“Goiânia não tem nenhum planejamento”

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Foto: Paulo José

Pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo PSB, Vanderlan Cardoso diz, em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, que está pensando Goiânia 24 horas por dia. Fala de projetos para o transporte coletivo e a mobilidade urbana, critica a falta de planejamento da atual gestão e diz que o eleitor quer um gestor que saiba o que está falando para que ele sinta firmeza na hora de decidir sobre quem deve ser o seu prefeito. Sobre adversários, Vanderlan afirma que não faz escolha, que respeita a todos. Declara ainda que pretende entrar para a história de Goiânia, assim entrou na história de Senador Canedo.

Manoel Messias e
Marcione Barreira

Como está esse momento de pré-campanha já que as atenções estão voltadas para o cenário nacional?
Nosso nome foi o primeiro a ser colocado e desde que fomos colocados nós nunca deixamos de estar pensando Goiânia 24 horas. No momento atual as atenções realmente estão voltadas para Brasília na questão do impeachment. Mesmo tendo esse momento aí, nós continuamos tendo nossas reuniões, visitas aos bairros, principalmente nas regiões mais distantes de Goiânia já ouvindo a população para estarmos apresentado um plano de governo bem consistente.

O senhor tem feito o uso das redes sociais?
Nós temos usado As redes sociais e todas as ferramentas que estão ao nosso alcance. Redes sociais, entrevistas, tanto de rádio quanto de jornais, como essa agora, as reuniões nas regiões, ou seja, conversando com os partidos. Nós estamos trabalhando em várias frentes.

Como tem sido a receptividade nas regiões, apesar do desgaste que vem tendo a classe política?
Todos os lugares que nós vamos aqui em Goiânia, independentemente da região, nós somos todos bem recebidos. A visão que o leitor tem de nós, não é de um político de carteirinha, um político tradicional que vive simplesmente da política. Vivemos como um político independente que tem a vida resolvida. Isso tem facilitado num momento em que os políticos estão desacreditados.

O que o senhor oferece para o eleitorado, além de ser um empresário e já ter administrado Senador Canedo? Tem alguma característica especifica que o candidato oferece para cativar o eleitor?
Falar com propriedade, com experiência que nós já tivemos, saber trabalhar com planejamento, trabalhar em todas as áreas. Eu sou daquele que quando tive oportunidade de dirigir a cidade não trabalhei dando prioridade para uma ou para outra área. Nós trabalhamos em todas as frentes. Então, nós falamos com propriedade e o eleitor hoje está sabendo diferenciar isso. Quando a gente vai para as reuniões para falar com a comunidade é falar com propriedade. O eleitor quer isso, quer um gestor que saiba o que ele está falando para que ele sinta firmeza até mesmo para que possa tomar a sua decisão.

Recentemente o senhor declarou que o transporte coletivo de Goiânia está um caos. Já tivemos prefeito que prometeu resolver em seis meses, mas que na verdade foi só uma estratégia para, de alguma forma, justificar alguma coisa ou ganhar voto. O senhor tem projeto para resolver a questão do transporte de uma vez por todas?
Eu não prometo que vou resolver o problema em seis meses, mas eu digo que vamos resolver o problema. Enquanto o prefeito de Goiânia não assumir que a responsabilidade é dele, se você for observar aí, quem indica o presidente da CMTC é o prefeito, o presidente da Câmara Deliberativa é o próprio prefeito, então ele tem que assumir a responsabilidade e buscar a solução para o transporte coletivo e não ficar nesse jogo de empurra e ficar fazendo de conta que o problema não é com ele. A autoridade maior no município é o prefeito, então se as empresas não estão resolvendo, se estão tendo problemas no transporte coletivo, então ele tem que ir lá, encabeçar e resolver o problema. Eu procurei resolver o problema em Senador Canedo e resolvi, eu não aceitei que as empresas viessem a fazer um investimento nem em terminal de passageiros e nem em ponto de ônibus. Nós fizemos isso por conta do próprio município. Só que nós, quando terminamos, nós exigimos as linhas que a população precisava e não de acordo com que as companhias queriam fazer. Nós vamos fazer da mesma maneira aqui, vamos assumir como um problema que o prefeito tem que resolver e buscar as parcerias, aí que entra as empresas, o Estado, recursos do governo federal como está sendo feito agora com a construção do BRT.

