Indefinida devolução de cargos do PMDB

0
1587

Peemedebistas terão que escolher se ficam nos seus postos ou saem do partido. Enquanto isso, PT aguarda entrega

Marcione Barreira, repórter de política

Ao se desvincular do governo o PMDB chamou para se uma responsabilidade: e os cargos que ocupa? São indagações que frequentimente perseguem os peemedebistas. No cenário nacional, avaliação é que os cargos, em parte, sejam entregues até o dia 12. Em Goiânia, não há definição, mas é fato que terá desdobramentos nos próximos dias.
O jogo é de espera dos dois lados. Enquanto o PT aguarda que o PMDB entregue os cargos, o PMDB deixa a cargo dos petistas a iniciativa de pedir os cargos. Pelo lado do executivo municipal, a demora na tomada de decisão do PMDB em relação ao cargos atrapalha a administração.
Enquanto no cenário nacional parte do PMDB resiste em sair da base governista, em especial alguns ministros, por aqui a conjuntura é a mesma. Alguns vereadores estão de malas prontas para desembarcarem do PMDB. O vereador Mizair Lemes foi para o PR, Paulo Borges para o PSB, Eudes Vigor se filiou no PSDB e Denício Trindade foi para o Solidariedade com a ideia de permanecerem na base.

Bruno: cargos do prefeito
Bruno: cargos do prefeito

Os cargos na prefeitura são uma questão a ser discutida em reunião com todos no PMDB nesta semana. Ainda não há previsão para data, mas segundo aliados, um encontro deve ocorrer para estabelecer  consenso em torno dos cargos. Neste momento, não há consenso em torno do tema.
O presidente do PMDB metropolitano e deputado estadual Bruno Peixoto (PMDB), deixou em aberto a questão e afirmou que a decisão é de quem nomeou os peemedebistas. “O PMDB não indicou cargos de primeiro escalão. Foi o prefeito que escolheu”, disse o presidente.
Ainda segundo Bruno Peixoto, o prefeito Paulo Garcia (PT) tem a possibilidade de fazer o que quiser com os cargos uma vez que foi ele quem escolheu. “O prefeito tira quando quiser”, afirmou Peixoto ao afirmar que o PMDB terá candidato e que será Iris. “Oficialmente diremos na convenção, como deve ser”, disse.
Indagado sobre aqueles que por ventura queiram continuar no cargo, Bruno Peixoto foi enfático ao dizer que eles terão que escolher um caminho. “Vamos dar a oportunidade para eles continuarem no cargo e sair do partido, de saírem dos cargos e continuar no PMDB”, declarou o parlamentar.

Petistas
Com essa movimentação, o PT aguarda. O Secretario Municipal de Governo, Osmar Magalhães, disse que a decisão não compete aos petistas e que aguarda a entrega dos cargos. “Nós estamos aguardando. Eles (PMDB) querem, então que saiam. Nós estamos esperando que eles entreguem”, disse Osmar.

Osmar: aguardar entrega
Osmar: aguardar entrega

Com a indefinição, o secretário avalia que ainda não há prejuízos no andar da administração, mas o fato pode ocorrer. Para barrar os efeitos, a prefeitura já conversa com possíveis substitutos. “Se ficar nessa indefinição, é claro que atrapalha. Já existe conversa, a partir do momento que houver a vacância o prefeito fará as nomeações”, declarou.
Na mesma linha de pensamento, o vereador Carlos Soares (PT) avaliou a situação envolvendo seu partido, os cargos e o PMDB. Segundo ele, o natural seria a saída espontânea dos peemedebistas. “Se você não concorda com a administração, o correto é sair. Acabou, acabou!!”, afirmou.

Soares: desprendimento
Soares: desprendimento

Carlos Soares pediu desprendimento na discussão e afirmou que a decisão deve ser dar até no máximo no fim da semana. “Nós vamos resolver essas situação nos próximos dias. Até o final da semana já deve ter uma decisão. São cargos que não precisam de certa urgência”, completou.

Críticas
O vice-prefeito de Goiânia, Agenor Mariano (PMDB), foi o primeiro a criticar abertamente o prefeito Paulo Garcia no segundo semestre do ano passado. Segundo ele, no ato na convenção nacional do PMDB ele já havia dito que a aliança precisava acabar. “Eu fui o primeiro a dizer na convenção nacional que o PMDB precisava vomitar o PT das nossas alianças. Falei isso no discurso para todos senadores do partido que estavam lá. Me sinto na vanguarda do partido”, disse o vice-prefeito.

Agenor: na vanguarda
Agenor: na vanguarda

Agenor teceu críticas a gestão de Paulo Garcia saindo em defesa da gestão anterior  que tinha como prefeito Iris Rezende (PMDB). Segundo ele, Iris nunca deixou empréstimos milionários a serem pagos por outra gestão. “Ele (Paulo Garcia) vai deixar a prefeitura de Goiânia estragada. Vai entregar um monte de financiamento a ser pago pelo sucessor”, criticou Agenor.
Indagado sobre a entrega dos cargos, o peemedebistas disse que o PMDB não indicou cargos de primeiro escalão e explicou como se deu a escolha. “O que houve fui um consentimento do partido. O prefeito escolheu os que ele queria. A direção não indicou nenhum nome para o primeiro escalão” finalizou.
Sobre a relação com o Paulo Garcia, Agenor Mariano afirmou que após as críticas que teceu ao chefe do Executivo municipal em novembro do ano passado nunca mais falou com o prefeito. “A relação é de afastamento total. Ele não escuta nem os aliados, imagina quem faz oposição”, afirmou Agenor, que ainda não se definiu sobre seu futuro político.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here