De volta à escola onde estudou para dar aulas

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Professor Adílio: todo dia ele sai de casa para fazer a diferença na vida de cada um dos mais de 600 alunos que encontra durante a semana

Dez anos depois de concluir o Ensino Médio no Colégio Estadual Benedito Lucimar Hesketh, Adílio Silva Santos retorna à escola para lecionar Química

Maria José Rodrigues
Especial para Escola

Na casa do professor Adílio Silva Santos, 32 anos, apenas ele tem diploma de curso superior. Filho de jardineiro e de uma doméstica, ele cursou toda a educação básica em escolas da rede pública. Em 2005, pela primeira vez teve a chance de estudar numa instituição de ensino particular. Entrou para a Faculdade de Química na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC/GO), por meio do Programa Universidade Para Todos (ProUni).
Dez anos depois de concluir o Ensino Médio no Colégio Estadual Benedito Lucimar Hesketh da Silva, no Condomínio Marques de Abreu, na região Noroeste de Goiânia, Adílio estava de volta à mesma escola com a nobre missão de lecionar Química para os estudantes do Ensino Médio.
A história de Adílio não é nova nem única. Muitos alunos da rede pública já percorreram caminhos bem semelhantes. Terminam o ensino superior e decidem retornar às salas de aula de seus bairros e comunidades, embalados pelo sonho de poder transformar a vida das crianças e jovens por meio do acesso à educação.
O que chama a atenção na história de vida desse professor é o fato dele ter tido a chance de conhecer dois grandes educadores, que lhe serviram não só de inspiração, mas o fizeram mudar radicalmente sua trajetória profissional.
“Antes de me decidir pela carreira docente, eu passei por três indústrias químicas em apenas um ano. Não gostei da primeira e fui para a segunda; na terceira, fui apenas por desencargo de consciência mesmo, pois já tinha certeza do que realmente queria, que era a sala de aula”, explica.
Adílio conta que conheceu o primeiro educador justamente no colégio onde leciona hoje para 16 turmas do Ensino Médio. Segundo ele, o professor se chama Anderson Ferraz e atualmente trabalha na Petrobras.
“Foi com ele que aprendi a gostar de Química e percebi a importância de se fazer aquilo que se gosta”, relembra.
O segundo professor apareceu durante a faculdade de Química. Seu nome é Celso Belisário.
“Foi meu orientador de estágio e o maior exemplo que tive de dedicação aos alunos”, explica Adílio, que ganhará, em breve, uma nova aliada na causa educacional dentro de casa: sua irmã está cursando Pedagogia.
Professor efetivo da rede pública estadual desde 2010, Adílio demonstra um grande amor pela profissão. Todos os dias, quando sai de casa para ir à escola dar aulas, o professor diz que sai imbuído do mesmo ideal que aprendeu a reconhecer em Anderson e Celso: fazer a diferença na vida de cada um dos mais de 600 alunos que ele encontra durante a semana.
“Eu nasci e cresci nessa região e sei que aqui as perspectivas são poucas. E da mesma forma que eu encontrei na educação um bom caminho, eu quero mostrar isso a essas crianças e jovens que convivem comigo”, destaca.

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