Rede estadual de ensino tenta elevar notas no Enem

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Em Goiás, alunos das escolas estaduais vêm recebendo motivação extra para obter melhores notas no Exame Nacional do Ensino Médio

Fabiola Rodrigues

Desde 2009, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se transformou em uma das principais portas de entrada para a educação superior. Anteriormente a prova era mais utilizada para avaliar o nível de qualidade do aprendizado dos alunos do ensino médio. Se antes o objetivo era passar no vestibular, agora os estudantes das escolas públicas sonham obter boa pontuação no Enem. Mas quase sempre eles precisam de uma ajuda extra.
O subsecretário Metropolitano de Educação, Marcelo Ferreira, diz que os estudantes das escolas públicas do estado de Goiás que estão se preparando para a prova do Enem precisam receber constante motivação no ambiente escolar para obterem bom desempenho. Atualmente 60% dos alunos da rede pública do nosso estado não atingem os 600 pontos, que é o mínimo ideal da prova – a pontuação vai de 0 a 1000.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Mundo Vestibulares, 73% são de alunos que tiveram notas acima de 600 pontos no Enem são oriundos das classes A e B, enquanto apenas 27% são das classes C, D e E. A proporção se inverte quando se avaliam os resultados abaixo de 450 pontos: 76,5% das classes C, D e E, contra 23.5% das classes A e B.
A desigualdade se torna alarmante entre os estudantes com as notas mais baixas: 94% daqueles que fazem menos de 450 pontos cursam o ensino médio em escola pública. O subsecretário diz que diante desses dados as didáticas de aprendizado nas escolas estaduais têm passado por mudanças.
Uma das saídas encontradas para levar o estudante da rede estadual a encarar a prova no Enem com naturalidade foi trabalhar com eles as práticas motivacionais.
“O ensino médio da rede pública tem sido reconfigurado para garantir a aprendizagem do aluno para ele ter melhores notas no exame. Ele precisa se sentir capaz. E fazer a prova psicologicamente preparado, acreditando que tem capacidade de ter boa pontuação. Isso é fundamental”, diz Marcelo Ferreira.

Subsecretário Marcelo Ferreira: o ensino médio da rede pública está sendo reconfigurado para o estudante ter melhor desempenho na nota do Enem
Subsecretário Marcelo Ferreira: o ensino médio da rede pública está sendo reconfigurado para o estudante ter melhor desempenho na nota do Enem

O subsecretário lembra que o Enem se tornou a grande vitrine para as escolas estaduais. Cada vez que os alunos conseguirem boas notas no exame, maior será a procura da instituição de ensino. Marcelo Ferreira diz que o educador da escola estadual precisa se preocupar em oferecer ao pré-vestibulando ensino de qualidade e motivacional.
“Trabalhar a autoestima do aluno é a grande sacada atualmente. E nós educadores conseguimos entender isso. Agora vamos quebrar a barreira dos 600 pontos. Nossos estudantes são capazes.


Escolas podem ser fechadas

Escolas da rede estadual que não melhorarem as didáticas de ensino para o aluno, principalmente pré-vestibulando, vão fechar as portas. O perfil do aluno de hoje não é o mesmo de uma década atrás, lembra Marcelo Ferreira. “Hoje ele se mostra mais interessado”, observa.
“Os alunos tem percebido que a preparação para o Enem precisa ser encarada com seriedade e motivação. Uma escola que não prepara seus alunos naturalmente não vai ter demanda de pais e estudantes procurando por ela”, explica o subsecretário.
As escolas estaduais precisam divulgar a nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e é natural que os pais escolham matricular os filhos nas escolas que apresentam bom rendimento no aprendizado.
“Estamos recebendo muitos alunos oriundos de escola particular vindos do ensino médio. Quer seja por causa da crise econômica ou por causa da cota existente no Enem para estudantes de escola pública. E é claro que na hora da mudança a procura vai ser por um ensino de qualidade” afirma.

Os professores estão atendendo os alunos conforme as necessidades deles”, observa o subsecretário.
Com o avanço das tecnológicas as informações chegam mais rápido para o estudante. O aluno tem mais facilidade de se inscrever no Enem, além disso o jovem hoje é mais bem informado. Por esse motivo Marcelo Ferreira lembra que o comparecimento dos estudantes da rede pública de ensino nas provas do Enem aumentou nos últimos dois anos.
O subsecretário ressalta que muitos alunos têm dificuldade de se acharem capazes ao saber que vão disputar a prova com estudantes das escolas particulares. Mas com os novos métodos de ensino, ele está convicto de que esse medo está sendo superado.
“Pensamentos como “não vou passar”, “não estou preparado”… ficavam na mente dos alunos. Buscamos mudar essa realidade através da capacitação constante nos últimos três anos, por meios de palestras e motivações diárias”, comenta Marcelo Ferreira.


Motivação da família também é importante

A prova do Exame Nacional do Ensino Médio abriu as inscrições no dia 9 deste mês. Para que os estudantes da rede pública de ensino tenham boas notas, eles precisam da motivação no ambiente escolar e também da família. O bom resultado do aluno em uma prova que hoje se tornou a grande porta para ingressar em diversas universidades do País não depende somente do pré-vestibulando.
Sueldo Batista é coordenador de uma escola estadual em Goiânia há cinco anos. Para ele a motivação que vem da família é essencial para que o estudante tenha bons resultados na prova do Enem. Os educadores precisam fazer a parte deles, oferecendo ensino de qualidade, mas em casa os estudantes também precisam de apoio.
“Existem alunos que me relatam casos de que na escola são animados pelos professores, mas quando chegam em casa os pais não fazem muita questão de apoiá-los. O aluno da escola particular sempre recebe apoio constante da família, e principalmente quando é um vestibulando. Atitudes como essa fazem toda diferença na hora de uma prova”, diz o coordenador.
Sueldo Batista observa que o ensino da rede pública vem passando por melhorias para levar mais estudantes a terem sucesso no Enem. Mas a família também precisa ajudar o aluno a ter foco nos estudos. Ele diz que 50% da motivação precisa vir da família e a outra metade é gerada no ambiente escolar.
“Vamos fazer mutirão voluntário junto com os professores meses antes do Enem, para que nossos alunos de terceiro ano recebam apoio e motivação. Corrigiremos as provas anteriores com os estudantes durante o ano também. Nossa parte sempre tentamos fazer, mas os pais precisam continuar a motivar os filhos em casa”, observa o coordenador.
Para a estudante Denise de Almeida, de 16 anos, que está cursando o terceiro ano do Ensino Médio em uma escola estadual da região metropolitana de Goiânia, diz que receber o apoio dos pais além dos professores faz ela se sentir mais capaz para fazer a prova do Enem no final deste ano.
“Estou me preparando para a prova. Eu já fico ansiosa desde agora. Para mim é um momento decisivo na minha vida. Preciso tirar boas notas. Na escola os professores estão me animando e me capacitando. E quando estudo em casa os meus pais dão essa mesma força. Vou sair bem nessa avaliação, não vai ter como dar errado”, afirma, animada.

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