Alison Maia lidera oposição em Caldas Novas

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Alison Maia, pré-candidato a prefeito de Caldas Novas.

Pré-candidato a prefeito de Caldas Novas, o policial militar Alison Maia (ainda sem partido) prepara grupo de oposição para vencer a eleição no município. Em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, ele critica a atual gestão, diz que as obras do Estado estão paralisadas, pontua vários problemas crônicos e propõe abrir as portas da cidade para novas faculdades e para a industrialização, além de fortalecer o turismo local. Ele diz que o atual prefeito não está a serviço da população, mas de grupos econômicos, e afirma que sua candidatura visa por fim à corrupção visando ter mais recursos disponívis para investir na saúde e em outras áreas da administração.

Manoel Messias

O Senhor tem uma candidatura um pouco diferente por ser militar. É pré-candidato e ainda não tem filiação partidária. Gostaria que o senhor explicasse isso pra gente falasse em qual partido vai se filiar?
A legislação diz o seguinte: somente aprovado em convenções é que você define se filia nesse partido e aí é feito toda aquela junção dos partidos. Tem as coligações e você sai candidato majoritário a partir do momento que você é aprovado na convenção. Você é homologado e o candidato fica agregado, à disposição disso.

De alguma forma é uma desvantagem para você?
Não. É vantagem porque dependendo do partido que você filia antes você pode ficar amarrado a algum tipo de situação e ainda algum tipo de problema e eu ainda tenho o privilégio escolher o partido que eu quero no final.

Mas e o seu eleitor, ele é de centro, esquerda, direita?
Hoje o eleitor ele está muito preocupado é com a pessoa. Hoje ele não está muito preocupado com a questão partidária. Ele está mais voltado para a questão pessoal. Quem é o candidato? Ele é ficha limpa? Eu tenho 20 anos na corporação como policial militar e nunca tive nenhuma punição. Tenho uma conduta correta. Fui promovido agora por ato de bravura. Nós temos um serviço prestado dentro da comunidade na área de segurança publica e na área social. Então, as pessoas observam muito o candidato, pelo menos é o que eu estou percebendo nas ruas de Caldas Novas. Então, elas estão olhando mais ou menos isso aí. Sendo um candidato que tenha um partido que não tenha mácula, que não esteja envolvido em nenhum tipo de escândalo e que vá ao encontro dos anseios da população, o nome é muito maior do que a questão partidária.

De onde surgiu essa ideia de ser candidato?
Eu sou militar e radialista e foi a partir do trabalho dessas duas áreas porque a gente começa a ver bastante deficiência e eu acho que o que mais me chamou atenção mesmo foi as coberturas de matérias pela falta de UTI. Mães que perderam filhos, esposas que morreram, mulheres que morreram por falta de UTI, enfim, várias pessoas que morreram por falta de UTI. Eu acabei comprando essa briga. Acabei entrando nessa briga. A partir daí eu comecei a pensar que era possível ter UTI numa cidade turística. Nesse último governo foram arrecadados mais de meio bilhão de recursos do município. Isso nos últimos três anos do último governo fora o que vem do governo federal de emendas parlamentares. Será que não era possível ter mais UTI? A saúde hoje ela sofre, mas numa cidade turística igual Caldas Novas, que é uma das mais importantes do estado de Goiás e está entre as 10 mais importantes do Brasil, como que um turista vai fazer se precisar do SUS? Ele vai morrer? Não pode. Isso acontece também com os moradores da cidade. Hoje está numa situação tão complicada que a pessoa quebra uma perna e ela tem que vir para Goiânia. Não tem especialistas na cidade. Tudo ela tem que vir para Goiânia.
Em Caldas Novas tem pouca vaga ou não tem de jeito nenhum?
Não existe UTI.

E os convênios através da rede particular?
Está sendo discutida uma questão de UTI que pode virar uma parceria público privada. Hoje se alguém precisar de uma UTI infelizmente vai ter problema. Nós temos problemas até de ambulâncias. Nós tivemos um caso de uma mãe que saiu um laudo que foi H1N1, precisava de uma UTI, ficou esperando praticamente 48 horas para sair essa vaga e quando saiu não tinha UTI móvel. Teve que vir uma ambulância de Catalão, uma cidade há mais de 140 km de distância, ou seja, todo o socorro dela para vir para uma UTI aqui em Goiânia durou mais de três horas.

O senhor é de oposição e vai denunciar os problemas na sua campanha e propor soluções. Como está sendo a receptividade nas reuniões?
Muito boa porque a população está procurando novidade. A população clama muito pelo novo. A gente vem com propostas diferenciadas porque Caldas Novas é uma cidade turística. Só que é um turismo muito isolado. É um turismo que abrange apenas dois grupos econômicos. É muito voltado para a questão do Di Roma e Privé. O restante da cidade não aproveita desse turismo. Isso tem provocado o fechamento do comércio porque a renda média de Caldas Novas não passa de R$ 1.100,00. A população não tem muito poder de compra.

Qual é a população aproximada hoje de Caldas Novas?
Mais de 80 mil habitantes.

Continua crescendo?
Ela cresce demais. Eu acho que mais de 70% são de pessoas de fora. Por ser uma cidade turística abriga muita gente de fora.

