“Eu busquei o PR porque lá não tem coronel”

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Foto: Paulo José

Deputado federal Delegado Waldir Soares diz em entrevista à Tribuna do Planalto que é pré-candidato independente a prefeito de Goiânia e não pertence ao grupo do ex-prefeito Iris Rezende, nem do governador Marconi Perillo. “Não quero fazer parte da panela do Iris e nem da panela do Marconi”. Diz ainda que não é submisso a nenhum “coronel” da política goiana. O deputado avalia que se tiver os mesmos 179 mil votos que teve para deputado federal em Goiânia já estará no segundo turno para prefeito. Sendo eleito, garante, não haverá espaço para corruptos na sua gestão. Delegado Waldir também prevê o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT).


Deputado, o Senhor se filiou ao PR recentemente e já chegou ao partido como candidato a prefeito de Goiânia. Isso é fato?
Isso foi condição. Na realidade, eu tentei ser candidato a prefeito pelo PSDB, mas como o governador disse para nós numa reunião que no PSDB havia uma fila e nessa fila o Vecci era o primeiro; o segundo Célio Silveira; João Campos; Fábio Sousa; Baldy e sexto o Waldir então eu decidi buscar meu caminho porque minha pretensão neste momento é ser candidato a prefeito de Goiânia. Eu fui recebido de braços abertos no PR, conversei nacionalmente com o presidente, bancada federal, Senado, conversei com a deputada federal Magda Mofatto, com o Flávio Canedo, presidente regional, e eles me acolheram para ser o candidato 100% do PR para as eleições municipais de Goiânia.

Havia uma conversa com o governador de um compromisso de apoiar o senhor como candidato a prefeito. Porque essa conversa não prosperou?
Ao terminar o primeiro turno das eleições de 2014, sendo o deputado federal mais bem votado da história, eu fui chamado no Palácio pelo governador e ele pediu que eu o apoiasse. Eu disse a ele que eu o apoiaria, mas considerando que eu tinha tido 179 mil votos em Goiânia, eu coloquei como condição para que eu o apoiasse que ele me ajudasse na pretensão de ser candidato a prefeito de Goiânia. Eu coloquei essa condição com base na minha votação. Ele fez esse compromisso. Ao longo do tempo surgiram outros candidatos e até chamei o governador de coronel e ele ficou assustado, foi à Brasília conversar comigo no gabinete do senador Wilder Moraes (PP) e naquele momento ele disse que seria difícil de eu ser o candidato dele porque ele tinha um nome naquele momento que era o presidente da Agetop. Mas com o seu afastamento logo em seguida eu vi ações do governo ao candidato oficial, chapa branca, que é o atual pré-candidato do PSDB a prefeitura de Goiânia. Mesmo assim tentei a todo momento ser o candidato, mas não tive esse reconhecimento.

Como o senhor se apresenta o eleitor? Como candidato da base do Marconi porque o PR é da base ou o senhor é um candidato independente?
Eu sou um candidato independente. Não vou estar submisso a nenhum coronel. Eu busquei o PR porque lá não tem coronel. Não quero fazer parte da panela do Iris e nem da panela do Marconi.

O senhor saiu do partido que é o maior do Estado e vai para um partido de pequena representatividade em termos estaduais. É o momento agora de conseguir apoio…
Eu diria o seguinte. Nenhum partido, nenhuma coligação é maior do que a vontade popular. Antes de qualquer acordo nós já decidimos que o nosso candidato a vice-prefeito é o médico Zacarias Callil. Então, qual é o recado que eu dei? Que eu não estou em busca de determinados acordos. Eu não vou entrar em negociação. Nós temos uma chapa formada: Delegado Waldir e Zacarias Callil. Em primeiro lugar o cidadão. Se alguém vier com esse compromisso aí sim, nós vamos estar juntos.

Se for possível durante a campanha o senhor vai criticar o governo do Estado mostrando erros de gestão ou não? Por exemplo, o senhor é favorável a gestão das OSs na Educação?
Na verdade, mesmo quando eu estive no PSDB, eu sempre fui independente. Tenho ponto de vista formado em relação a vários assuntos. Em relação as OSs na Educação eu sou contrário, sou contrário a esse acordo que foi feito agora no apagar das velas para a prorrogaçãoda  concessão da água e esgoto do município de Goiânia. Podem ter certeza, se o Delegado Waldir for prefeito amanhã nós vamos revisar todos esses acordos feitos aos 48 do segundo tempo.

