“É preciso ser obstinado para que as coisas aconteçam”

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Secretário municipal de Governo e Integração Institucional e pré-candidato a prefeito de Aparecida de Goiânia pelo PMDB, Euler Morais fala com exclusividade à Tribuna do Planalto sobre o processo sucessório no município. Diz que colocou seu nome à disposição do partido para dar continuidade ao legado do prefeito Maguito Vilela. Ele acha que a definição do nome do candidato peemedebista deve ser feita este mês e acredita num consenso entre os pré-candidatos. Para Euler, o sucessor de Maguito tem que olhar os interesses maiores da comunidade e não interesses individuais, como faz o atual prefeito.


Ronaldo Coelho, Manoel Messias e Marcione Barreira

Secretário, o senhor colocou seu nome à disposição como pré-candidato à prefeitura de Aparecida. Porque quer ser prefeito do município?
Eu tenho acompanhado o prefeito Maguito há muitos anos. Tenho acompanhado agora uma grande transformação na cidade de Aparecida. Hoje, Aparecida é uma cidade pujante. É uma cidade que se consolida como uma cidade empresarial, industrial e universitária e com muitas obras ainda em curso. Indiscutivelmente a história de Aparecida vai ser dividida antes e depois da gestão de Maguito. Esse legado que ele está construindo não pode ser dissipado. Nós entendemos que há muito ainda a se fazer. Nosso desejo é dar continuidade a tudo isso e ao que pode ser conquistado, pelo menos nesses próximos quatro anos. Evidentemente que pela nossa relação de amizade e confiança me dispus a colocar meu nome como alternativa ainda que esteja plenamente satisfeito com o trabalho da Secretaria de Governo.

Pela base do prefeito Maguito Vilela são seis pré-candidatos e a definição está por vir. Tem gente achando que essa demora na escolha do candidato pode prejudicar a campanha. Qual sua a opinião sobre isso?
Eu tinha dito ao prefeito Maguito que ele tinha que ficar muito a vontade para escolher o nome porque, sem dúvida alguma, ele é o grande eleitor de Aparecida pelo respeito que ele tem. Aquilo que ele vem fazendo na cidade dá ao candidato uma força. No entanto, eu disse a ele que essa disputa não deveria se estender muito tempo e nem tão pouco permitir que gerasse um clima de disputa interna que possa nos fragilizar. Eu acredito que talvez dentro de 15 a 20 dias já seja suficiente para o prefeito amadurecer qual o nome que tem o perfil mais adequado. Evidentemente que todos os pré-candidatos têm suas qualidades e a suas limitações, mas o importante é nos construirmos não só a escolha de um nome como candidato, mas também valorizarmos toda uma equipe que tem colaborado com a administração. Eu creio que a escolha deve ocorrer antes do prazo oficial para que o pré-candidato a prefeito possa ser popularizado, conhecido da população e ao chegar no período efetivo de campanha, especialmente de televisão, esse candidato possa reverter a sua popularidade em intenção de votos.

O senhor acha que há possibilidade de um consenso entre os pré-candidatos para que não haja a necessidade de o prefeito ter que escolher?
Estamos buscando isso. Conversando entre nós. Eu, por exemplo, já conversei com o vereador Ezizio que já declinou de sua pretensão, o secretário Mário Vilela também já se retirou do processo. Conversei com o vereador Edilson, com o secretário Jório, com a secretaria Valéria e todos demonstraram pré-disposição em buscar o melhor entendimento e convergência possível. Conversei também com o vereador Gustavo, ele há algum tempo atrás já havia conversando comigo e afirmado que estaria disposto a fazer o seu melhor esforço para ser o candidato, mas se não viesse a sê-lo não tinha pretensão de sair candidato a vereador. Pretendia então ter um espaço na administração para depois vir a ser candidato a deputado. Agora, recentemente, através da imprensa, vimos que ele tem certa resistência a considerar outra alternativa. Isso faz parte desse processo. Sabemos que o prefeito Maguito é sábio e saberá escolher um perfil mais adequado para o momento. Aparecida precisa buscar, pelo menos, eu diria, seguir aquilo que o Maguito tem buscado passar para aqueles com que ele tem trabalhado.

Maguito está um pouco acima dos eventuais nomes que querem substituí-lo. Seja que for, dificilmente ele vai ter o mesmo status do Maguito. Dentro desse contexto já um nome forte?
Eu acho sempre o ideal que um líder forme outros líderes. No primeiro mandato esse foi um problema que realmente o Maguito enfrentou. Se não tivesse ele como candidato nós corríamos o risco de perder a eleição. Por isso exigiu dele certo sacrifício porque ele sempre foi contrário a reeleição. Ele aceitou e vem ampliando mais as suas ações e, talvez por concentrar muito nessas ações, o tempo passa mais rápido do que se imagina. Mas eu creio que ele estimulou alguns nomes, eu mesmo fui estimulado. A cerca de dois anos ele já começou a pensar na sucessão. E eu comecei a pensar nos processos legais para estar habilitado. Eu queria deixar bem claro que até o período do carnaval eu não desviava o meu foco da administração. Eu creio que o prefeito vai procurar escolher aquele que vai ter não o previlégio apenas, o bônus, mas a missão, o desafio e a enorme responsabilidade de sucedê-lo.

