“Precisamos trabalhar mais com planejamento para a gestão avançar”

0
1400
Deputado estadual Francisco Jr. (PSD)

Pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo PSD, o deputado estadual Francisco Vale Júnior diz que toda sua carreira política foi voltada para Goiânia, um dos motivos que fazem com que queira ser prefeito da cidade. Em entrevista excusiva à Tribuna do Planalto, ele fala que o seu partido formou forte chapa de candidatos a verador e que agora parte para elaborar plano de governo e, ao mesmo tempo, debater alianças político-partidárias. O pré-candidato fala ainda sobre questões como trânsito e transporte, dá nota baixa à atual gestão municipal e diz que o governador Marconi Perillo (PSDB) incentiva todas as pré-candidaturas ligadas à sua base política na capital.


 

Ronaldo Coelho, Manoel Messias e Marcione Barreira

O senhor é de um partido que pertence a base política do governador Marconi Perillo (PSDB). Essa base tem outros nomes que se colocam como pré-candidatos. O senhor é  um candidato da base, é um candidato independente? Como é que vai ser essa discussão?
Existem duas situações que eu preciso explanar. A primeira é que a nossa legislação ela não faz um alinhamento das esferas de governo. Não existe alinhamento partidário. Então, curiosamente, os partidos que compõem uma aliança para governar o município eles não precisam manter essa aliança na esfera estadual e nem na esfera federal. Em nível municipal existe outra realidade. Cada município gera uma composição. Eu acredito que no segundo turno a grande maioria estará junta. Outro aspecto, é importante, após as mudanças na legislação eleitoral, a campanha ficou muito curta. Então, ter um número grande de candidatos num município como Goiânia é interessante que você tenha  pulverização nas candidaturas, faça essa discussão para que o cidadão tenha chance de discutir.

O PSD vai se unir a quem, tem alguma outra sigla?
Não. Nós criamos um cronograma dentro do PSD respeitando o cronograma eleitoral. Até o dia três de abril nós focamos na chapa de vereadores. Então trabalhamos muito nisso e fizemos uma chapa forte. Em nível proporcional não vamos coligar com nenhum outro partido. Nós temos hoje mais de 60 nomes para concorrer à Câmara Municipal. Temos também dois vereadores que vieram para o PSD, que são Fábio Caixeta e Paulo Magalhães. Agora nós vamos para outra etapa que é elaborar um bom plano de governo a ser proposto no inicio da campanha e também uma discussão com os outros partidos para que nós possamos fazer uma chapa competitiva.
A questão da musculatura política é importante, principalmente numa campanha eleitoral em Goiânia, que é pesada. Não dá para falar em nome de vice porque está distante, mas os partidos políticos, é claro, já estão se articulando. Com está essa discussão?
Nesse momento todo mundo conversa com todo mundo. Tem aqueles que você tem uma conversa mais fácil porque você começa a desejar o mesmo formato de governo, já outros são mais distantes. Eu penso que três, quatro, cinco partidos já está de bom tamanho para termos uma boa proposta, uma boa campanha.

O deputado Virmondes Cruvinel, que foi para o PPS, saiu atritado com senhor do PSD?
Não. Tanto é que eu tive oportunidade de encontrá-lo e nos cumprimentamos bem e tudo. O que houve fui uma questão pessoal do lado dele. Porque foram estipulados os critérios, nós jogamos segundo as regras e como não entramos num acordo então fomos na disputa pelo voto na forma que o estatuto do partido prevê. Nessa eleição interna eu acabei ganhado por 8 a 1. Ele se absteve, ele teria direito a dois votos. Foi feito o que foi combinado. Então, página virada. O deputado Virmondes tinha todo o espaço para continuar no PSD, mas ele preferiu sair  e eu desejo a ele sorte.

Goiânia tem um candidato forte, que é Iris Rezende Machado, o candidato a ser batido hoje. Vocês trabalham com essa perspectiva?
Primeiro ele tem que se manifestar se vai ser candidato ou não. Pela história é claro que ele tem um recall. Quando eu nasci, em 1969, Iris era prefeito de Goiânia, então é claro que há uma lembrança do nome dele muito significativa. Ao mesmo tempo, apenas lembrar do nome não é garantia de nada. Vai ter que trazer as propostas, as ideias, vamos ter que debater. Então, Iris Rezende é, de fato, um candidato forte por toda a sua história, mas vai depender das propostas que ele trouxer. São as propostas que vamos discutir, não as pessoas.

No nosso País a gente discute constantemente o número excessivo de legenda. Surgem  diversas legendas,  como por exemplo, Partido da Mulher Brasileira, dentre outros também. O que o PSD, além do nome do senhor tem para que o eleitor se identifique com o partido. Tem uma bandeira que nós possamos falar ou é apenas mais um partido?
Nessa questão dessa multiplicidade de partidos realmente nós precisamos passar por uma reforma política eleitoral. Enquanto não fizer isso nós vamos ficar na beira do absurdo em muitas situações. Hoje não tem ideologia. É difícil você dizer quem é de centro de esquerda, de direita e o eleitor se perde no meio de tudo isso. Recentemente tivemos uma janela de partido onde as pessoas mudaram de legenda sem absolutamente nenhum critério. Então, nós queremos muito mais do que trazer a história do partido, nós teremos que trazer uma certeza muito grande do que nós estamos apresentando ao eleitor.

