Eles querem administrar Goiânia

0
1320

Consideradas como de menor expressão, pré-candidaturas pregam participação popular e novo modelo de gestão

Marcione Barreira, repórter de Política

Num cenário de diversas pré-candidaturas para a prefeitura de Goiânia, três delas chamam atenção pela discrição. Juntas elas somam algumas situações em comum. São partidos com menos poder financeiro e sem representação na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. No entanto, o maior objetivo de todas essas postulações é governar Goiânia.
O PSDC, PSOL e Rede Sustentabilidade buscam espaço em meio a outras sete pré-campanhas divulgadas até este momento. O PSDC tem o empresário Alexandre Magalhães como postulante pelo partido. O Psol é encabeçado pelo professor Flávio Sofiati. A Rede tem o vereador Djalma Araújo.
O pré-candidato Alexandre Magalhães tem 49 anos e é presidente do PSDC em Goiás. Já foi candidato ao governo do Estado em 2014 e está no partido desde então. É a primeira vez que tenta a prefeitura de Goiânia. Nunca ocupou nenhum cargo público.
No Psol, o professor de ciências sociais da UFG Flávio Sofiati tem 38 anos e é natural de Jundiaí, interior paulista. Em Goiânia desde 2010, tenta conquistar a prefeitura pela primeira vez. O esquerdista prega uma nova política e tem como parceiro os partidos PSTU e PCB.
A Rede Sustentabilidade trás a maior experiência política até aqui. Djalma Araújo, pré-candidato do partido, é vereador por Goiânia há seis mandatos ininterruptos. É natural da Bahia, já foi dos movimentos de esquerda militando pelo PT. Tem 58 anos, e é estudante de direito.

Propostas
Para Alexandre Magalhães a ideia é tirar das mãos dos grupos políticos que, segundo ele, afeta o desempenho e o desenvolvimento da cidade. Na visão dele é preciso implantar um novo tipo de política. “É preciso fazer uma gestão empresarial. É preciso acabar com gestão de políticos profissionais”, afirma.
Segundo ele, o fato de a política estar “contaminada” por pessoas descompromissadas faz com que a corrupção se torne prática comum na gestão. “Temos dois grupos que manipulam a política na nossa cidade. Eles não estão interessados em mudar a política. Nós queremos pessoas quem tenham vontade de mudar”, disse.
O pré-candidato do Psol, Flávio Sofiati, acredita que a política precisa ter maior participação popular. Para ele, assim como Alexandre, é necessário pensar numa nova forma de fazê-la. “Eu assumo um projeto coletivo que envolva Goiânia. Nós queremos uma cidade para todos”, assegura Flávio.
No eixo do seu projeto está o “se a cidade fosse nossa”, um mecanismo de participação direta onde o cidadão tem a possibilidade, por meio eletrônico, de colaborar com Goiânia através das suas ideias. “É uma maneira de abrir espaço para opinião do cidadão. O que ele faria se a cidade fosse nossa?”, explica.
Na Rede, Djalma Araújo defende um projeto sustentável para Goiânia. Para o vereador, não há condições de pensar Goiânia sem pensar numa forma de desenvolvimento sustentável. “Esse é um projeto da Rede para Goiânia”, menciona. “Nós queremos mais técnicos e menos políticos”, completa Araújo.
Para ele, a saúde, educação e o transporte público estão entre as principais deficiências da capital. No que tange ao transporte público, ele prega a liberdade de competição para que seja assegurado o direito do cidadão. “Nós propomos a livre concorrência do transporte público. Queremos assegurara assim a dignidade do cidadão”, argumenta.

Críticas
Alexandre Magalhães aponta que o fato de a política estar “afetada” por políticos profissionais leva a casos de extrema corrupção nas esferas do poder. Para ele, a prefeitura de Goiânia carrega o fracasso por ter loteado cargos e, com isso, não consegue desenvolver a gestão. “Estão interessados em ficar no poder e não numa Goiânia do futuro”, lamenta.
O pré-candidato observa que o PSDC está na política para fazer uma administração com o pensamento no futuro e ratifica sua crítica no que toca as últimas administrações de Goiânia. “O grande problema da gestão é que nos últimos anos é que os administradores pensam somente no hoje. Nós queremos pensar Goiânia para os próximos anos”, expõe.
Djalma Araújo acredita que sua postulação aponta um novo caminho para a política. Segundo ele, o combate às velhas práticas se faz necessário num momento em que a corrupção assombra as diversas esferas da vida pública. “Nós buscamos alternativas para combater a velha política”, frisa.
Ainda nesses termos, Djalma observa que as trocas de favores são maléficas e que elas favorecem o surgimento da corrupção. “O toma lá da cá é que leva a promiscuidade da velha política. Nosso projeto busca na sociedade nomes para compor uma nova política”, salienta.
Flávio Sofiati declara que sua campanha trabalha com movimentos sociais e que Goiânia necessita dessa participação. Segundo ele, a cidade está sob comando de um grupo que não representa os anseios populares. “Para nós Goiânia foi seqüestrada”, afirma.

Composições
Até aqui o Psol tem como certa a parceria com outros dois tradicionais partidos de esquerda. Estão com Flávio Sofiati as agremiações do PSTU e do PCB, que devem formar as chapas majoritária e a proporcional. O grupo já articula a chapa de vereadores e almeja eleger ao menos um.
Neste momento da pré-campanha psolista as reuniões e encontros com segmentos têm sido os principais movimentos. Segundo Sofiati, o fato tem sido muito positivo. “Estamos realizado rodas de conversas e grupos temáticos. Nas rodas o cidadão revela suas prioridades e nos seminários ele levanta suas propostas” destaca.
No PSDC o primeiro passo foi formar a chapa de vereadores. Sob a organização de Alexandre Magalhães, o partido já tem fechada sua chapa proporcional. Segundo ele, isso dá sustentação à sua candidatura. “Nós temos 80 pré-candidatos a vereador. Isso nos sustenta. Nós pretendemos eleger quatro nomes nessas eleições”, garante.
Na Rede Sustentabilidade a chapa proporcional já está fechada com 45 nomes. Segundo Araújo, o objetivo é eleger ao menos três parlamentares este ano. Atualmente a Rede só conta com ele na Câmara Municipal. “O importante é eleger uma Câmara autônoma que possa cumprir seu papel que é fiscalizar”, explana.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here