Objetivamente, o senhor acha que vão ter critérios técnicos ou no final das contas o prefeito vai escolher com critérios dele?
Veja bem, nós avaliamos que pesquisas quantitativas talvez não seriam significativas porque os níveis de popularidade ainda não são tão significativos. Agora, uma pesquisa qualitativa pode ajudar a observar o perfil que o eleitor está esperando. Nós temos diversos segmentos organizados que estão sendo ouvidos, lideranças de bairros, lideranças religiosas. Então, eu creio que o prefeito Maguito vai ter muita sabedoria para ouvir, escutar e tomar uma decisão que seja representativa. Ele não quer tomar uma decisão unilateral, não quer ser autocrático nesse processo, mas ele quer expressar realmente aquilo que é o sentimento do melhor perfil para este momento.

Falando em perfil de candidato ideal que o eleitor quer, nas pesquisas qualitativas aparecem muito que o eleitor quer renovação, quer ficha limpa, ideias novas. O senhor se encaixa nesse perfil?
Bem, eu, graças a Deus, já tenho uma trajetória na minha vida pública e política, ocupando cargos a nível federal onde eu já fui secretário-geral adjunto do Ministério da Agricultura, gestor ou quase um ministro interino da Reforma Agrária, assessorei diversos ministros, enfim, já ocupei diversas funções em nível federal e no Estado também. Fui Secretário de Estado já ocupei a presidência de alguns órgãos. No nível municipal, tanto em Goiânia como agora em Aparecida. Graças a Deus eu nunca tive nenhum problema com relação à minha postura pública e acho que o meu maior capital é a minha credibilidade. Pela minha formação, tenho procurado saber das inovações que estão ocorrendo no mundo. Dois anos atrás eu estive em Barcelona em um simpósio sobre cidades inovadoras, por isso nós lançamos os projetos em Aparecida para fazer com que a cidade seja modernizada. Hoje, apesar de termos mais de 115 bairros asfaltados na gestão do prefeito Maguito Vilela, nós devemos ter ainda uns 25 para serem asfaltados. É claro que nós precisamos completar tudo isso, mas, mais do que isso. Aparecida é uma cidade agora que tem um desafio de ser mais embelezada, ajardinada, sinalizada, bem orientada. Tudo isso exige criatividade. Eu tenho o privilégio de dizer que algumas parcerias público privadas sugiram de iniciativa de minha parte como foi, por exemplo, a implantação do Parque da Criança, do Parque América. Nós criamos mecanismos para facilitar a implementação desses parques. Apesar os meus 66 anos eu ainda me considero jovem e disposto a dar a minha melhor contribuição.

O senhor tem andado pela cidade, tem feito contato com associações, reuniões, como faziam na política antigamente ou é mais de gabinete mesmo?
Eu tenho, na verdade, procurado fazer o melhor, compatibilizando as duas coisas. De certa forma eu sou, muitas vezes, obrigado a atender as necessidades do gabinete quando do prefeito não se encontra. Eu tenho que estar prevenido e isso me prende muitas vezes no gabinete, mas eu me sinto muito à vontade pra transitar no meio da população. Quando fui secretário da Solidariedade Humana eu corria todos os municípios.

Como tem sido a receptividade ao seu projeto?
Sinto-me muito à vontade nisso porque quando fui candidato a deputado federal talvez muitos não acreditavam que eu tivesse chance de eleição concorrendo pela primeira vez e fui o quarto mais votado. Graças ao trabalho e graças a essa interação com o povo. Eu fui o único deputado naquela época que teve voto em todos os municípios. Agora, o candidato que for definido tem que circular em todo o município com a liderança do prefeito Maguito para que ele também possa ajudar nesse processo de popularização. Vejo que isso é um desafio para todos os pré-candidatos do nosso lado.

Secretário, sendo o senhor ou qualquer outro nome da base do prefeito Maguito Vilela, representa a continuidade. Esse discurso de continuidade para Aparecida dá para ser passado para a população trazendo um resultado positivo?
Eu estou muito seguro que esse é o desejo da população. Continuidade, mas sempre com criatividade, com planejamento, com visão, com iniciativa, com contextualização do que o País está passando. É claro que se está dando certo, a população quer que continue, mas esse é o grande desafio. Eu estou convicto de que a população não quer retrocesso. Retrocesso a um tipo de política onde prevalecia o nepotismo, a familiocracia, o fisiologismo. A população quer realmente sentir a presença da administração em todas as regiões do município.


