PMDB abre precedente para oficializar fim da união em Goiânia

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Além de Goiás, outros 13 diretórios estaduais do partido já decidiram pelo afastamento do governo federal. PMDB nacional se reúne dia 29 para oficialização

Marcione Barreira, repórter de Política

Depois de mais de uma década de parceria, parece chegar ao fim a união entre PT e PMDB. Há um bom tempo existe a discussão sobre o divórcio, mas o PT se amparava no “projeto nacional”, que agora caminha a passos largos para o fim. Dessa forma, os argumentos de união, pelo menos em Goiânia, se enfraquecem.
Nesta terça-feira, dia 29, a executiva nacional faz reunião onde deve decidir pelo afastamento do governo da presidente Dilma Roussef (PT). Pelas contas de alguns líderes do PMDB no Congresso Nacional, o PT pode ficar otimista. Dos membros com direito a voto cerca de 79 são a favor da permanência com o governo enquanto 66 querem se afastar.
Os governistas sabem que para barrar o impeachment os peemedebistas são essenciais porque formam grande base de apoio ao governo no Congresso Nacional. No fervor da política nacional, Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula pedem apoio da legenda vermelho e branco, aumentando assim importância da agremiação no governo.
Em Goiás, o envio da moção que pede pela ruptura da aliança com o governo de Dilma foi apoiada por todos os seis deputados na Assembleia Legislativa. Eles dizem que o partido não pode ficar inerte com as manifestações que estão acontecendo no País.
A medida abre precedentes para outro fim de aliança desta vez aqui a capital. Com a má avaliação da gestão do prefeito Paulo Garcia (PT) em Goiânia, o PMDB já fala de forma mais clara que o fim da aliança está próximo. A conversa que permeava sobre a composição entre os dois ainda em primeiro turno perdeu força até para o segundo turno.
Lideranças do PMDB dizem que nem mesmo no segundo turno a aliança pode acontecer. Uma vez que a ruptura nacional pode afastar ainda mais os dois partidos em Goiânia. Indagados sobre uma possível união no segundo momento da eleição os peemedebistas deixam em aberto: “No segundo turno é outra situação da eleição. Temos que conversar”, garante o presidente metropolitano Bruno Peixoto (PMDB).
Na ala petista que até pouco tempo não descartava uma composição já não há mais esperança. Agora fala somente em segundo turno para se unirem. Presidente do diretório metropolitano do PT, Luis Cesar Bueno, que sempre defendia a união, já não fala mais nesta posssibilidade em primeiro turno, mas matem esperanças no segundo: “No segundo turno nós estaremos juntos”, disse Bueno.

Manifesto
Numa reunião onde estiveram os principais líderes da bancada goiana na Assembleia Legislativa, Câmara dos deputados e interior, os peemedebistas decidiram apoiar a ruptura da aliança político-administrativa com o governo da presidente Dilma Rousseff. Apenas dois dos que compareceram não foram de acordo com a medida.
Os dois membros são do interior do Estado, onde as alianças ainda devem ser mantidas, segundo eles. O prefeito de Guapó, Luiz Juvêncio, e a ex-prefeita de Britânia, Cleusa Assunção, foram os que se manifestaram contrários a decisão tomada pelo diretório estadual.
No interior é onde a aliança deve continuar ou se construir. O presidente estadual do PT, Ceser Donizete, acredita que não há dificuldades para que isso ocorra. Segundo ele, a união só não deve ocorrer somente se em alguma cidade onde o PMDB se unir ao DEM. “No caso em que estiver DEM e PMDB, o PT não participa”, garante.

Iris x Maguito
O afastamento do PMDB do governo colocou em contraponto as duas maiores lideranças peemedebistas do estado. O ex-prefeito Iris Rezende e o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. Enquanto Iris Rezende quer o fim do vínculo com o governo federal, Maguito diz ter suas razões pra continuar com ele.
Na última semana os dois se declaram. Um apóia o rompimento e outro não. Em declarações à coluna Giro, de O Popular, Maguito disse que é preciso ter cautela nesses termos. “Iris tem seus motivos para querer se afastar e eu os de querer continuar”. Já Iris declarou que ou o PMDB se afasta ou vai afundar junto com o PT. “Ou o PMDB saí ou vai se engolido pela crise”, disse Iris.

