“Ao anteciparmos à crise nacional, criamos estrutura para a manutenção do Estado”

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Governador Marconi Perillo (PSDB). Foto: Paulo José/Tribuna

Em meio à crise nacional, Goiás vive uma situação econômica mais equilibrada que a de estados como Rio de Janeiro – com a saúde em caos e servidores e aposentados sem receber – e Rio Grande do Sul, com atrasos do funcionalismo. Não por sorte, mas por visão administrativa somada a ações duras, mas necessárias. Em resumo, foi o que afirmou o governador Marconi Perillo, em entrevista ao vivo a nove rádios de municípios da Região Norte de Goiás concedida na quinta-feira, dia 28, no Palácio das Esmeraldas. “Minha experiência me levou a enxergar em 2014 que teríamos uma crise sem precedentes na história do Brasil em 2015 e 2016”, disse Marconi, ao lembrar que, ainda em 2014, fez a maior reforma administrativa da história do Estado. “Eliminei cerca de 10 mil cargos comissionados e temporários, diminuí despesas e reduzi o número de secretarias para dez”, recordou. “Todas essas economias me fizeram conseguir atravessar 2015, apesar da maior crise econômica da história do Brasil”. O governador falou também sobre temas políticos, como eleições, impeachment da presidente Dilma Rousseff. Veja abaixo trechos da entrevista.


Da Redação

A Região Norte
Tenho todo o interesse em continuar ajudando a Região Norte. Vocês sabem que nos últimos quatro anos eu dei muito foco à reconstrução de rodovias, como foi o caso de Porangatu-Novo Planalto-São Miguel do Araguaia, além da manutenção dos programas sociais, dos programas econômicos. Neste momento agora, nós estamos aguardando apenas o desfecho da crise política em Brasília, que deverá ocorrer agora no começo de maio, para que possamos voltar às tratativas com o governo federal e viabilizar recursos de operação de crédito, ou de privatização, para começarmos as obras. No momento de crise tão grande como essa, crise econômica, crise política, não dá pra gente pensar em investimentos. Foi o que eu fiz. Eu parei os investimentos pra pagar folha dos servidores públicos em dia, pra pagar a manutenção do Estado, dívidas externas, e agora nós estamos fazendo um trabalho de manutenção das rodovias. E tão logo tenhamos recursos, nós vamos começar um trabalho de reconstrução e de conclusão de rodovias. Recursos que deverão começar a chegar este ano, nós vamos concluir a rodovia de Porangatu a Montividiu do Norte, e também o trecho iniciado em Bonópolis e Cruzeiro.

Antecipação da crise
Minha experiência me levou a enxergar em 2014 que teríamos uma crise sem precedentes na história do Brasil em 2015 e 2016. Ainda em 2014, fiz a maior reforma administrativa da história do Estado. Eliminei cerca de 10 mil cargos comissionados e temporários, diminuí despesas e reduzi o número de secretarias para dez. Todas essas economias me fizeram conseguir atravessar 2015, apesar da maior crise econômica da história do Brasil. Tivemos no Brasil uma retração do PIB de 3,8%. Esse ano não vai ser diferente, talvez melhore um pouco se houver a mudança de governo. Mas nós fizemos o dever de casa, fizemos muita economia. É claro que tivemos de sacrificar investimentos, mas conseguimos manter a folha e as principais obrigações do Estado em dia. Com muito sacrifício. Hoje, passados esses meses todos, a gente vê vários Estados que já estão há dois meses sem pagar funcionário publico. Nós também temos dificuldades, mas estamos conseguindo manter recursos para pagar folha, dívida externa, obrigações de segurança, educação, saúde. Consegui disponibilizar este ano R$ 260 milhões para a manutenção e recuperação de estrada. Com muito sacrifício. O fato é que quando a economia anda pra trás, a primeira coisa que acontece é o povo não consumir, parar de comprar. Faltou dinheiro no bolso e crédito não tem como comprar. Isso diminui a arrecadação de ICMS, que é a maior fonte de receita do Estado. À medida que para o consumo, para a receita. A gente tem de rever todo o planejamento do Estado. Foi o que fiz. Estou fazendo isso com uma equipe econômica muito boa, muito afinada comigo e graças a isso estamos conseguindo atravessar esse deserto de falta de dinheiro.

