Impedimento, traição e lealdade

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Altair Tavares

Ninguém, em lugar nenhum do País, previa que, depois de deixar, em 2010, a Presidência do Brasil, que Luis Inácio Lula da Silva voltasse ao centro do poder no cargo de ministro. Ninguém teria a audácia de afirmar que a presidente Dilma Roussef fosse alvo de um processo que pode aprovar ou não o impedimento dela. Ninguém avaliava que os aliados que tinham no governo pudessem criar tantas dificuldades, em aliança com a oposição ao governo da presidente, com real possibilidade de aprovar o afastamento dela.
A política é território de traição, deslealdade, infidelidade, interesses pessoais acima de interesses coletivos, e tantas cenas deploráveis. Os manifestantes que levantam bandeiras, hoje, tanto de um lado quanto do outro, vêem qual é a política real que está em prática, em Brasília? Sem dúvida, um dos erros mais graves da presidente Dilma Roussef, e pelo qual ela sofre, hoje, é não ter eficiência política.
A presidente amarga, agora, nos levantamentos das posições dos integrantes da comissão que analisa o processo de impedimento, uma iminente derrota. Lá estão integrantes de partidos que são (ou pelo menos deveriam ser) aliados dela e que estão utilizando a estrutura do poder para seus objetivos. Lá figuram: PMDB; PDT; PSD; PP. Seriam traidores? Inféis?
E, Goiás está no centro da decisão com a participação do deputado federal do PTB, e presidente do partido no Estado, Jovair Arantes. Ele, líder da bancada do partido na Câmara dos Deputados, figura entre os indecisos. O mesmo que esteve próximo, por dentro do poder, todos esses anos.
Quantos deputados de Goiás vão votar a favor de Dilma Rousseff e quantos contra? A previsão do governador Marconi Perillo (PSDB) é de que só o deputado Rubens Otoni (PT) vai votar a favor da presidente na bancada dos deputados federais goianos. Se isso acontecer, pode ser a maior votação da oposição, em termos proporcionais, do Brasil. Será surpresa? Nem tanto. E o presidente do PMDB de Goiás? Daniel Vilela, cujo pai, Maguito Vilela, é um dos maiores elogiadores da presidente, fala em respeitar a opinião do partido.
O PMDB é o partido central de toda a polêmica. Os vários levantamentos sobre a opinião dos parlamentares apontam que o partido desembarca do apoio político do governo Dilma Rousseff, acompanhando a opinião dos que já estavam fora (o famoso grupo de Eduardo Cunha, processado e que pode perder o mandato e a presidência da Camara dos Deputados).
Se Lula virou ministro é porque o jogo já estava perdido na articulação política e, portanto, não é exagero enxergar a missão do novo ministro da Casa Civil como o “salvador da pátria”. Talvez consiga, ou não. Se não conseguir, encerra-se o governo da presidente petista. O julgamento realmente não é jurídico, é totalmente político. E, na política, território de deslealdade, mas que pode encontrar gente leal. Ou, fieis. Os dias e as horas passarão muito devagar até o desfecho histórico que está por vir.
Altair Tavares é comentaristas das Rádio Vinha FM e 730 AM, editor do Diário de Goiás e blogueiro .
( www.altairtavares.com.br )

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