Povo brasileiro saberá impedir retrocesso, diz Dilma

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Presidente Dilma Rousseff discursa a líderes mundiais na ONU

Presidente recua e não se diz vítima de um “golpe parlamentar” no Brasil ao discursar perante chefes de Estado

A presidenta Dilma Rousseff discursou na manhã de sexta-feira, dia 22, na sessão de abertura da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Em seu discurso para a comunidade internacional, que durou cerca de nove minutos, Dilma Rousseff afirmou que as metas do Brasil até 2030 são: reduzir em 43% a emissão de gases do efeito estufa; zerar o desmatamento na Amazônia; reflorestar 12 milhões de hectares de florestas e 15 milhões de hectares de pastagens degradadas; integrar 5 milhões de hectares na relação lavoura-pecuária-florestas; e adotar 45% de energias renováveis na matriz energética.
“Países em desenvolvimento, como o Brasil, têm apresentado resultados expressivos na redução das emissões [de gases] e se comprometido com metas ambiciosas. O desafio é enfrentar as mudanças climáticas. […] E isso exige, de forma continuada, a mobilização e a implementação dos meios adequados para que os países em desenvolvimento tenham o suporte necessário e contribuam para os esforços globais”, declarou a presidente na solenidade da ONU.

Impeachment
Alvo de um processo de impechment no Congresso Nacional, a presidente chegou a cogitar nos últimos dias, segundo assessores do Palácio do Planalto, denunciar durante seu discurso na ONU que é vítima de um “golpe parlamentar” no Brasil.
Mas a presidente Dilma Rousseff recuou e não se disse vítima de um “golpe parlamentar” no Brasil ao discursar perante chefes de Estado. Praticamente todo o seu discurso foi sobre clima. Apenas nas cinco frases finais, Dilma disse que o Brasil vive atualmente um “grave momento”, com uma sociedade que construiu uma “pujante democracia” e que o povo saberá “impedir quaisquer retrocessos”.
A presidente, no entanto, mencionou a crise política que vive o Brasil no final do seu discurso. Ela disse que a sociedade brasileira soube vencer o autoritarismo, construir a democracia e saberá impedir retrocessos.
“Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande país com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso. Sou grata a todos os líderes que expressaram a mim sua solidariedade”, disse no encerramento do discurso.

Acordo de Paris
O presidente da França, François Hollande, foi o primeiro chefe de Estado a discursar na sessão.
Representantes de cerca de 160 países assinam o acordo de Paris, que visa a combater os efeitos das mudanças climáticas e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A cerimônia de assinatura do documento, fechado em dezembro de 2015, depois de difíceis negociações entre 195 países e a União Europeia, ocorre na sede da ONU, no Dia Mundial da Terra.
Para entrar em vigor em 2020, o acordo, no entanto, só se concretizará quando for ratificado por 55 nações responsáveis por, pelo menos, 55% das emissões de gases de efeito de estufa.
Depois da adoção do texto em Paris, ainda é necessária a assinatura do acordo, até fim de abril de 2017, seguida da ratificação nacional, conforme as regras de cada país, podendo ser por meio de votação no parlamento ou de decreto-lei, por exemplo.

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