Nem os bichos escapam da crise

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Lenícia Leite e seu shitzu Luige, que tem problemas de pele e precisa visitar o pets hop toda semana: “Está difícil para todo mundo, mas a gente se vira”

Considerado um mercado promissor, com faturamento superior ao de vendas de eletrodomésticos em 2014, o setor de produtos e serviços para animais de estimação também foi reprimido pela crise econômica

Daniela Martins

A crise não poupou nem os bichinhos de estimação dos brasileiros. Depois de viver um período de ascensão em número de vendas, faturamento e com a geração de novos serviços, o mercado pet também sentiu os efeitos da retração na economia.
Empresário do setor de pet shop há 18 anos, José Gomes tem uma ampla loja de serviços e produtos próximo ao Buriti Shopping, em Aparecida de Goiânia, e tem sentido o peso da crise. Em 2015, segundo seus comparativos, as vendas sofreram uma queda de 25% com relação ao ano anterior.
“O mercado pet não ficou imune à crise. Vínhamos de um crescimento constante, tanto de serviços quanto da parte de produtos, ração, medicamentos. E, em 2015, fechamos em retração, alguns setores mais, outros menos”, reforça o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, Wanderson Alves Ferreira.
Dados do Instituto Pet Brasil apontam que, em 2014, o mercado pet foi responsável por 0,38% do PIB nacional, ultrapassando as vendas de eletromésticos, a chamada linha branca. O faturamento naquele ano chegou a R$ 16 bilhões, levando o país ao posto de segundo no ranking mundial de comercialização de produtos para animais de estimação.

RETRAÇÃO
De 2015 pra cá, o mercado pisou no freio. Os donos de animais de estimação reduziram a quantidade de banhos, tosas em pet shop e até modificaram a alimentação de cães e gatos. “Todo mundo economiza como pode. No caso das rações, estão comprando marcas mais baratas”, explica o empresário José Gomes.
As visitas ao pet shop ficaram mais escassas. Quem levava seus cães para tosa e banho toda semana, passou a fazer isso com menos frequência. Assim, José Gomes calcula que houve uma redução de 50% no número de tosas realizadas em sua loja. “Eles fazem a tosa uma vez ao mês e preferem dar a manutenção do animal em casa”, conta o empresário.
Dona do pequeno Luige, um shitzu de três anos, Lenícia Leite Nogueira tenta economizar, mas o cãozinho tem problemas de pele e exige cuidados especiais. “Está difícil para todo mundo, mas a gente se vira. Compro os shampoos indicados pelo veterinário, e levo para o banho sair mais em conta no petshop”, explica. Por mês, ela chega a gastar R$ 300 com Luige. Se tiver consulta com veterinário, esse valor dobra.
Além de diretor do Conselho de Medicina Veterinária, Wanderson Alves também está à frente de um petshop com clínica veterinária e um hotel para animais de estimação.
Segundo ele, com relação à procura por serviços e produtos da área de saúde, a redução foi menor. Já serviços especiais, como a hospedagem de animais, a procura caiu bastante. “Em anos passados, a gente tinha lotação esgotada na virada do ano. Esse ano já não foi. A crise realmente chegou, não tem como falar que não”, sentencia.


Petshop investe em promoções e diversifica para atrair clientes

Wanderson Alves Ferreira estima que Goiânia tenha 600 pet ­shops e mais de 150 clínicas veterinárias. Porém, muitos fecham suas portas diriamente. “Todo dia vemos quatro, cinco lojas à vendas nos jornais”, ressalta José Gomes. E como o brasileiro não desiste nunca, outros empreendedores surgem e novas lojas vão chegando.
“Enquanto o governo não resolver essa questão econômica e política, vamos ter dificuldades com a crise”, salienta o vice-presidente o Conselho de Medicina Veterinária. No entanto, segundo Wanderson, o mercado tem que buscar reagir também.
Para muitos, a saída para atravessar esse momento de economia parada tem sido investir em promoções e ações de marketing que atraiam os clientes. É o que o empresário José Gomes tem feito. Ele realiza cafés da manhã e feiras de adoção na sua loja, além disso, o empresário ampliou seu leque de negócio, com a abertura de um seção de produtos para pesca dentro do pet shop.

Jô Almeida com Leonardo e Dominique: ela vai lançar linha de bijouterias para cães e gatos
Jô Almeida com Leonardo e Dominique: ela vai lançar linha de bijouterias para cães e gatos

PRIORIDADE
Apaixonada por bichos, a colunista Jô Almeida garante que corta despesas pessoais, mas não economiza nos cuidados com Leonardo e Dominique, seus filhotes peludos. Apesar da crise, tudo com relação aos dois é prioridade.
“Tem mês que a despesa é só com banho, e remédio contra pulgas e carrapato, aí gasto uma média de R$ 300, incluindo a alimentação”, conta.
Quando precisam ir ao veterinário, o valor sobe um pouco. A consulta com um clínico geral vai de R$ 90 a 150; com um especialista, o valor chega a R$ 200.
Neste mês de março, por exemplo, Jô Almeida gastou quase R$ 2 mil só com a limpeza dos dentes de Leonardo e Dominique. “E como os dois são idosos, tem semana que eles precisam de fisioterapia. Não é luxo. É questão de preservar a saúde deles”, enfatiza Jô.

INOVAÇÃO
Jô também é dona de uma loja de bijouterias, criações suas. Agora, ela se prepara para lançar uma linha de bijouterias e acessórias para cães e gatos. Toda renda da venda dessa nova linha será destinada a organizações não-governamentais de proteção aos animais, que trabalham pela conscientização da posse responsável.
Apesar de cada vez mais os animais de estimação serem tratados como membros da família, ainda há pessoas que os abandonam, principalmente quando estão doentes ou idosos. “Quem compra ou adota um animal precisa saber que ele precisa de carinho, atenção, amor e cuidados veterinários”, enfatiza Jô Almeida.

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