Ser normal

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2016

Jorge Antônio Monteiro de Lima

O que é ser normal hoje em dia? Ser normal é aceitar os rumos de nossa atual política que distorce os fatos usando a mídia? É acreditar que ser bandido vale a pena validando a corrupção? É idolatrar quem não presta por que ele tem dinheiro roubado? É engolir calado, apático, que o lugar de político ladrão é solto? É achar normal que o judiciário brasileiro solte este tipo de criminoso ou lhe dê penas brandas? É normal justificar os roubos e desvios em função de uma ideologia de esquerda ou de direita?
Ser normal é ser frio, curtir a violência banalizada? Ter medo de tudo e todos? É viver com agressividade e a fomentar cotidianamente? É a maledicência e, julgar cada ato de quem está perto, difamar, inventar, apenas para ter uma “diversão” com a desgraça alheia? Ser normal é se relacionar de forma egoísta? É pensar em você sempre em primeiro e em último nos outros? É querer levar vantagem em tudo na rua, em casa, com sua vida afetiva? É viver um relacionamento sem carinho, respeito e diálogo? É deixar seus amigos escolherem sua vida afetiva? Ou é viver esperando um grande dote, um casamento milionário, o dia em que vai acertar na mega sena acumulada, sozinho?
Ser normal é viver de aparências, buscando status mesmo sem ter onde cair morto? É encher o carro com sacolas de compras de shopping, mesmo sem ter como pagar? É ser caloteiro em nome de um marketing pessoal? Ter um carro importado zero, geladeira vazia e viver de aluguel?
Ser normal é abdicar dos sonhos? Perder o fogo sagrado pela vida, a fome de viver? É curtir a mediocridade inata das massas, levar a vida de barriga e contentar com as migalhas e sobras? É abdicar da vocação genuína e do talento? É desistir da realização pessoal e suas possibilidades? É abandonar um talento em nome de um concurso público? Ou é sempre ter uma desculpa para não ir ao mercado de trabalho?
Ser normal é gostar dos piores programas da internet ou da televisão que nada têm para oferecer a não ser o espelho da vida vazia? Ou será que é a substituição do convívio com amigos, de trocar risadas e abraços por relacionamentos virtuais, evitando o contato afetivo e humano genuíno?
Ser normal é fugir de beijo, abraço, de carinho? E achincalhar quem o faz? É fingir que não existe desejo e viver da carente inanição da alma, em uma pseudo autossuficiência?
Ser normal é viver de porre em porre, de droga em droga, todo fim de semana, para tentar dar sentido à vida vazia?
É frequentar lugares péssimos só para dizer que saiu no fim de semana? É tolerar a cachaçada alheia com direito a vômito e a ser babá de alcoólatra?
Ser normal é sentar no banco de uma universidade e comprar um diploma a prestação, sem mesmo saber o que se está estudando? É achar que seu professor tem obrigação de ensinar e você, nenhuma em aprender? Ser normal é não ler livros por falta de paciência? Ser normal é querer receber tudo pronto, sem esforço nem trabalho?
Ser normal é ficar na igreja reparando no defeito dos outros para poder falar mal depois? É se achar especial porque tem uma religião e que com isto está no céu?
Ser normal é vestir a última grife, ter o mesmo penteado, alisar o cabelo com chapinha como todo mundo faz? Fazer a última cirurgia estética da moda? É viver com a personalidade da massa indistinta e sem identidade própria? É ser igualzinho, ser básico, não ter conflitos, nem preocupações com nada, apenas curtir? Ser normal é ser conformado, comodista e aceitar tudo que te falam, sem questionar?
Depois disto tudo digo: que bom que não sou normal… adoro minha diferença!

Jorge Antonio Monteiro de Lima é deficiente visual (cego), analista (C. G. Jung), psicólogo clínico, pesquisador em saúde mental, escritor, cronista e músico.

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