 

“O gestor tem que ter firmeza”P4-5-2

Pelo que a gente observa vai ser um grande desafio suceder o prefeito Maguito Vilela, tem bônus, mas tem muito ônus também. Na opinião do senhor, que tipo de conduta deve ter o próximo prefeito de Aparecida para que o projeto que vem sendo tocado lá tenha continuidade?
Em primeiro lugar, o gestor tem que ter firmeza. Tem que olhar os interesses maiores da comunidade e não interesses individuais. O gestor também tem que ser muito capacitado, preparado para poder discernir nesse turbilhão de problemas quais são as melhores alternativas para promover o desenvolvimento econômico e para dar à comunidade a qualidade de vida que ela precisa. Eu tenho um lema comigo que, na administração pública não basta ser perseverante e nem determinado, é preciso ser obstinado para que as coisas aconteçam. Eu acho que isso é extremamente importante na gestão pública hoje. Eu acho que nesse quesito o prefeito Maguito também foi muito exitoso. Eu creio que quem assumir agora no lugar do Maguito vai ter que recorrer muito aos seus conselhos, mas precisa também ter personalidade própria.

Passando então esse processo de escolha do nome, depois a prioridade seria então escolher o projeto para Aparecida?
Acho que nós temos tudo para construirmos um projeto político onde possamos consolidar esse legado do Maguito para que possamos descortinar novas ações, novas iniciativas e que, dentro do contexto econômico social e político que nós estamos vivendo, Aparecida possa continuar no seu progresso e desenvolvimento. Eu acredito que todos têm consciência de que precisamos ter realmente uma continuidade com inovação e com a realidade do quadro que nós vamos encontrar.

A prefeitura de Aparecida sente o peso dessa crise econômica ou ainda está num nível mais tranqüilo?
Nós tivemos uma reunião com o Alberto Borges, que é da Aequus Consultorias, que dá consultoria à Frente Nacional de Prefeitos e foi muito importante mostrar a necessidade de medidas concretas de fechar as contas frente à Lei de Responsabilidade Fiscal. Ele salientou que agora os cuidados devem ser respeitados. Aparecida é hoje, no Índice Firjan, da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, o primeiro lugar em gestão fiscal e o 21º do Brasil, mas é claro que nós já estamos sentido o peso da crise e temos que fazer o dever de casa com muita racionalidade porque se não nós teremos realmente dificuldades maiores. O reflexo primeiro vem para os estados e depois para os municípios, só que os municípios já vinha, atravessando dificuldades enormes há muitos anos. Agora, com essa crise, os municípios estão em situação realmente calamitosa. Graças a Deus que Aparecida tem sido, de certa forma, uma exceção. Não apenas no Estado de Goiás, mas no Brasil. Saímos de seis mil empresas ativas e fomos para 33 mil empresas ativas. Quer dizer, tudo isso proporcionou um contexto de investimento. Contudo, nós não estamos numa ilha e todos nós devemos estar preparados e essa é uma consciência que toda a equipe vem tomando.

O cronograma de investimento do Governo Federal nos municípios é muito pesado, a gente sabe disso, mas tem uma contrapartida, por exemplo, os postos de saúde, os Cmeis, tudo isso quem vai pagar é a prefeitura. Esse cronograma vai ser afetado com essa crise?
Os recursos da Saúde, Educação, grande parte deles estava ligado a Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Então nós temos a garantia de construção. Agora, o desafio maior virá é com a manutenção, com o custeio de todos esses equipamentos. Isso vai gerar um custo para a manutenção e nós temos que começar a buscar forma de fazer isso.
O senhor já foi deputado federal, já teve experiência de cargos em Brasília. Como está vendo a movimentação política no Planalto?
Eu caminhei ali pelo Congresso Nacional e sei que é uma Casa imprevisível. O jogo do poder é muito forte. Há muitos interesses. Sem entrar no cerne da questão da presidenta Dilma, o que nós estamos vendo é um jogo de poder. Ninguém está discutindo projeto, alternativas para a solução dos problemas do Brasil. Isso preocupa porque nós não podemos ser iludidos pela mística de que se tirarmos a presidenta vai resolver o problemas. Por outro lado, se continuar sem governabilidade nós também vamos continuar num vácuo imprevisível. Eu acho que agora nós estamos caminhando para buscar equilíbrio. Eu acho que as lideranças de bem não podem se furtar aos interesses da população

Uma mensagem do senhor para Aparecida.
Gostaria de agradecer ao prefeito Maguito Vilela, aos colegas de trabalho, aos servidores em geral por termos estado juntos até hoje, o que nos proporcionou a oportunidade de colaborar com a gestão e de realizar um trabalho dedicado e que está dando os resultados positivos para o município. E agradeço também à população em geral que depositou confiança em nosso trabalho e nos permite colaborar com cidade.

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