No caso da Saneago, sendo eleito, vai retomar esse serviço para a responsabilidade da prefeitura?
Com certeza. Essa é a nossa pretensão. Hoje Goiânia é a capital do Centro-Oeste e do Norte do País. Porque nós não fazemos a universalização da água e do esgoto se nós somos o maior contribuinte e fornecemos a maior quantidade de clientes para a Saneago? Então, nós defendemos que esse serviço seja universalizado para que a gente possa… Eu vejo que nós precisamos avançar nesse critério.

O senhor está com um discurso muito duro de independência e já definido quem é o seu vice. Para uma eleição numa capital, me parece uma estratégia meio suicida. O senhor está ancorado na votação expressiva da última eleição, mas são votos segmentados, pautados na segurança…
Na verdade eu acho que aí você se equivocou. Qual a razão do seu equívoco? No inicio da conversa você mesmo disse que eu me pautei na segurança. Eu não falo só de segurança nas redes sociais. Você acompanha minhas redes sociais? Eu falo de educação. Você sabe que eu fui professor já? Você sabe que eu fui auditor fiscal? Você sabe que eu fui comerciante, empresário e que eu entendo do empresariado. Então, o que acontece, eu entendo de várias coisas. Eu fui engraxate também e se você quiser que eu assente um tijolo com você eu vou lá e faço o trabalho. Além do mais você não administra sozinho. As maiores demandas de Goiânia hoje são segurança e saúde. Delegado Waldir é hoje referência nacional na área de segurança. Eu fui eleito o 16º melhor parlamentar entre 513 deputados. Eu estou trazendo um médico para minha vice. Eu estou acabando com o acordão, da panela minha e da panela sua. Eu vou dar um recado para vocês. No dia 2 de outubro a gente conversa depois das 18h aí teremos a reposta a alguns questionamentos que você fez.

O deputado não entendeu minha colocação.  Nós já tivemos histórias aqui de candidato que é radialista, mas as pesquisas indicavam que, apesar de representar uma parcela significativa, ele não era representativo da maioria.
Conversando tecnicamente com você. O Delegado Waldir está em segundo nas pesquisas e Iris Rezende só não está ganhado em primeiro turno porque o Delegado Waldir é candidato. Iris Rezende é o nome que tem mais rejeição e o Delegado Waldir é o que tem menos rejeição. A partir do momento em que o cidadão tomar conhecimento que o Delegado Waldir é prefeito e das nossas propostas com certeza nós vamos fazer a diferença. E nós vamos chegar lá sem rabo preso. Eu prefiro perder a eleição do que fazer conchavos com A ou B.

O PR é um partido tradicionalíssimo…
Eu não tenho acordo partidário. Meu acordo é com aqueles que me elegeram. O meu acordo é com os que me elegeram, minha esposa, minha família. São esses que pagam o meu salário, o partido não me paga salário.

Delegado, pelo que eu entendi nesse novo modelo de fazer política, o senhor está se distanciando dos que chamou de coronéis…
Eu nunca estive próximo deles. Vamos deixar muito claro. Na verdade, eu estava no PSDB para eu me eleger, eu não tenho como me eleger sem partido, então eu estive no PSDB. Eu nunca tomei uisque com o governador, diferente de outros.

O senhor vai usar as redes sociais como ferramenta principal da campanha?
Não. Minha principal ferramenta é o povo.

O deputado falou que está em segundo nas pesquisas e que Iris Rezende está em primeiro e só não esta disparado por conta do senhor no páreo…
É o que a imprensa tem falado.

Certo. Mas parece que todo mundo está se juntando para vencer Iris. Isso não pode favorecer o próprio Iris?
Eu não faço parte dessa panela que está se juntando para derrotar Iris Rezende. Eu estou sozinho nessa disputa para ganhar essa eleição.

O senhor é um delegado de polícia. Chegando na prefeitura, descobrindo corrupção, vai mandar prender os corruptos?
Já sabemos de alguns casos de corrupção. Informações de bastidores dão conta de que existe corrupção em algumas áreas. Com certeza, nós teremos uma equipe de inteligência na prefeitura. Esse pessoal corrupto ou pega a mala e vaza ou vai sofrer a consequência, na prefeitura não vai se sustentar.

