“A população tem que saber escolher quem são as pessoas honestas”

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Deputada estadual Adriana Accorsi (PT)

Escolhida como pré-candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), a deputada estadual Adriana Accorsi faz parte da linha tradicional do PT. De berço político e filha do ex-prefeito e militante da velha guarda petista Darci Accorsi, Adriana terá a missão de recuperar o eleitor do seu partido nas próximas eleições.
Eleita para seu primeiro mandato, tem projetos que permeia a saúde, educação e segurança. É delegada da Polícia Civil e tida como uma das principais defensoras da causa da Assembleia Legislativa, onde é líder do partido.
No início do ano, Adriana esteve em embate interno com outros quatro pré-candidatos do PT à prefeitura de Goiânia. Para que não houvesse disputa, o partido bancou seu nome para a sucessão de Paulo Garcia. Em entrevista à Tribuna do Planalto, a parlamentar fala de sua atuação na Assembleia Legislativa, política, crise, manifestações e segurança. 

 Marcione Barreira,  repórter de Política
O PT decidiu que neste momento não deveria haver disputa interna e a colocou como pré-candidata à prefeitura de Goiânia. Como a senhora recebeu essa tarefa?
Nós recebemos essa tarefa, primeiro, com sentimento de muita alegria, de muita satisfação. Porque é uma grande honra ser escolhida por todos os membros do meu partido. Recebemos também como um grande desafio porque é uma grande responsabilidade e nós vamos procurar honrar essa confiança que os meus companheiros depositam em nós. Neste momento do processo é natural que, pelo menos nos bastidores, já deve ter acontecido conversas em relação à composições.

O partido já tem perspectivas para aliança com quem?
As conversas e os debates para as alianças de 2016 estão bastante avançadas. Estamos trabalhando muito neste sentido. A direção partidária, os nossos lideres e o nosso líder principal, o prefeito Paulo Garcia (PT). Nós acreditamos que conseguiremos uma grande aliança e juntos chegaremos à vitória em Goiânia. Estamos trabalhando com todos os partidos do campo democrático e popular, como é definido pelo partido em nível nacional, e acreditamos que vamos ter sim uma aliança democrática e que vai representar muito bem a sociedade goianiense.

Nesse estágio de pré-candidatura qual é o foco da deputada  e delegada Adriana Accorsi?
A pré-campanha, de acordo com a nova legislação, permite uma série de possibilidades para dialogar com a sociedade sobre o processo eleitoral. Mas é claro, que como deputada, não posso perder o foco na minha atuação parlamentar a qual terá toda minha prioridade neste período, uma vez que continuo sendo uma das únicas deputadas mulheres, líder do Partido dos Trabalhadores na Assembleia esse ano, então o nosso foco são os nossos projetos, a nossa luta pela Segurança Pública, pela garantia dos direitos, em especial da pessoas mais humildes, das mulheres e crianças. Mas também iremos dialogar com a sociedade goiana dentro das possibilidades legais da pré-campanha construindo um plano de governo para Goiânia que resgata todas ações e projetos que o PT já apresentou na capital em suas três administrações e também de outros partidos que foram boas para a sociedade, como a de Anápolis, também do PT, e outras que nós acompanhamos. Vamos abrir diálogo com a sociedade, construir um plano de governo democrático, apresentando nossas ideias e recebendo também as ideias e sugestão da população.

Tem sido difícil, em termos de tempo, esses dias, especialmente, depois de o seu nome ter sido escolhido pelo partido?
Na verdade nós temos já há muitos anos esse dia a dia tumultuado, mas procuramos ter uma atuação dinâmica no sentido de, primeiro: continuar e buscar sempre ser uma boa mãe, uma boa filha, cuidar da casa e da nossa família também. Depois vem o nosso trabalho como deputada, nosso trabalho como militante petista e agora o nosso trabalho também como candidata. Realmente é uma dia a dia bastante atribulado, mas nós temos bastante energia e acreditamos que vamos conseguir e faremos de tudo cumprir esse dia a dia, dar conta da missão como deputada e agora como pré-candidata.