O senhor acha que é possível equacionar esse modelo de transporte de Goiânia, que envolve também outras prefeituras? É possível? Falta vontade política?
Falta vontade política de resolver o problema. O modelo não é ruim. Por isso, foi criado a Câmara Deliberativa, tem a CMTC. Só que esses órgãos estão se reunindo muito para discutir tarifas, aí não adianta. Tem que ser reuniões exaustivas até para que se resolva o problema. Mas são uma série de medidas que têm que ser tomadas. Nós temos que manter as faixas exclusivas, fazer mais viadutos, trincheiras, nós temos que dar trafegabilidade para esses veículos porque não adianta você falar que vai resolver o problema do transporte coletivo colocando mais mil ônibus. Os ônibus já estão rodando a uma velocidade de 10, 12, 15 km por hora, nós temos que fazer com que eles andem numa velocidade maior e com isso vai passar até a sobrar ônibus.

A situação financeira não é fácil, o candidato acha que a máquina pública municipal tem alguma condição de investir em grandes obras assim?
Quando eu falo em buscar parcerias nós temos aí, através da iniciativa privada, várias compensações que podem ser feitas. Por exemplo, tem um determinado empreendimento que pode trazer lucros para os empresários, eles podem trazer uma compensação construindo trincheiras, construindo viadutos, abrindo avenidas. Tudo isso é possível. Agora, depende de uma boa vontade e de uma boa negociação.

Nós olhamos para a cidade de Aparecida e a gente vê o prefeito lá com uma política de atração de empresas e geração de empregos. Em Goiânia você não vê movimentação do prefeito no sentido. O senhor considera que isso é possível fazer ou é aquela história que Goiânia só tem vocação para prestação de serviço e que vai continuar desse jeito?
Vamos voltar 20, 25 anos atrás. De cada R$ 100 que era arrecadado do ICMS do Estado de Goiás, na faixa de R$ 32 eram de Goiânia. Naquela é poça, estabeleceu-se uma política de que Goiânia não poderia ter pólos de desenvolvimento e nem indústrias, era simplesmente serviço, conforme você falou. Hoje, de cada R$ 100 somente R$ 17 ficam para Goiânia. Nosso projeto que está sendo apresentado é de Goiânia ter seus distritos industriais, seus pólos de desenvolvimento, atrair esses investimentos para as regiões, principalmente as mais distantes, com isso, vamos ajudar a resolver o problema do transporte coletivo porque a partir do momento que a pessoa está trabalhando próximo da sua casa não precisa pegar ônibus. Então, são medidas simples, não são medidas complicadas. Como é que nós vamos fazer esses pólos? Serão parcerias feitas com as empresas, essas que querem fazer esses investimentos. Elas terão que fazer a sua doação, a sua contrapartida em áreas para desenvolver Goiânia. Da mesma forma nós estamos trabalhando para colocar quarto regionais. Quatro pólos administrativos em Goiânia para resolver o problema da região. Facilitar a manutenção das escolas, da saúde, equipe que vai trabalhar na iluminação pública, capina, poda de arvores, pintura de meio fio. Isso tudo vai ser ali daquela região e também para aquelas pessoas não terem que ficar pegando ônibus ou se deslocando a longa distância para poder trabalhar.

Estive pesquisando as idéias sobre o plano de governo que o senhor está pensando em elaborar e vi áreas com segurança pública, transporte coletivo, educação, saúde e geração de emprego. A mobilidade urbana também deve entrar?
Inclusive já até citamos né. Sobre transporte coletivo, faixas exclusivas para ônibus que hoje já começou. Se você perguntar pra mim o que o prefeito atual está fazendo que tenha contribuído com a cidade e, principalmente com o transporte coletivo e a trafegabilidade, são as faixas exclusivas. Isso é um ponto positivo. Então, quando eu digo que nós vamos construir, vamos dar ênfase na construção de viadutos que serão feitos de uma maneira bem planejada e hoje se constrói fácil. Constrói fora e monta no local né, as trincheiras também, então tudo isso você vai melhorando a condição nossa de ir e vir.

Hoje o senhor tem conhecimento da real situação da prefeitura, por exemplo, quantidade de pessoal, valor gasto com servidores?
Nós temos sim, algumas informações, mas o que eu posso garantir para você é que está se gastando dinheiro sem qualidade. Você gastar o dinheiro sem qualidade o dinheiro não vai render. Nós temos condições de gastar bem menos com a qualidade bem maior desses serviços que são executados hoje. Troca de lâmpadas, por exemplo, é o básico do básico. Nós chagamos aí ao absurdo de o Ministério Público ter que entrar na Justiça até com um pedido de improbidade administrativa por um pacto não cumprido pelo prefeito que o obrigava a trocar lâmpada ,que é o básico do básico ter uma cidade clara que, inclusive, pode melhorar na questão da segurança pública.