Impeachment
Ainda acho que não há como parar o processo de impeachment. Pelo que temos de informações, ele será admitido no Senado e teremos um novo governo. Eu acho que para este momento é bom que seja assim. Hoje há uma briga muito grande entre Câmara e Presidência da República.  Está tudo parado. Nada anda. Não podemos viver num País onde as instituições não funcionam. Muitos projetos dependem do Congresso e outros do governo federal. Se for para melhorar essa situação, tirar o Brasil do atoleiro, é melhor que haja a mudança. E que seja rápida. Porque está tudo parado.

Segurança pública
Eu volto ao que já disse. Quando a atividade econômica para, quando as receitas diminuem, o Estado não pode gastar além do que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal sob pena de prisão, sob pena de sanções gravíssimas. Então, a Constituição determina que os Estados gastem até um determinado limite com funcionários. Nós estamos no limite, não podemos gastar mais. O que eu fiz: programei um concurso para a Polícia Militar, Civil, Polícia Técnico-Científica e Bombeiros que já está começando. Já estamos com todas as fases sendo concluídas. Este concurso vai ser realizado neste ano. E através desse concurso nós vamos contratar mais 2.500 funcionários, policiais militares, 500 policiais civis, 250 bombeiros e alguns do Procon. Este ano eu já convoquei 230 funcionários para a Polícia Técnico-Científica e já estamos chamando alguns agentes penitenciários. Estamos fazendo tudo com os pés no chão, de acordo com nossas possibilidades financeiras e de acordo com  a Lei de Responsabilidade Fiscal. Vamos fazer também concurso para delegado. Tenho certeza que teremos condições de bancar esses gastos novos. Não adianta fazer concurso e contratar mais funcionários se o Estado não tiver dinheiro para pagar. Se não, vai acontecer o seguinte: os velhinhos aposentados vão ficar sem receber do governo. Em vários estados os aposentados estão chorando porque na estão recebendo é porque lá atrás todo mundo queria aumento, aumento, aumento não sabia se os governos iam dar conta de pagar. Todo mundo queria mais funcionário, mais funcionário, mais funcionário. Por conta as pressões e das greves os governos foram contratando e aí chegou a um ponto que não dá conta de pagar a conta. E aí, ao invés de pedir aumento salarial, as pessoas estão pedindo para receber o dinheiro para comprar o remédio. É bom que todo mundo reflita sobre isso. A pressão por aumento salarial é muito grande, a pressão por contratações novas também é muito grande, mas chega a um ponto em que os governos não dão conta de pagar quem trabalha, principalmente quem já trabalhou a vida inteira e se aposentou. Eu tenho tido esse cuidado aqui, que é o cuidado de ir ampliando de acordo com as necessidades, mas com os pés no chão, para que os funcionários sempre recebam, e recebam em dia, como sempre aconteceu em meus governos.

Indústrias
Toda a qualquer iniciativa industrial que quiser vir para Goiás tem o meu apoio integral, em qualquer região, principalmente no Norte e Nordeste. Se os prefeitos e a lideranças trouxerem para mim pedidos de implantação de indústrias, eu darei apoio integral e irrestrito. Eu dei apoio integral para implantação da Bionasa. Tudo que dependeu do governo do Estado teve o meu apoio. Infelizmente, os empresários não conseguiram levar a produção adiante, tiveram dificuldades financeiras. Eu tenho, inclusive, a pedido do Carlos Rosemberg, tentado intermediar a viabilização de outros empreendedores para irem ocupar a Bionasa, que é uma fábrica pronta, já está tudo arrumado. Enfim, se tiverem pessoas, investidores e empresários interessados em qualquer área industrial ou econômica em Porangatu e região contarão, como sempre contaram, com meu irrestrito apoio e incentivos fiscais do governo do Estado.

