Anápolis é estratégica para 2018 e os partidos sabem disso

0
2739
João Gomes, PT

Com a desistência de Fernando Cunha Neto, o PSDB anapolino volta à estaca zero, enquanto o PT se prepara para buscar a reeleição e o PMDB tenta recuperar seu espaço na cidade

Daniela Martins

Anápolis é estratégica para a política estadual. Além de, junto a Goiânia e Aparecida de Goiânia,  reunir nada menos que 33% do eleitorado do Estado, é uma cidade rica economicamente: detém o segundo maior Produto Interno Bruno (PIB) de Goiás.
Sem dúvida, reunidas, estas duas características elevam a importância de Anápolis no cenário político estadual e na disputa eleitoral de 2018. Os partidos sabem disso e estão de olho na cidade, principalmente as maiores legendas.
O PT, que está à frente da prefeitura há duas gestões, vai brigar pela continuidade no poder. O PSDB, que já foi forte no município, quer retornar aos bons tempos da década de 1990. Já o PMDB anapolino, também enfraquecido (hoje conta apenas com um vereador na Câmara), pretende ampliar seu espaço na cena política anapolina.
É nessa realidade que se despontam vários nomes de pré-candidatos dispostos a disputar as eleições para a prefeitura de Anápolis no pleito de outubro próximo.

TAREFA ÁRDUA
Pelo PMDB, o único vereador da sigla é quem tem a difícil tarefa de reviver a legenda em Anápolis. Eli Rosa tem o apoio do presidente peemedebista em Goiás, Daniel Vilela, e diz que tem buscado alianças. “O PMDB de Anápolis vivia no ostracismo por conta de comando, das pessoas que tinham uma visão muito convertida para eles mesmos. Não quero pecar da mesma forma”, comenta.
“Eu, como único vereador do PMDB, tenho feito de tudo para corresponder a essa falta de outros aqui. Creio que está ocorrendo o resgate do partido”.
Partido do governador Marconi Perillo, o PSDB em Anápolis corre contra o tempo desde que, no último dia 11, o então pré-candidato Fernando Cunha Neto, vereador licenciado, desistiu de concorrer à Prefeitura, alegando “motivos pessoais”. No meio político, corre boatos de que ele teria jogado a toalha por conta de possíveis conversas entre liderenças do partido e o deputado estadual Carlos Antônio (SDD), sem Cunha ter conhecimento.
O deputado Carlos Antôno até admite que “abriu-se uma conversa de transferência”, mas garante que não vai mudar de partido. “A tendência natural é que eu saia pelo Solidariedade. Estamos nos fortalecendo para isso. E eu acredito que o PSDB terá candidatura própria em Anápolis”, resume Carlos Antônio.
O deputado diz que está fortalecendo o grupo, reunindo mais partidos e cita alianças já  consolidadas com PPL, PCdoB e PMB.
Sobre uma possível influência de Marconi Perillo nas eleições de Anápolis, Carlos Antônio é incisivo. “Ele é um bom cabo eleitoral. Resta saber como vai ser feito isso (a transferência de votos)”.

INCERTEZAS
Presidente estadual do PSDB, Afrêni Gonçalves entende que o partido voltou à estaca zero com a desistência de Fernando Cunha, mas ressalta que há muitos nomes passíveis de se tornarem o candidato tucano à prefeitura. “Temos lá Alexandre Baldy, Frederico Jayme, Ridoval Chiareloto e pode ser que venha alguém para o PSDB. Há essa possibilidade”, reforça em tom de suspense.
“Anápolis é um município fundamental para nós. Temos de definir uma pessoa certa, não apenas para participar, mas para ganhar as eleições”, finaliza Afrêni.
Na quarta-feira, dia 16, o jovem deputado federal Alexandre Baldy confirmou à Tribuna do Planalto que seu nome estava à disposição do partido. “As eleições vão ser muito difíceis, com novas regras eleitorais, a população rejeitando a classe política como um todo… Vai ser extremamente desafiadora”, explicou o deputado, que, porém, finalizou dizendo: “mas a gente não foge de absolutamente nada”. No dia seguinte, Alexandre Baldy filiou-se ao PTN, depois de cinco anos no PSDB.

SEGUNDA TENTATIVA
Vereador em Anápolis pelo PTB, Frei Valdair é o nome do partido para as eleições municipais. “Temos o aval da senadora Lúcia Vânia e do partido. Em Anápolis, nosso grupo está bem coeso, firme”, adianta o vereador. “Temos feito trabalho de base, visitando bairros, lideranças, para esse nosso projeto”.
Frei Valdair avalia que Anápolis perdeu um pouco de sua representatividade política do passado, no entanto, a cidade tem voltado ao cenário político ultimamente. “É uma cidade importante dentro do contexto estadual”, pondera o pré-candidato que, se consolidar o seu nome nas prévias do meio do ano, deverá concorrer à cadeira de prefeito anapolino pela segunda vez. Ele disputou o cargo em 2008.
Sobre a força de Marconi Perillo em Anápolis, Frei Valdair é taxativo. “O povo gosta do governador, mas quando as eleições são municipais, as decisões não têm nada a ver com a transferência do peso político do Marconi”, afirma.

REELEIÇÃO
Com quase dois anos à frente da Prefeitura de Anápolis, João Gomes (PT) deve concorrer à reeleição. O atual prefeito foi eleito como vice de Antônio Gomide, em 2012, e assumiu depois que o titular saiu para concorrer às eleições estaduais de 2014.
Havia rumores de que João Gomes aproveitaria a janela partidária para a troca de legenda. Pelo seu bom relacionamento com o Palácio das Esmeraldas, cogitou-se, inclusive, uma ida para o PSDB. O prefeito petista nega. “Os boatos são naturais, a partir dessa abertura de janela partidária. Porém, estamos firmes, e o PT já indicou nosso nome como pré-candidato pelo partido”, rebate.
Fato é que o PT tem força em Anápolis, com gestões sempre muito bem avaliadas pelo eleitorado. Isso facilitaria a reeleição de João Gomes, que tem conversado com os partidos da sua base, apesar de ressaltar que está “focado na administração e fazendo pouca política”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here