Falando um pouco desse momento da política nacional. Nós acompanhamos o afastamento do PMDB do governo da presidenta Dilma. Isso deu impulso ao PMDB regional) em “oficializar” o afastamento do PT também aqui na capital?
Essa questão do PMDB deve ser vista com tranquilidade e naturalidade. Faz parte da democracia que alianças sejam feitas e desfeitas. Eu acredito que em Goiânia o afastamento do PMDB já era mais previsto ainda do que o nacional. Já há vários meses lideres do PMDB, em especial o vice-prefeito, já se pronunciavam contra a manutenção da aliança para as eleições de 2016. Então, para mim, não há surpresa. Eu só tenho afirmado que o PMDB deve recordar sempre que eles fizeram parte da administração da presidenta Dilma e do prefeito Paulo Garcia até este momento, portanto, sucesso e ações que sofram críticas eles também fizeram parte. Então, isso será lembrado por nós e deve ser lembrado por eles também.

Com não há nenhuma possibilidade de união no primeiro turno, será possível unir-se no segundo?
Pode ser que num segundo momento, como no segundo turno, nós possamos estar juntos.

O fato de diversos partidos, inclusive, o Partido dos Trabalhadores estar sofrendo críticas da população em geral pode atrapalhar no desempenho das eleições deste ano?
Com certeza, não só o Partido dos Trabalhadores, mas para mim, de uma forma geral, a política no Brasil passa por um momento difícil e complicado. Nós temos que ter consciência e procurar melhorar a política. A população espera que a política se transforme em uma atividade de honestidade, de transparência e que realmente esteja próximo do cidadão e sirva a essa população de uma forma séria e honesta. Não só eu pretendo melhorar cada vez mais, mas também todos os políticos e todos os partidos.

A senhora acredita que há um desgaste maior sobre o PT? Por que?
Dizer que só o Partido dos Trabalhadores é uma grande injustiça, uma vez que onde há o ser humano existe a corrupção, existe pessoas honestas e desonestas em todos os partidos e todas as instituições. A população tem que saber escolher quem são as pessoas honestas para nós termos também uma política cada vez mais honesta.

A gestão do prefeito Paulo Garcia vem atravessando algumas dificuldades e nota-se que até foi feita uma agenda um pouco mais positiva no ano passado visando, inclusive, às eleições deste ano. A senhora acredita que há a possibilidade de retomada da credibilidade do governo com uma agenda positiva agora?
As dificuldades na gestão Paulo Garcia foram comuns às outras administrações municipais, estaduais e à própria administração federal, uma vez que a crise econômica mundial que atinge grande parte dos países também chegou ao Brasil e atingiu também os municípios e estados. Acredito que foram dificuldades que nós estamos caminhado para superar. Acredito também que uma série de projetos com recursos federais estão chegando agora, como os que eu fiz para a área de segurança, como a Guarda Civil Metropolitana. Recentemente adquirimos 25 novas viaturas com recurso federal, câmeras de monitoramento que chegaram e foram instaladas e o programa “crack é possível vencer”. Da mesma forma outros secretários buscaram recursos que, em virtude dessa cris,e só estão chegando agora. Nós acreditamos que muitos desses projetos serão colocados em prática e que nós teremos um ano de 2016 extremamente positivo com muitas obras sendo entregues para a população e os serviços sendo normalizados e prestados com excelência ao povo de Goiânia.