Pegando, por exemplo, o caso de Goiânia. Nós temos vários problemas crônicos aqui. Eu vou citar uma, que é o transporte coletivo, que o Iris prometeu resolver em seis meses, mas parece que esses seis meses foram indefinidamente sendo adiados. A gente sabe que é difícil, mas a gente não vê avanços significativos. Qual é o projeto que o senhor acredita que pode ser viável?
Primeiro, o diagnóstico. Existe uma grande acusação que as empresas abusam do povo. Se elas exploram e estão quebrando tem alguma coisa que não está dando certo nessa conta. Nós não podemos fazer muita discussão isolada. Para a gente interferir no transporte público para melhorar nós temos que entender primeiro que existem modalidades de transporte e essas modalidades tem que ser respeitadas e organizadas. Eu vou organizar essas modalidades. Tem quem anda a pé, que precisa ser respeitado. Tem quem anda motorizado. Vou fazer quatro grupos. Tem o transporte individual motorizado que aí em tenho o carro e a moto, a bicicleta e o ônibus. Não dá para pensar em transporte coletivo e tentar resolver apenas o problema do ônibus. Um dos grandes problemas é  trânsito. Feito isso, nós temos que fazer algumas coisas que já estão desenhadas para a cidade, mas não são implantadas que é, por exemplo, definir as vias que são para os ônibus e as que são para os carros e onde deve passar as bicicletas e onde deve ser o pedestre. Então, na organização das vias é a primeira coisa que deve acontecer. Depois disso nós precisamos fazer uma gestão do transporte.  O que é isso? A pessoa sai de casa de moto, de ônibus ou de carro para ir para algum lugar, então eu preciso, a partir de uma pesquisa de origem e destino, saber onde a pessoa está e para onde ela quer ir. Ela quer ir de que jeito? Como que eu faço para convencer essa pessoa a deixar a moto ou o carro em casa e ir de ônibus? É possível fazer isso? Então, tem que ser feito todo um esforço para que isso aconteça. E aí existem ações que não tem nada a ver com ônibus até agora. Esse planejamento tem que ser regional. Não dá para separar trânsito e transporte. Nós temos em Goiânia um órgão para tratar do trânsito e um órgão para tratar do transporte. Compreender e respeitar todas as modalidades e aí sim a gente começa a ter soluções práticas que algumas vão envolver investimento, outras não. Outras vão envolver apenas criatividade e gestão.

O senhor não acha que alguma coisa estrutural que precisa ser mudada?
Olha o modelo de Goiânia, por exemplo, já foi observado por Curitiba. Só que Curitiba continua avançando e Goiânia estacionou. Então, nós temos que modernizar, atualizar e gerenciar isso. Nós precisamos estimular a questão da bicicleta, por exemplo, será que a forma que nós estamos fazendo vai fazer com que a gente deixe o ônibus para usar a bicicleta?  Eu penso que não é por ai. No centro da cidade, essas faixas que estão fazendo, elas vão servir muito para o universitário e para oaro lazer no final de semana. Agora, existem situações, por exemplo, em Bogotá, onde eles usam a bicicleta para eliminar um trecho da periferia, então você elimina o ônibus, aquele ônibus que seria o ramal da periferia e vai até o terminal, onde você tem toda a estrutura preparada para guardar a bicicleta. Entã,o você elimina um trecho da viagem. É o que eu estou falando, você tem que ir interpretando a mobilidade a partir da necessidade do cliente.
Essa questão do trânsito é realmente polêmica porque atinge a classe trabalhadora que vive reclamando da qualidade do serviço prestado. O governo do Estado já tentou várias vezes interferir nessa questão e desde a década de 1980 fala-se num tal de metrô de superfície, depois virou VLT e isso não saiu do papel. Como prefeito, o senhor acha que isso é viável?
Olha, o VLT é viável, o BRT é viável. O VLT ele tem uma proposta não apenas de transporte, ele é uma proposta mais completa de urbanismo, ele não causa impacto ambiental, é mais agradável, dá mais conforte, tem várias qualidades. Então, se conseguirmos avançar no VLT, no Eixo Leste-Oeste, excelente. Mas quando nós pudermos avançar com o BRT, que numa proposta de transporte ele atende da mesma forma que o VLT e com muita qualidade com relação ao transporte comum, então nós temos que fazer isso. Nós precisamos ter essa definição dos eixos, expandir os eixos, avançar os eixos onde nós temos os eixos prioritários e exclusivos. A questão da exclusividade do ônibus em termos de conquistar os passageiros é a mais importante. É a solução que você dá a certeza do cidadão de que ele vai entrar no ônibus e ele vai fluir. Seja VLT, seja BRT. Do ponto de vista de qualidade urbana, ambiental o VLT oferece muito mais qualidade. Agora, o BRT já nos atende na questão do transporte, então vamos iniciar com o BRT aonde for possível e vamos avançar.