A situação urbana é descontrolada?
Muito, muito. Lá, a infraestrutura deixa a desejar. Em Caldas Novas você tem uma ilusão porque você vive no centro da cidade, você não conhece a periferia. Nos setores a realidade é completamente diferente do que no centro da cidade. Falta asfalto, esgoto e água. A população da cidade sofre. Hoje, por exemplo, em Caldas Novas não existe outra conversa: tem que se abrir a cidade para indústrias e fábricas que sejam ecologicamente corretas. Só do turismo a cidade não dá conta mais de sobreviver. Ainda mais dentro de uma política de um prefeito que trabalha para agradar grupos econômicos. Ele não trabalha para o município. Trabalha para empresários. O que ele trabalha para a população é essa política populista. Essa coisa de distribuição de exames, festa para distribuir dentaduras, enfim, esse tipo de coisa. Aquela velha política. Uma cidade do porte de Caldas Novas era para explodir no estado de Goiás porque ela tem uma potencial turístico enorme. Outro detalhe também na questão da educação. Hoje nós só temos uma faculdade. A maioria das pessoas que quer buscar um curso diferenciado tem que sair da cidade. Várias universidades já fizeram propostas para entrar e não deixaram entrar. A minha proposta é de escancarar as portas da cidade. Com isso, você trás empregos e um certo desenvolvimento para a cidade. O atual prefeito já teve três oportunidades e não fez.

O senhor já tem uma equipe técnica, já tem em mente, são pessoas de lá mesmo?
Quando você fala pessoas de lá mesmo hoje a prefeitura compra muito de fora, ela não compra do comércio local. Nós queremos fomentar o comércio local através do município. Na questão da equipe técnica eu acho que a prefeitura não pode ser somente cabide de emprego. Ela tem que ter pessoas certas, nas horas certas e nos lugares certos para desenvolver um trabalho sério e honesto para a comunidade. Acredito, hoje, e comigo será assim, teremos um orçamento participativo, onde todos ficam sabendo onde o orçamento está. Nossa cidade não tem transparência quase nenhuma. É preciso que o eleitor e o contribuinte saibam para onde o dinheiro está indo e que ele participe dessa distribuição da renda do município. Eu acho que isso seria inédito, um orçamento que todos participem e lá não tem isso. Lá, por exemplo, o Tribunal de Contas do Município verificou que sumiu 18 milhões e ninguém sabe para onde foi. Lá tem dinheiro de verbas federais e que ninguém sabe para onde foi.

O Ministério Público lá está atuando nesse caso?
Parece que está atuando, parece que tem alguns processos lá em andamento.

O prefeito atual já foi prefeito outras vezes, é um grupo antigo lá. Tem havido algum avanço?
A cidade derrapa, não sai do lugar. Continua a mesma província. Nenhuma obra do governo do Estado foi entregue lá na gestão do atual prefeito. O Credeq seria uma das obras e sequer saiu do chão. Lá nós temos um colégio que ele poderia hoje estar abrigando dois mil alunos, que o Colégio Padrão século XXI. Ele está sendo engolido pelo tempo. Todo abandonado. Já tem estrutura de ginásio, sala de aula, tudo em pé e tomado pelo mato, por usuários de droga e pela dengue. As obras do governo do Estado estão paradas, elas não prosseguem. O governo municipal não tem sequer uma obra de relevância. Do governo Evandro Magal não tem nada de pé, só de outros governos.

Como está a cidade?
Eu acho que Caldas Novas precisa de organização. Ali precisa de área azul para a questão do estacionamento. Ela é muito mal projetada e não tem estacionamento. Ela precisa de área azul. O cara abandona o carro dele ali, some e não volta e fica ocupando vaga, então, tem que ter fiscalização. O turismo precisa se espalhar pela cidade. Nós temos a Serra de Caldas e para você ter acesso você passa no meio de um prostíbulo. Então você precisa mudar a cara daquilo ali. Eu acho que a prioridade na cidade é a saúde. Nós pagamos caro, os impostos são caros, quase 20 milhões por mês. Coloca isso no papel.

O que a prefeitura mantém lá em termos de saúde?
Posto de saúde, UPA, né, que os funcionários tem até boa vontade, mas não tem equipamento, não tem apoio. Não tem estrutura de saúde na cidade hoje. Eu acho que o ponto principal hoje é saúde. Voce acaba com a corrupção e aplican o dinheiro no lugar certo. É aquilo que você falou, colocando técnicos para fazer esse trabalho. Eu acho que tudo isso, associado à questão do desemprego, combatendo o desemprego, combatendo a violência, turismo para todos aí eu acho que a cidade se desenvolve, Caldas Novas se transforma, se abrer para Universidades, Faculdades, você ajuda o povo e ele não tem que precisar sair da cidade para estudar. É possível, é só a gente ter cuidado para o prefeito não vender áreas como tem vendido. A última agora que ele vendeu está quase no centro de Caldas Novas. Ele vendeu uma área em frente à UPA por R$ 3 milhões, aquela área valia R$ 7 milhões. Ninguém sabe onde foi parar o dinheiro, era para asfaltar sete bairros e nenhum desses bairros foi asfaltado. Aplicando o dinheiro nos lugares certos a gente vai longe.

O senhor falou que o partido vai ser decidido na época da convenção. Poderia citar as possibilidades de filiação? Aqueles que o senhor tem mais afeição, que está mais próximo, seriam quais?
Hoje nós temos o DEM, PPS, PSB, tem o PRP, PPL, todo esse núcleo aí está com a gente. Enfim, são esses. A questão dos partidos é…para mim falar na verdade é bem complicado. Como eu tenho a possibilidade de ir para qualquer um desses, o que eu tenho que fazer é aglutiná-los. Unir toda a oposição para que possamos combater a atual gestão que já demonstrou claramente a incompetência. Já teve três chances e não mostrou nada para a sociedade.

Já começou a conversar?
Direto.

São boas as perspectivas?
São boas, vamos estar unidos.

Tem algum outro nome da oposição que você precisa que pode aumentar esse grupo?
Eu acho que está tudo muito bem avançado. Os nomes da oposição estão bem conversados sobre essa união.

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