Eleições abafadas

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Altair Tavares é comentaristas das Rádios 730 e Vinha FM

O índice de 81,8% de eleitores que ainda não sabem em quem votar na eleição para prefeito de Goiânia, segundo a pesquisa TV Record, é um dos mais altos para o período em comparação com anos eleitorais anteriores. O esforço dos candidatos teria sido em vão no curso dos últimos meses e no ambiente de uma pré-campanha dentro da nova realidade legislação eleitoral. O número revela que sim.
No entanto, haveria uma razão bastante significativa para tal fato que deve ser analisado, segundo o presidente da Paraná Pesquisas que foi a empresa realizadora do levantamento para a  TV Record. Murilo Hidalgo afirma que a crise política nacional está abafando o debate eleitoral nos municípios.
O fenômeno não está localizado apenas em Goiânia, segundo ele. O período eleitoral está no menor nível de importância para os eleitores, para os meios de comunicação e para todo o barulho digital que o momento permite. Em síntese, as atenções estavam e continuam voltadas para a crise nacional que não arrefeceu apesar do afastamento provisório da presidente Dilma Roussef (PT).
Além de abafar a campanha, a crise política nacional – embalada pela crise econômica – deve provocar, segundo Hidalgo, uma campanha eleitoral mais curta do que determina a legislação eleitoral. Ocorre que, no meio da disputa, continuará o debate do julgamento definitivo do impeachment da presidente Dilma Roussef.
A dificuldade, então dos candidatos, será ajustar a campanha para tentar conquistar eleitores no meio de um debate nacional e, também, no curso de repercussões e novidades da Operação Lava Jato. Aliás, qualquer citação, ou gravação, ou referência de algum nome de candidato, de qualquer lugar, à Operação deve ser fatal para qualquer candidatura.
O distanciamento dos eleitores em relação às candidaturas pode ser um fato de vantagem para os candidatos a prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), Waldir Soares (PR) e Vanderlan Cardoso (PSB). Na análise do presidente da Paraná Pesquisas, o abafamento da campanha tende à manutenção do estágio inicial do processo. Em síntese, haveria pouco tempo para os opositores a esses candidatos desenvolverem uma campanha para a mudança do quadro.
A leitura de Hidalgo, claro, considera um quadro momentâneo da campanha eleitoral, mas está embasado em levantamentos feitos em outras localidades pela Paraná Pesquisas.
A empresa Grupom Pesquisas fez um levantamento no final de janeiro e começo de fevereiro deste ano sobre o perfil do ideal do prefeito de Goiânia que o eleitor espera para a futura administração da capital. Entre os atributos, estão “honesto” e “cumpre o promete”. O estudo foi feito sob encomenda do SECOVI de Goiás e entregue aos candidatos a prefeito da capital.
E curioso observar como os dois principais atributos tem alguma relação com a crise política nacional em que “desonestidade” e não cumprimento de promessas de campanha estiveram no debate sobre o início do governo Dilma e na repercussão da Operação Lava Jato.
Haveria, assim, uma tendência de que, diferente de outros anos, a eleição municipal tenha uma razoável influência da crise política brasileira. O índice de 81,8% é desafio para os candidatos, mas ao mesmo tempo é oportunidade para que façam campanhas conectadas com as reais expectativas do eleitor. Na eleição, o eleitor é o rei.

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