Eleições municipais
Eu acho que quanto mais o governador cuidar dos assuntos administrativos do governo, melhor. Em tempo de crise, é preciso concentração total do governador e da sua equipe para vencer os desafios da crise e fazer com que o Estado tenha condições de fazer mais investimentos. Eu tenho muito otimismo em relação a este governo. Nós tivemos muitas dificuldades no governo anterior também, e vencemos. Transformamos Goiás em um canteiro de obras, e é isso que eu quero. Não só em relação às obras, mas melhorar cada vez mais os serviços que são prestados à população, como o serviço que a gente presta no Vapt Vupt, nos hospitais do governo do Estado e também o que nós pretendemos fazer na área da educação e estamos fazendo na área da Segurança Pública.

Obras em Goiânia
É importante dizer que os meus governos duplicaram todas as estradas de acesso a Goiânia, as estaduais e eu interferi, como governador, pessoalmente, junto ao governo federal, para que as federais que cortam Goiânia também fossem duplicadas. Nossos governos vão passar para a história como os que mais fizeram por Goiânia em toda a sua história, não só na área da saúde, mas na área da educação, na área da segurança pública, na área do saneamento básico. Goiânia não tinha nem Estação de Tratamento de Esgoto. Goiânia tem hoje Estação de Tratamento de Esgoto e está chegando agora a mais de 90% de esgoto coletado e tratado. Nós estamos com o sistema Mauro Borges pronto, com reservatório de água, estação de tratamento de água bruta e distribuição. É uma obra gigantesca. A mais importante obra de abastecimento de água do Brasil. Com essa obra, Goiânia não vai ter problema de abastecimento de água, como tem São Paulo, nos próximos 50 anos. Nós fizemos o Centro Cultural Oscar Niemeyer, estamos concluindo o Centro de Excelência do Esporte, fizemos vários viadutos, refizemos o autódromo e o parque do autódromo. Fizemos obras aqui que vão ficar marcadas pra sempre. O novo Instituto de Criminalística da Polícia Civil é o melhor do Brasil, o Centro de Inteligência e Controle da Segurança Pública é o melhor Brasil. Fizemos inúmeras escolas Padrão Século 21. Estamos fazendo Centros Tecnológicos. Não só em Goiânia, mas no Estado como um todo. Nosso trabalho é um trabalho para ficar registrado como um dos que mais marcaram a vida de Goiânia e de Goiás com obras de boa qualidade. É claro que a gente sempre tem dificuldade, mas eu tenho em todos os governos esta marca: em vencer dificuldades e imprimir a marca das realizações.

Estradas e política
Já falei muito aqui sobre as estradas, e nesse momento que ainda não temos os recursos para reconstruir, nós estamos trabalhando com a manutenção e conserva. E esse trecho de Jaraguá a Itaguaru é prioridade. Essa estrada já está com o projeto de reconstrução pronto e licitado. Primeiro dinheiro que entrar, nós vamos fazer a reconstrução, como eu fiz de Jaraguá até Goianésia. Quanto à política, eu não quero falar sobre isso ainda. Todo mundo sabe da relação que eu tenho com o deputado Nédio Leite e o quanto ele tem sido importante para Goiás e para Jaraguá como deputado estadual e vice-presidente da Assembleia Legislativa.

Viagens internacionais
(A região Norte) pode esperar sim (resultados das viagens feitas pelo governador ao exterior). Mas, como eu já disse, os prefeitos precisam vir atrás. Tem prefeito que vem aqui toda semana. Eu já autorizei, por exemplo, no passado, vários ofícios a um prefeito. Aí voltei à cidade, e ele me disse que não tinha andado nada do que eu tinha autorizado. Perguntei onde estavam os ofícios, e ele disse que estavam em sua gaveta. Aí não tem jeito. Os líderes precisam correr atrás para viabilizar.

Ano eleitoral
Recebo políticos, deputados e prefeitos toda a semana. Eles me dão algumas informações. Mas como estou focado na superação da crise brasileira, porque ela tem consequências em Goiás, eu tenho tido pouco tempo para falar de política. A minha grande preocupação é resolver os assuntos do Estado.

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