Em relação aos protestos deputada, tanto os do dia 13 , quanto os do dia 18 de março pediam o fim da corrupção. Os do dia 13 foram mais concentrados no impeachment da presidenta Dilma e em defesa do juiz Sergio Moro. Os do dia 18 defendiam a presidenta com ataques ao juiz. Qual a avaliação da senhora em relação essas manifestações?
As manifestações da população brasileira, contra ou em defesa do governo, eu as vejo com naturalidade e com respeito até porque nós temos que agradecer a todos que lutaram para que hoje no Brasil nós tivéssemos uma democracia que permite a todos manifestarem a sua opinião desde de que de forma pacifica. Portanto, respeito, vejo com naturalidade, acredito que a grande maioria da população, tanto a que foi às ruas dia 13 ou a que foi no dia 31, por exemplo, querem o mesmo, querem o melhor para seu País, querem um política sem corrupção, querem a corrupção banida da política com rigor e é o que eu também desejo, não só como política, mas como cidadã, como mãe e nós todos temos que lutar para isso. Para que no Brasil nós avancemos para evitar a corrupção e punir nos casos em que acontecer com todo rigor. Eu acho que é isso que a população quer, quer uma política melhor e nós temos que respeitar. O que eu lamento são fatos pontuais, exceções de ambos os lados que agem de forma intolerante, que agem de forma a manifestar ódio entre as pessoas que pensam diferente de você. Isso eu acho lamentável, como por exemplo, colocar fogo na sede do meu partido, como aconteceu recentemente, jogaram uma bomba na sede do PC do B e outros atos de violência que eu repudio sendo do lado que for. Acredito que nós temos que evoluir para que possamos respeitar as pessoas mesmo que elas pensem diferente da gente. Então, esse é o caminho para que nós possamos aprofundar a democracia.

Falando um pouco dos seus projetos na Assembleia. Apesar de ser da área de segurança, a senhora também apresenta propostas na área da saúde. Gostaria que falasse um pouco sobre seu trabalho na Assembleia?
É bem verdade que a minha carreira como policial civil, já são 16 anos que eu tenho alegria de fazer parte das forças policiais de Goiás, e também todo o nosso trabalho na segurança publica como chefe da polícia faz com que essa seja a nossa principal missão agora como deputada para contribuir para que Goiás tenha mais segurança. Nós temos trabalhado muito no sentido de que tenhamos maior valorização dos trabalhadores da segurança, de todos os policiais, de todas as áreas. Tenho trabalhado também para que haja novos concursos porque o número de policiais hoje é muito aquém do necessário, temos lutado também para que os policiais que foram aprovados nos últimos concursos das políciais Civil, Militar e Técnica Ccientífica sejam convocados para que possam dar mais segurança à população. Mas também tenho atuado em várias outras áreas porque entendo que um deputado estadual, assim como um gestor, deve pensar na cidade e no estado como um todo. Então, eu tenho muitos projetos na área de direitos das mulheres, crianças, na área de saúde para que se garanta uma alimentação saudável para as crianças, também na área de meio ambiente e na área de educação. Nós temos acompanhado essa questão das OSs na educação. Eu tenho colocado a minha preocupação com esse modelo que o governo quer implantar. Estamos aqui discutindo para que  possamos garantir no Estado de Goiás educação pública e de qualidade para todos.

Deputada, a senhora tem um trabalho reconhecido com relação aos menores infratores, a senhora já trabalhou em delegacias especializadas. Como observa essa discussão sobre a maioridade penal?
Na verdade, a maior parte da minha carreira como policial eu trabalhei com crianças vítimas de violência. Posso dizer com tranquilidade que a maioria dos adolescentes que se envolve na criminalidade eles, por sua vez, foram também vitimas. Eu trabalhei em várias delegacias, mas a minha maior missão até hoje foi presidir os trabalhos da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescentes. Eu acho que hoje o Estado tem  uma dívida muito grande com as crianças, principalmente crianças e jovens humildes. Acho que nós estamos vivendo um caso muito grave de extermínio da juventude humilde e negra. Nós temos que ter uma preocupação muito grande. Nós precisamos encontrar formas e essa é uma das prioridades do meu mandado de prevenir o envolvimento da juventude com a criminalidade de oportunidades, da inclusão social. Não vamos pensar em encarcerar, mas sim em incluir. O que tem que fazer antes de pensar em redução é cumprir a lei que já existe há cerca de 20 e não foi cumprida aqui no Estado de Goiás.

Algo mais que gostaria de dizer?
Gostaria de agradecer a oportunidade de estar conversando com a sociedade goiana através deste excelente meio de comunicação e colocar-me sempre à disposição para prestar conta do nosso serviço e dizer que gostaria de nesse processo de 2016 de contribuir para que nós possamos ter cada dia um sistema político mais justo, mais honesto, mais transparente, onde a população possa participar e acompanhar o trabalho dos seus representantes.

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