As causas da alta evasão escolar

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O Ministério da Educação (MEC) aponta que 42% dos alunos brasileiros deixam a escola em algum período do ensino médio, principalmente por falta de motivação

Excesso de matérias obrigatórias é uma das maiores causas da evasão de alunos durante os três anos do ensino médio

Fabiola Rodrigues
O ensino médio é uma etapa decisiva na vida escolar porque sem ela não se pode continuar os estudos numa instituição de ensino superior. Mas os três últimos anos da educação básica precisam passar por mudanças. O Ministério da Educação (MEC) aponta que 42% dos alunos brasileiros deixam a escola em algum período do ensino médio, principalmente por falta de motivação para estudar.
O superintendente de Ensino Médio da Secretaria Estatual de Educação, Cultura e Esporte, Wisley Pereira, afirma que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) está em crise faz tempo. Os números de evasão nas escolas no ensino médio são uma triste realidade também em Goiás. Sem motivação, muitos estudantes simplesmente param de ir à escola.
“Um dos maiores problemas de evasão dos alunos no ensino médio hoje é a insatisfação dos estudantes com o método de ensino. O que está posto é do século XVIII. Precisamos construir métodos de aprendizado para os alunos do século XXI”, diz o superintendente.
Os educadores do Brasil estão em um momento de discussão para reformular a BNCC. Os debates são realizados pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), na cidade de São Paulo. Wisley Pereira é um dos representantes do ensino médio do estado e de Goiás, juntamente com a secretária da Educação, Cultura e Esporte, Raquel Teixeira. O superintendente diz que os debates para decidir os novos rumos do ensino médio precisam surtir efeitos com urgência.
“Hoje temos muitos jovens que vão para o ensino médio e não vêem significado para as didáticas no aprendizado. Os métodos estão fragmentados, ensinando tudo e nada ao mesmo tempo”, diz o superintendente.
Além das 13 disciplinas obrigatórias da base comum curricular que são oferecidas nas escolas, em Goiás tem mais uma disciplina, ensino religioso, totalizando 14 matérias. Dessa forma acaba se oferecendo um ensino muito superficial, já que não se consegue avançar em tantos campos do conhecimento. Isso dificulta o aprendizado e o resultado é que o aluno não consegue obter boas notas.
O superintendente diz que o conteúdo das matérias apresentadas no ensino médio é muito vasto. Elas vêm com formatos de método de ensino formado há décadas, contrastando com o perfil do estudante, que é muito mais crítico e não aceita um processo de ensino engessado.

Menos aula
Para enfrentar a evasão, os alunos que estudam no ensino médio do período noturno na rede estadual de educação vão receber algumas mudanças nos métodos de ensino. A quantidade de aulas por dia serão reduzidas, porém cada professor vai receber um acréscimo pequeno no tempo de dar suas aulas, mas as escolas vão liberar os alunos mais cedo.
“Além de superintendente do ensino médio, sou professor há 13 anos e observo que quando um aluno vai estudar à noite ele já está cansado da rotina puxada do dia a dia. Estamos modificando nosso modelo de dar aula para que o estudante permaneça em sala se aula”, diz Wisley Pereira.


 

Alunos querem optar por matérias

O estudante Kalebe Kaik acredita que se tivesse como escolher outras matérias para assistir as aulas, não tiraria algumas notas baixas
O estudante Kalebe Kaik acredita que se tivesse como escolher outras matérias para assistir as aulas, não tiraria algumas notas baixas

As mudanças na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio estão acontecendo para que os alunos tenham mais vontade em aprender. Esta fase da vida estudantil do aluno leva ele a refletir qual carreira pretende atuar ou profissão que deseja seguir. Existem estudantes que se sentem pressionados por ter que assistir a certas aulas que não vão os beneficiar.
O aluno Calebe Kaik, está fazendo o segundo ano do ensino médio em uma escola estadual da região metropolitana de Goiânia, ele diz ter matérias que juga ser dispensáveis para o curso que pretende fazer na faculdade.
“Eu tenho que assistir a certas aulas que acabam me sobrecarregando. Acho isso desnecessário ainda mais que não vai acrescentar para minha formação futura. Infelizmente acho uma perca de tempo”, comenta o estudante.
Ele acredita que se tivesse como escolher outras matérias para assistir as aulas, não ficaria entediado e nem iria tirar notas baixas sempre na matéria que não tem vontade de aprender. Para Calebe Kaik, a melhor forma dele adquirir conhecimento é quando tem interesse, se ele sentir obrigado não consegue concentrar em nada.
O superintendente do ensino médio, Wisley Pereira, diz que cada matéria na didática de ensino de hoje faz com que o aluno seja mini graduado nela. E para ele isso não é necessário. Porque assim todos os alunos estão fadados a ter a mesma trajetória de aprendizado mesmo que alguma matéria não seja tão importante para o estudante.


 

Goiás é vanguarda na discussão de propostas

Wisley Pereira: “Estamos vivendo um momento de mudanças e discussões. Defendemos uma base curricular para o ensino médio que não seja anual”
Wisley Pereira: “Estamos vivendo um momento de mudanças e discussões. Defendemos uma base curricular para o ensino médio que não seja anual”

Os educadores de todo Brasil estão se reunindo para discutir novas formas de aprendizagem para o ensino médio. Professores e todos os trabalhadores da educação de modo geral do estado de Goiás estão servindo de exemplo para motivar outros estados a reivindicar por métodos de ensino mais flexíveis e diminuição da quantidade de disciplinas.
Os novos rumos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio foram discutidos em outras épocas e não aconteceu nenhuma mudança, mas, com a persistência dos secretários de educação, o MEC está conduzindo os debates novamente. Os educadores, após chegar a um consenso, terão que apresentar as propostas de mudanças nos métodos de aprendizagem do ensino médio para o Plano Nacional de Educação (PNE) até o dia 16 de junho deste ano.
“Estamos vivendo um momento de mudanças e discussões. Defendemos uma base curricular para o estudante do ensino médio que não seja anual, mas sim por trajetórias formativas durante os três anos de estudo”, diz o superintendente Wisley Pereira.
“Os educadores do estado de Goiás estão tendo destaque significativo para que essas mudanças aconteçam na reformulação da base curricular do ensino médio. Para o processo ser desenvolvido, precisa de críticas construtivas do professores e isso está acontecendo”, diz.
“O professor vai precisar mudar a forma de ensinar. É preciso querer as mudanças. Os educadores vão sair da zona de conforto, pois estamos decididos a fazer uma revolução no ensino médio”, observa o superintendente.
Nos próximos dias as discussões realizadas pelo Consed serão sobre a quantidade de matérias obrigatórias na BNCC. As fundamentais são as de linguagem, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e tecnologia. A ideia é que cinco ou seis matérias sejam obrigatórias e as demais, opcionais. Esse pode ser um dos projetos da nova base curricular do ensino médio.

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