Críticas
Algumas lideranças do partido não pouparam críticas sobre o governo federal. Até mesmo o próprio PMDB não foi poupado delas. Na opinião de alguns correligionários, a decisão já deveria ter sido tomada. Em outra ponta, alguns deles dizem que o PMDB deve entregar os cargos do governo de forma imediata.
O deputado estadual Ernesto Roller (PMDB) é completamente a favor da ruptura. Segundo ele, a crise econômica pela qual passa o país é “terrível”. para ele, o PMDB demorou a decidir. “Ninguém na política pode ficar em cima do muro. Essa decisão do PMDB vem de forma tardia”, disse Roller.
Para Roller, no entanto, o País está em profunda crise política e econômica e se continuar dessa forma tudo pode se complicar. Entretanto, ele espera que o PMDB possa tomar uma decisão rápida. “O Brasil não pode continuar patinando. Espero que o PMDB nacional possa sair do governo”, finalizou.
O deputado estadual José Nelto (PMDB) apoiou a decisão junto aos outros membros e declarou que diante dos escândalos de corrupção envolvendo o PT e o próprio PMDB era necessário se mexer. “Diante do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, o PMDB tinha que tomar essa decisão”, disse.
Para Nelto, o fato de o PMDB ser um partido grande e ter “profundas” responsabilidades com a nação faz com que dê uma resposta às manifestações de rua. Segundo ele, a pressão das ruas influenciou na decisão do PMDB. “O PMDB não pode comungar diante dessa corrupção. As ruas influenciaram não só o PMDB, mas todos os partidos”, afirma.
Ainda segundo Nelto, caso ocorra o afastamento da presidente e o vice Michel Temer (PMDB/SP) venha a assumir o governo é preciso estancar a crise, caso isso não ocorra é a favor de novas eleições. “Mesmo que seja o PMDB. Alguém precisa estancar a crise. Se o PMDB não der conta tem que fazer novas eleições”, declara.
Sobre a reunião da executiva nacional do partido o deputado acredita que o PMDB vai de fato oficializar a saída do governo, deixando o campo de Dilma Roussef. Ele disse acreditar que o número de peemedebistas favoráveis ao ato é amplamente superior aos contrários. “Não tenho dúvida. Cerca de 80% a 90% apóiam”, acredita Nelto.
Já o deputado estadual Paulo Cézar Martins também acredita que isso vá acontecer. Segundo ele, não há outra forma de o País se alinhar novamente. Assim como Roller, ele pondera que a decisão é tardia. “Já passou da hora. A presidente não consegue mais governar. Eu não vejo outra forma”, disse Paulo Cesar em apoio à ruptura e ao impeachment.
Ele é favorável também que o seu partido tenha “coragem” de enfrentar uma candidatura ao Executivo. Segundo Paulo Cézar, é preciso que o partido lance nomes e saia de uma posição que somente presta apoio. “O partido tem que ter o discernimento de ter candidatura própria”, defende.
Outra crítica imposta pelo deputado tem relação com os cargos que ocupa no governo. Segundo ele, é necessário que o partido abandone os cargos de ministérios que ocupa na esfera federal. “Antes de tudo, acho que tem que abandonar os cargos. Tem que entregar os ministérios”, disse.
O PMDB ocupa algumas das pastas mais importantes no governo federal. Entre as quais o Ministério da Saúde com Marcelo Castro (PMDB/PI), Ministério da Agricultura, com Kátia Abreu (PMDB/TO), Ministério da Ciência e Tecnologia, com Celso Pansera (PMDB/RJ), este último inclusive é a favor da permanecer no governo.


Para PT, PMDB tem responsabilidade na crise

Adriana Accorsi: pré-candidata a prefeita
Adriana Accorsi: pré-candidata a prefeita

Com o vice-presidente da República o PMDB é parte do governo federal há alguns anos. Juntos há bastante tempo os dois partidos estão no Executivo nacional por uma década. Ministérios estratégicos e pastas de alto valor para a economia, como o Ministério da Agricultura.
Para os petistas, o fato de a crise estar cada vez mais grave não pode ser responsabilidade somente do PT. Em defesa do partido, a deputada estadual petista Adriana Accorsi disse que entende como natural o afastamento do PMDB, entretanto, cobrou responsabilidade. “Só desejamos que isso seja feito de forma respeitosa. Tanto no sucesso quanto os fracassos são de responsabilidade deles também (o PMDB).
No campo municipal, a deputada enxergada a mesma situação. Segundo a pré-candidata do PT à prefeitura, as responsabilidades precisam ser divididas. “Foi o próprio PMDB que não quis que continuássemos juntos. Entendemos isso de forma natural. Mas espero que eles reconheçam que fazem parte da administração até o momento”, disse.

Eleições
O PT decidiu que a candidata do partido para sucessão de Paulo Garcia será Ariana Accorsi.  O partido que chegou a ter cinco pré-candidatos e entendeu que o momento era de cessar possíveis conflitos internos. “Seria uma inconsequência muito grande para nós se houvesse uma disputa neste momento”, disse o presidente metropolitano do partido, Luis Cesar Bueno.
Segundo Luis Bueno, a oficialização so none da deputada ocorrerá em breve. Disse ainda que a união com o PMDB em primeiro turno está descartada. “Depois da Páscoa vamos definir oficialmente o nome da Adriana. O PMDB é um partido aliado, mas nós caminharemos separados em primeiro turno”, garante.
Adriana Accorsi disse estar trabalhando com plano de governo, promovendo diálogos sem descuidar da Assembleia Legislativa. “Iniciamos nosso trabalho como pré-candidata, estamos dialogando com a sociedade, compartilhando nossas ideias como gestora pública. Sem esquecer o trabalho na Assembleia”, declara Adriana.

Ceser Donizete: encontros no interior
Ceser Donizete: encontros no interior

Interior  
Enquanto isso, o presidente do diretório estadual do partido, Ceser Donisete, vem promovendo reuniões com os filiados. Segundo ele, o planejamento é realizar 13 encontros regionais que visam fortalecer o partido. “Já fizemos quatro. Faltam nove encontros pelo Estado afora”, disse o presidente.
Algumas da figuras mais importantes do partido participam desses encontros, entre eles os deputados estaduais e o deputado federal Rubens Ottoni (PT,) além de outros nomes como Antônio Gomide e membros direção do partido. “Queremos dar um paço à frente. Todas essas lideranças participam sempre que podem”, afirma.
Indagado sobre a crise que afeta o governo federal e seus reflexos nas eleições deste ano, ele ponderou que as eleições municipais tem perfil diferente. Ceser acredita que o candidato é mais próximo à população e que pelo caráter regional os desgastes serão abrandados. “Muitas vezes o cidadão diz que não gosta de política, mas vai votar no candidato porque o conhece. Então, os efeitos da crise acabam sendo subtraídos”, acredita.

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