulação, fofocas, isolamento, etc.) e, com o avanço da internet, o cyberbullying (e-mail, mensagem de texto, vídeos, etc.).
O cyberbullying é mais nocivo que o bullying físico, pois a vítima não conhece o seu agressor e o seu efeito virtual é mais devastador pela velocidade com que se propaga. A prática desse fenômeno, agindo fora dos muros da escola, tem ganhando proporções imensas, difíceis de serem controladas. Entretanto, os casos de violência escolar não podem passar despercebidos, pois poderá ser marcante na vida de um aluno.
Já os conflitos fazem parte da vida. Junto com o diálogo, eles se tornam uma ferramenta para a construção do conhecimento. No ambiente escolar, várias situações conflitantes surgem no quotidiano. Porém, é preciso aprender a gerir o conflito de forma pacífica e humana, respeitando o outro e estabelecendo uma comunicação sadia. Quando não tratadas de forma dialógica, geram violências.
Nesse sentido, a prevenção de conflitos (por meio do diálogo, acordos e negociações) é o maior investimento para buscar um ambiente pacífico. Contudo, é fundamental aguçar a consciência dos direitos e deveres de cada indivíduo, independente da classe social, raça e sexo.
Cabe ao professor e coordenador pedagógico observarem atentamente se o comportamento excedeu os limites do conflito normal e ter atenção, cuidado e, principalmente, escutar sensivelmente os alunos para poder diagnosticar melhor as situações conflitantes no âmbito escolar.
Infelizmente a sociedade atual não valoriza a escuta do outro e a de si mesmo e isso também é refletido na escola. Compreender que o ouvir vai além do som, é fundamental escutar com o coração. A intolerância dentro no espaço escolar é um reflexo da violência além dos muros da escola. É um grande desafio para a educação atual a convivência pacífica no ambiente escolar.
Ressalta-se que a escola sozinha, não conseguirá enfrentar o bullying e cyberbullying, mas poderá contribuir para um convívio mais harmonioso. Apesar desse fenômeno ser complexo, é necessário investir nas interações e no diálogo. A escola precisa considerar a realidade dos alunos e despertar o sentimento de pertencimento, pois, desta forma, promoverá abertura para a participação e integração de todos os envolvidos. É importante acreditar no trabalho consciente dos docentes, dos alunos, da comunidade e da família voltado para a busca de uma educação para a paz. Lutar pela paz significa construir intervenção e atos cotidianos de respeito, compreensão, tolerância e amor.
Assim, a opção por práticas dialógicas de resolução dos conflitos e a aposta na cultura dos valores humanos demonstram que podem ser mais efetivas no combate à violência no espaço escolar. A participação familiar também pode somar na tomada de enfrentamento a esses problemas escolares a fim de que se fortaleçam os vínculos entre a escola e a família. Vale ressaltar que os conflitos presentes na escola advêm, como uma das causas, de problemas externos, entre eles os familiares.

Rosemeire Barreto dos Santos Carvalho (rosemeirebarreto@hotmail.com), professora, coordenadora Pedagógica na rede estadual, pesquisadora em formação de professores e violência escolar. Possui Mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, especialista em Leitura e Produção de Texto pela Universidade Federal de Goiás e graduada em Letras (UCG).

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