O que o senhor tem em mente que poderia ser feito para melhorar a segurança pública?
Da mesma forma do transporte coletivo, o problema está no município e tem que ser resolvido e a autoridade máxima é o prefeito, a questão da segurança é a mesma coisa. Nós temos que parar com esse discurso de dizer que a segurança é problema do Estado. É obrigação do estado sim, mas o problema está no município e autoridade máxima do município, sendo o prefeito, ele tem que encabeçar e liderar o movimento para que possa resolver essa questão e buscar parcerias. A parceria é com a Polícia Militar, com a Polícia Civil, com a prefeitura entrando com a Guarda Municipal, chamando o Judiciário para fazer parte, chamando os conselhos de segurança, que é onde entra a população. Se o prefeito encabeçar isso, você pode ter certeza, essas forças unidas nós vamos ter o objetivo sendo alcançado, que é diminuir e muito a criminalidade.

As finanças de Senador Canedo, comparando com as de Goiânia, são muito menores?
Não são. Se você pegar o orçamento proporcional de Senador Canedo ao de Goiânia, Goiânia é maior proporcionalmente. Se você pegar a renda per capita de Goiânia em relação a Senador Canedo, Goiânia tem 30% a mais. Então o que falta? Aconteceu lá porque as prioridades eram outras. Nós planejamos uma cidade 30 anos para frente. Goiânia não tem planejamento algum. Tanto é que a cidade até pouco tempo atrás só trabalhava até meio dia. A capital do nosso estado trabalha apenas meio período. E os serviços? O balanço que foi dado aí é que não chegou a R$ 6milhõess durante os meses. E quanto se gastou para pagamento de pessoas para economizar R$ 6 milhões? Então, as prioridades estão sendo diferentes em relação a Senador Canedo. O dinheiro não está sendo aplicado como deveria ser pra trazer os benefícios que a população tanto espera.

Que nota o senhor daria para o prefeito Paulo Garcia?
Eu não gosto de dar nota para ninguém. O que eu posso dizer para você é que hoje a cidade está suja para todos os lados, praças abandonadas, uma cidade escura, esburacada e a população está de cabeça baixa, desanimada com a nossa capital. Então, você pode ter certeza que as pesquisas que a gente está vendo mostram a realidade do prefeito, que numa escala de zero a 10 está na faixa de um. Então, eu não gosto de dar nota porque parece que eu estou, como pré-candidato, querendo colocar mais abaixo do que já está.

Qual é o raio de aliança que o senhor pretende fazer com outras legendas, outros grupos políticos, mesmo pessoas nesse período de primeiro de turno?
Eu trabalho com uma aliança que nos dê tranqüilidade na eleição. Não trabalho para ter uma aliança muito grande, muito ampla porque Goiânia precisa mudanças profundas. Essas alianças muito grandes é que e levaram o Brasil a esse buraco que está. Se nós pegarmos em nível nacional a aliança PT/PMDB fez chegar a esse caos que está o País. Trazendo para Goiânia, o caos que está em Goiânia foi devido a aliança que foi feita, uma aliança ampla, inclusive, a mesma aliança. A aliança nacional se repetindo em Goiânia e está esse caos que está aí hoje.

Já tem conversado já com alguns partidos?  
Posso dizer a você que já está adiantado com alguns partidos já.

Quem é o adversário que de alguma forma é o adversário a ser enfrentado, na sua opinião?
Eu não menosprezo nenhuma candidatura. Eu não escolho adversário. Eu disputei a eleição para governador com os dois maiores nomes da política do Estado, que são Iris e Marconi. Então, eu não escolho. Eu tenho respeito por todos.

O senhor acha que essa campanha vai ter um fator preponderante?
Essas eleições vão ser muito diferentes das outras. Por tudo isso que tem acontecendo, as pessoas estão de olho nas campanhas volumosas. Vai ser uma campanha mais de proposta. O eleitor está muito atento a isso. Ele não vai mais ficar tão desatendo como houve em outras ligações. Ele está prestando muita atenção e eu tenho visto isso nas andanças por Goiânia.

Em relação a eleição municipal, já tem uma chapa de vereadores em andamento?
O PSB está com uma chapa muito boa. Os partidos que já manifestaram apoio ao PSB também têm suas chapaa e eu creio que nós vamos ter uma chapa com bons candidatos a vereador.

Alguma questão que o senhor queira colocar?
Só dizer que nós estamos preparados para esse desafio que é Goiânia. Goiânia passa por muita dificuldade, é um desafio para ficar na história e eu pretendo ficar para a história de Goiânia como nós ficamos na história de Senador Canedo. Goiânia que hoje está passando por várias dificuldades, mas que nós estamos preparados para resgatar a cidade e fazê-la voltar a sorrir em pouco tempo.

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