Economia estagnada

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Saímos de um mundo cor de rosa durante a campanha presidencial de 2014, criativamente desenhado pela equipe de marketing da presidente Dilma Rousseff, e caímos no inferno das contas a pagar, impostos elevados, desemprego, juros ainda mais alto… Esse é talvez o ponto de inflexão que impede a permanência da presidente Dilma no cargo máximo da República. É inegável a incompetência administrativa da presidente em matéria de política econômica e fiscal. Os números da economia são estarrecedores.
Falando à BBC Brasil, as três maiores agências de risco do mundo, Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s, indicaram que as profundas dificuldades amargadas pela economia brasileira não devem sofrer grande melhora tanto se o poder ficar com Dilma Rousseff como se for repassado ao vice, Michel Temer. As três agências acreditam que as perspectivas serão negativas no mínimo até 2018.
Mais do que um governo Dilma ou Temer, na visão dos analistas, é necessário que o país empreenda reformas, sobretudo fiscais, para sanar o déficit e retomar qualquer chance de crescimento, do consumo, e do retorno dos investidores estrangeiros. Diante das dificuldades de empreender tais mudanças num cenário complexo, a previsão das três maiores agências de risco é de manutenção da crise econômica no mínimo pelos próximos dois anos.
O cenário é desolador para onde quer que se olhe. O desemprego ficou em 10,2% no trimestre encerrado em fevereiro, segundo dados divulgados na quarta-feira da semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse é o maior índice da série, iniciada em 2012. Pela primeira vez, a taxa da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (Pnad Contínua) atinge dois dígitos.
O índice ficou bem acima do registrado no mesmo período de 2015, quando chegou a 7,4%. A população desocupada somou 10,4 milhões de pessoas e também atingiu o maior patamar desde o início da Pnad. Esse indicador mostrou forte alta, principalmente na comparação com o mesmo período de 2015, quando o contingente subiu 40%. Diante do trimestre de setembro a novembro, o avanço foi menor, de 13,8%.
No mesmo viés, a arrecadação de impostos e contribuições federais pelo governo registrou em março uma queda real de 6,96% (somou R$ 95,77 bilhões) frente ao mesmo mês de 2015. Foi o pior março desde 2010. No acumulado do primeiro trimestre, a queda na arrecadação atingiu 8,19%, frente ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 313 bilhões. O resultado do primeiro trimestre também é o pior para o período desde 2010.
Os números divulgados na terça-feira passada pela Receita Federal mostram que a forte queda da arrecadação acontece em um momento de fraco nível de atividade econômica, com o país em meio à maior recessão de sua história. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 3,8% e a previsão de analistas é de uma retração semelhante neste ano. Com a economia fraca, cresce o desemprego e a inadimplência e recuam as vendas de produtos e serviços, o que leva à redução no pagamento de impostos.
Em outras palavras, os principais setores responsáveis pela geração de emprego e renda estão sofrendo com o cenário econômico. Com menos renda disponível na economia, há uma redução da demanda agregada e isso vai diminuir a arrecadação dos impostos que incidem sobre o consumo e, em um segundo momento, sobre a produção também. A queda dos postos de trabalho traz também uma forte redução na arrecadação previdenciária. Ou seja, a estagnação econômica contamina a todos. Portanto, é fundamental resolver logo o impasse político por que passa a nação, sob pena de entrarmos em um buraco ainda mais fundo, o que levaria à deterioração de todo o tecido social.

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