“A marca da nossa gestão é o respeito ao cidadão”

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Entrevista / Dioji Ikeda - Foto: Paulo José

Prefeito de Inhumas, Dioji Ikeda fala sobre as duras medidas que adotou na cidade, inclusive com demissões de servidores, para reverter a crise e investir recursos próprios em várias obras. Em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, Ikeda fala dos feitos da sua gestão e anuncia a inauguração, em breve, de um Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 horas), da construção de dois Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis), além da entrega de 288 apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida. O prefeito fala ainda sobre reeleição e sobre o quadro política da cidade.

Manoel Messias e Marcione Barreira

Prefeito, nesse momento que o país vive uma recessão severa, Inhumas está conseguindo passar por esses efeitos. Cmo é que está, há luz do fim do túnel ou ainda é muito cedo?
Primeiramente eu deixo a minha lamentação enquanto cidadão brasileiro pelo país estar passando por um cenário tão sombrio. Politicamente falando e economicamente falando. Isso nos preocupa muito como político, mas principalmente como cidadão. Com relação a essas mudanças no nível federal eu vejo que nós estamos ainda engatilhando. Faço uma comparação simples com as mudanças que nós fazemos, às vezes, dentro da nossa própria casa. Não é fácil você fazer uma mudança de móveis de um quarto para o outro, agora, imagina mudar um país. Realmente é o momento de se empenhar, falar um pouco menos de política e trabalhar mais. Eu tenho a expectativa de que nós possamos viver dias melhores. Na situação específica de Inhumas, desde 2014 que eu venho sentindo que o país passaria por uma situação de recessão econômica. Quando eu me deparei com aquela situação ajustamos todo o nosso orçamento, todo o nosso planejamento, mas sem parar a máquina pública. Nós intensificamos o trabalho. Corremos para viabilizar projetos que estavam parados em Brasília, de modo que tudo isso se converteu em benefícios e obras para o município de Inhumas. Naquela ocasião nós fizemos ajustes com cortes pesados em despesas que nos permitiu fazer alguns investimentos.  Tenho reunido a equipe, que é muito empenhada nessas questões. Foram ações corajosas porque não é fácil você demitir pessoas, principalmente em se tratando de setor público, mas nós fizemos isso de forma muito técnica para que o município pudesse se desenvolver e obras pudessem ser entregues. É o que está acontecendo hoje.

Na prática, o que foi feito pela sua administração para poder diminuir os efeitos da crise?
Primeiramente foi identificar onde faríamos os cortes. Depois, cortá-los sem nenhum tipo de medo e receio. Nós identificamos e cortamos. Não que tinha servidores em excesso, mas onde tinha três ficaram dois, onde tinha dois ficou um e o serviço continuou sendo prestado ao cidadão. Então, eu cotizei todas as secretarias com relação a todos os gastos, desde o cafezinho que chega na secretaria até o combustível. Eu tive secretaria que não se precaveu dentro dessa cotização e chegou no final do mês não tinha mais nada para poder consumir de combustível. Os carros ficaram parados. Eu cobrei do secretário para que ele fizesse um planejamento para que no próximo mês não acontecesse. De lá para cá tudo se encaixou e a máquina continuou operando da mesma forma. Nós focamos todas as nossas ações e eu fiquei supervisionando todo esse trabalho. De modo que a dificuldade financeira foi superada como muito trabalho,  muita determinação e ações com respeito ao bem público.

Na sua opinião, falta aos gestores públicos uma administração mais rigorosa para que aplique corretamente os recursos públicos?
O líder precisa ter coragem, determinação por mais que isso gere desgaste. Nós precisamos assumir esse ônus porque nós fomos eleitos para isso. Para tratar bem a coisa pública. As prefeituras, na maior parte do Brasil, são a maior empresa que opera no município e em Inhumas não é diferente. Se nós não tivermos essa visão empresarial para que continue no eixo prestando um serviço de qualidade é uma empresa que está prestes a falir. Então, nós implantamos lá desde o começo do mandato essa visão empresarial. Confesso que isso gerou diversos desgastes políticos, mas eu não fui eleito para poder agradar politicamente e desagradar administrativamente. Então, meu foco é administrativo e a política a gente discute no momento oportuno. O que eu vejo nos municípios é isso. Nós precisamos implantar visões administrativas.