Deputado, o senhor falou que é capaz de fazer uma campanha com base na sua caminhonete, mas a gente sabe que essas campanhas majoritárias numa capital o investimento de dinheiro é maciço e tudo isso acaba, de alguma forma, levando o peso político para o candidato que possui essas máquinas e aqui nós vamos ter duas máquinas pesadas.
Duas máquinas enferrujadas, duas máquinas enferrujadas.

O senhor não teme o poderio econômico e acha que no corpo a corpo vai conseguir vencer?
Não vou estar somente no corpo a corpo. Vamos estar também nas redes sociais. Vamos ter um grupo de pré-candidatos a vereador que vão estar caminhado. Nós temos o nosso vice Zacarias Callil que um médico de excelência. Eu estou dizendo o seguinte. O nosso projeto ele não vai ser tradicional com base em dinheiro e empreiteiras. Não. Nossa campanha será em parceria com o cidadão.

O senhor tem ideia de como conseguiria resolver o problema da má qualidade do transporte de Goiânia?
Eu não vou fazer como outros candidatos que prometeram em seis meses resolver o problema de Goiânia. Eu não vou fazer promessa, mas eu quero dar dignidade aquele que usa o transporte coletivo. De que forma? Fazendo terminais, pontos de ônibus, onde as pessoas possam ficar cobertas. Que tenham banheiros públicos com qualidade, reformar os terminais, dar condições de lazer dentro desses terminais. Se necessário, nessa área, utilizar a iniciativa privada.

Que avaliação que o deputado faz do atual prefeito?
Tem prefeito em Goiânia? É aquele eleito pelo povo que trabalha meio período? É esse? Goiânia só vai mudar com alguém que trabalha, com esse perfil. Esse perfil é o do Delgado Waldir.

Delegado, o senhor acha que vai passar sua mensagem para a população utilizando os mecanismos que sempre utilizou, sem empregar recursos?
Eu vou dizer para vocês. Eu consegui fazer isso no Estado todo. Goiânia para mim vai ser mamão com açúcar. Diferente dos outros candidatos, eu conheço Goiânia como a palma da minha mão. Vocês vão se surpreender, o cidadão está antenado. Ele sabe quem faz e quem vai fazer.

Ainda insistindo nessa questão do eleitorado. O perfil do eleitor do senhor está bem distribuído em Goiânia?
Não teve nenhuma urna em Goiânia onde o Delegado Waldir não tenha tido voto. Nenhuma. Foram 179 mil votos em Goiânia e se eu repetir essa votação de Goiânia eu estou no segundo turno. De lá pra cá só me aprimorei. Nós conseguimos elevar o padrão de qualidade.

O senhor protagonizou aquela cena dos ratos no Congresso…

Eu não. Foi o PT.
Mas me diga uma coisa aqui deputado. Domingo (13/03) nós tivemos, segundo institutos de pesquisas, a maior manifestação popular contra a corrupção, governo federal e a política de um modo geral né…
A mim não atinge.

Certo. Que avaliação que o senhor faz?
Tirar esses ratos da política também é a minha pretensão. Eu não tenho o rabo preso. Se eu tivesse já tinha sido cortado na polícia.

E o recado que essas manifestações deram. O senhor acha que ela a presidentsa Dilma renuncia ou não?
Não. Ela vai cair. Renunciar ela não renuncia.

Ela vai ser cassada?
Sim. Ela vai ser cassada.

O senhor foi na manifestação de domingo. Foi vaiado?
Não. Dê uma olhadinha no meu Istagran, todos queriam tirar foto com o Delegado Waldir. Nós somos uma referência, nós não temos o rabo preso. Eu não preciso de dinheiro, eu não preciso de empreiteira.

O senhor disse que dispensou a verba de moradia a que tem direito Brasília…
Sim e também não tenho apartamentos mobilhado em Brasília que a Câmara  fornece. Nos dias que eu fico em Brasília eu fico em hotéis e pago do meu salário. Fui também o primeiro parlamentar a abrir mão do transpatroa.

Quanto é a ajuda de custo para moradia?
É de 4.650,00 e cada parlamentar ainda tem de verba de gabinete aproximadamente R$ 40 mil para advogados, para gráfica, para divulgação, viagens aéreas, para alugar taxi aéreo, helicóptero, o que ele quiser gastar. Desses valores no ano eu gastei R$ 12 mil apenas, os outros gastaram em média de R$ 300 a R$ 480 mil. Como eu fui o mais votado na história de Goiás e de Goiânia eu tenho que ficar na história não só por isso, mas por ter uma conduta ética.

 

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