Além da crise, a insegurança

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Porta-giratória com detector de metais na entrada de farmácia para evitar seguidos assaltos

Bandidos usam nova ma forma de arrombamento das empresas nas madrugadas, o chamado furto com o carro em marcha-ré, e assustam comerciantes de Campinas

Daniela Martins

Não é só a crise econômica que tem tirado o sono dos empresários goianos. A insegurança também é motivo de preocupação. Em Campinas, tradicional região de comércio de Goiânia, os lojistas foram surpreendidos, neste início de ano, com uma nova forma de arrombamento de suas empresas nas madrugadas. Com o carro em marcha-ré, criminosos avançam com o veículo, quebram as portas de aço e invadem as lojas, retirando tudo o que podem.
“Houve noite de acontecerem três arrombamentos”, destaca William Marcório, vice-presidente da Associação dos Empresários de Campinas.
William conta que o policiamento foi reforçado durante a madrugada e os lojistas passaram a construir barras de concreto na frente das lojas para dificultar a ação dos criminosos.
“Durante o dia já estávamos bem servidos, agora melhorou também à noite”, relata.
Em 2015, foram registrados 4.377 casos de furtos e roubos a estabelecimentos comerciais em Goiânia e 12.881 em todo o Estado, segundo estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSPGO). Diante desses números e da crise na segurança pública no Estado, evidenciada pelo baixo efetivo policial, sucateamento das delegacias, viaturas e equipamentos, os próprios comerciantes têm buscado investir em segurança privada.
Destes números registrados no ano passado, muitos foram casos de violência a mão armada, que fizeram vítimas tanto próprietários quanto clientes dos estabelecimentos comerciais.
É o caso de um arrastão ocorrido na noite de 18 de setembro, por homens armados num bar do setor Jardim Helvécia, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. Câmeras de segurança registraram a ação dos criminosos, que durou menos de três minutos.
Um empresário, que prefere não se identificar, também decidiu reforçar a segurança de seu estabelecimento comercial depois de sofrer 13 assaltos a mão armada em um período de apenas dois anos e meio de funcionamento da sua farmácia
Apesar de já contar com sistema interno de câmaras de segurança, nada intimida os criminosos, que sempre voltavam.
“Inclusive, sempre o trabalho da polícia foi feito. Eu chamava, eles vinham e até conseguiam prender…”, relata o empresário.
Logo após o último assalto, no final de 2013, ele e os sócios resolveram instalar uma porta-giratória com detector de metais na entrada da farmácia, localizada no Jardim Guanabara, região norte de Goiânia.
“O investimento é caro, mas a vida vale mais”, enfatiza o comerciante, que, à época, investiu R$ 16 mil.
Pode até parecer um pouco estranho à primeira vista, mas a ideia foi bem aceita por sua clientela. Não houve rejeição e os assaltos cessaram.
“Tem que fazer isso mesmo, me sinto mais seguro”, reforça o segurança Joelito Santos de Moura, cliente assíduo da farmácia.
A ideia deu tão certo que já tem outros comerciantes, donos de farmácias, supermercados, querendo copiar.

Atrás das grades
Quem não pode investir em porta-giratória, investe em grades. Basta uma volta rápida pelo Jardim Guanabara para constatar que a sensação de insegurança é generalizada entre comerciantes e moradores. À exceção da avenida principal, muitos comércios do setor funcionam atrás de grades, inclusive uma mercearia.


 

Estratégia para reduzir a criminalidade

Delegado Gylson Mariano
Delegado Gylson Mariano

O delegado Gylson Mariano Ferreira, assessor de Comunicação da Polícia Civil, conta que o órgão tem adotado algumas estratégicas para reduzir a criminalidade em geral e, especificamente, os casos de roubos e furtos a estabelecimentos comerciais.
“É um trabalho de análise criminal, um estudo com base em todas as ocorrências que foram registradas para que a gente possa identificar quais os locais onde mais acontecem esse tipo de delito e, a partir disso, representar, por medidas cautelares, típicas de polícia civil para tentar conter o avanço desses crimes. Fazemos o estudo de ocorrências”, explica.
De fato, na comparação de 2015 e 2014, os números da SSPGO apontam para uma redução de aproximadamente 12% nos casos de furtos e roubos a estabelecimentos comerciais no Estado como um todo.
O delegado explica que a partir da análise criminal são definidas estratégias e realizadas buscas, apreensões e prisões de pessoas envolvidas, segundo a necessidade das investigações.
“Além disso, houve um aumento mesmo de produtividade. A Polícia Civil tem remetido muito mais inquéritos ao Poder Judiciário e isso a gente entende que reflete também na redução dos crimes”, afirma Gylson Mariano.
Com a análise das ocorrências é possível identificar “manchas criminais” e, desta forma, concentrar a atuação da Polícia Civil nessas regiões mais problemáticas. Com tudo isso, ele reforça, a produtividade tem sido elevada consideravelmente nos últimos anos.
“Estamos passando um recado de que a polícia está atuando”.

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