O BRT recebeu verbas federais depois daquelas graves manifestações em 2013. Tudo começou por causa de um aumento no transporte que desencadeou todo o protesto cujo o pano de fundo é a questão da mobilidade. O senhor acha que tem resolver essa questão sem investimento direto do governo federal?
Nada que é grave no Brasil tem solução se não houver investimento do governo federal. E aí a gente cita a segurança pública e vamos citar a saúde. O que acontece é que o modelo tributário que nós temos no Brasil hoje ele distância o dinheiro de onde ele foi arrecadado. Nós precisamos trabalhar mais com planejamento para a gestão avançar. Essas peças orçamentárias precisam deixar de ser uma obrigação legal e fazer com que os gestores entendam que ela é uma peça, não de enfeite ou apenas para cumprir a legislação, mas é através do planejamento orçamentário que nós vamos efetivamente fazer o Brasil avançar.

Que avaliação o senhor faz da gestão do atual prefeito Paulo Garcia (PT)?
Uma gestão muito desencontrada. Lamentavelmente uma gestão sem foco. Eu não consigo dizer qual foi a marca dessa gestão. Eu não consigo identificar.  Hoje nos falta política em todas as áreas. Gestão em todas as áreas.  Nos falta rumo, direção em todas as áreas. Nós não temos um calendário de obras para compreender os buracos que estão na cidade. Nós não temos um calendário ou uma política da coleta de resíduos, nem de coleta seletiva. Nós não temos uma política para tratar a questão do saneamento e da drenagem da cidade, nós não temos uma política clara para tratar a questão das epidemias. A cidade esta sendo tomada de doenças que estavam erradicadas.

O jornal Tribuna do Planalto publicou uma reportagem sobre a questão da iluminação. Em Goiânia são 18 mil pontos sem iluminação e isso causa problemas. São vidas que são pedidas…
Curiosamente Goiânia passou por dois projetos Reluz. Teve todas as lâmpadas trocadas. Essa lâmpadas elas tem a garantia, se não me engano, de 10 mil horas. Então, tudo é de surpreender. Toda vez que a gente paga a taxa de luz é recolhida uma taxa de iluminação publica. Então, recurso para isso existe.

De 0 a 10, qual nota o senhor dá para a atual gestão?
Eu acho que zero ninguém merece né, todo mundo tem o mínimo de esforço.  Alguma coisa acontece. Então 2,5, 3.0 está bom.

Para concluir, o PSD já tem o que mostrar para a sociedade?
Nós vamos demonstrar uma profunda afinidade com a cidade. O que o PSD quer apresentar como diferencial é um candidato e uma estrutura a se oferecer para a cidade de Goiânia que conhece dos problemas e das soluções. Nós vamos demonstrar isso em todos os diálogos que nós tivermos com a sociedade no momento oportuno da campanha, nos debates.

Essa crise nacional que nós estamos vivendo e essa insegurança política e até mesmo jurídica tem atrapalhado os pré-candidatos a prefeito? Alguma coisa travou um pouco e tirou o foco dessa pré-campanha?
Essa desilusão com o ser político causa na população algo muito ruim que dá efeito contrário. Porque a tendência do eleitor é jogar todo mundo do mesmo balaio, fazendo entender que todo mundo é farinha do mesmo saco. E não é assim. Neste momento nós temos que entender que a população precisa se aproximar da política. A política em si algo muito importante, algo muito refinado. Os políticos são aqueles que têm como vocação dedicar a vida ao bem comum e isso está sendo perdido. Hoje se entende políticos como aquelas pessoas que tiveram um espaço para se autobeneficiar. Isso precisa ser trabalhado e a classe política precisa resgatar essa credibilidade.

O governador Marconi Perillo vai ser fundamental para a eleição de um desses nomes dele? Em Goiânia o governo tem muita coisa para mostrar.
Sem dúvida nenhuma o governador em algum momento ele pode até participar mais. Até então eu tenho visto ele distante. Como são vários candidatos da base eu tenho visto ele muito cuidadoso, respeitando a todos, estimulando a todos. Pode ser que em algum momento ele participe, mas eu, particularmente, não acredito. Eu entendo que ele está bem focado hoje no trabalho do Estado. Ele entende como natural essas candidaturas aqui em Goiânia.

Nem no partido dele?
No partido dele é natural né. Ele participa como filiado. Mas ele não vai atuar como governador para viabilizar ou inviabilizar outras candidaturas.

Ficou algo que o senhor gostaria de colocar?
Bem, a única coisa que eu insisto em dizer é que tempo de crise é tempo de oportunidade. Que nós nos envolvemos. Não deixe os outros decidirem por você. Participe, questione, descubra a história de cada candidato. Nós precisamos fazer da política algo positivo. Nós precisamos virar essa página.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here