Um dos últimos levantamentos aqui em Goiânia avaliou que a população elegeu segurança, transporte e saúde como prioridade. O que a população de Inhumas mais deseja na sua opinião?
Quando eu assumi o governo em 2013 eu identifiquei três necessidades básicas: segurança, saúde e lazer. O lazer nós fizemos um trabalho intenso, a população de Inhumas está completamente diferente do que era há três anos. Os ambientes criados para o lazer, como é o Parque Goiabeiras, um dos melhores parques do interior de Goiás. Na saúde, quando eu assumi, me deparei com uma estrutura completamente arcaica e praticamente falida. Um hospital que não recebeu investimento nos últimos anos. Nós temos oito Unidades Básicas de Saúde e essas unidades estavam literalmente caindo aos pedaços e logo no primeiro ano eu entreguei essas oito reconstruídas e ampliadas, preparadas para atender nosso pessoal, consultórios odontológicos, por exemplo, eles eram utilizados com ventilador e uma janela aberta. Hoje são todos climatizados com equipamentos novos e preparados. E vamos encerrar esse trabalho nosso com a UPA, que é uma estrutura de 1,5 mil m² de área construída e preparada para atender até 400 pacientes por dia. Então, ao todo na saúde nós investimos ao longo desses três anos quase R$ 10 milhões somente na reestruturação do sistema de saúde. A segurança não pode ser deixada de lado. É uma atribuição basicamente do estado e nós sabemos que há um déficit muito grande nas polícias Civil e Militar. Nós precisamos estar juntos e superar isso aí. Da minha parte, o que me cabe fazer, estou fazendo. Nós temos um gasto mensal somente com segurança, que não é nossa atribuição, de quase R$ 80 mil por mês. Vamos implantar agora também, em parceria como o governo estadual, o sistema de videomonitoramento. Eu creio que de 40 a 60 dias esse serviço já esteja sendo iniciado no município de Inhumas e em até 120 dias já devera estar auxiliando a polícia.

Você tem conseguido demonstrar para a população como está sendo gasto os recursos do poder público?
Tenho. Tanto é que esses cortes estão sendo revertidos totalmente em benefício da comunidade. Trocamos mais de 2 mil braços de iluminação pública. Nós recapeamos ruas, investimos na estruturação do sistema de saúde, como eu disse aqui, que nem tudo vem de recursos estaduais e federais, tem as contrapartidas, enfim, todos esses recursos foram voltados para melhorar a vida das pessoas. Melhoria no trânsito, no lazer, na saúde, na educação e isso feito com muita transparência, com muito cuidado desde o primeiro momento da minha gestão.

Prefeito, o senhor consegue dar uma marca especifica para sua gestão?
Eu vejo que o gestor público é eleito pelo povo. Então, primeiramente, tem que ouvir o povo. Eu moro em Inhumas. Eu digo que nesse três anos de gestão eu não sai de Inhumas por mais de uma semana. Eu vejo que a marca da nossa gestão, primeiro, é o trabalho, a transparência, a honestidade e o respeito ao cidadão e depois melhorias significativas no lazer, em praças construídas, parques construídos e opções de lazer para nossas famílias. Uma melhoria significativa na educação, valorizando o profissional. E uma melhoria significativa na saúde. Na saúde eu tenho certeza de que quando nós entregarmos a UPA nós vamos ter um dos melhores sistemas de saúde pública do estado de Goiás. Tudo isso concatenado para que o cidadão se sinta valorizado. Sem falar em outras ações diversas. Obras por todos os cantos da cidade.

Como é o acesso da população até o senhor?
Eu digo que a máquina pública já é por demais burocrática. Se nós não desburocratizarmos um pouco a coisa tende a se complicar. Então, para falar comigo não precisa ter ritual, não precisa ter cerimônia. Onde eu tiver, se na rua, no açougue, no mercado, pedalando, é hora para a gente despachar porque prefeito é prefeito 24 horas por dia. Então, eu sempre me comprometi dessa forma.

Inhumas tem algumas obras que vão ser inauguradas além das citadas?
Nós podemos inaugurar obras até o dia 2 de julho e temos três obras significativas para ser entregues, primeiro é a sede do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Nós temos uma equipe toda preparada para atender esse pessoal lá. Hoje o Centro atende em Inhumas mais de 250 famílias. O Creas será entregue dia 20. No dia 23 nós vamos entregar 288 apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida. É uma obra importantíssima. Tem muito tempo que nós estamos brigando para que essa obra seja concluída. No dia 30, com muita alegria, a nossa UPA, que é um hospital de urgência e emergência com toda a estrutura hospitalar para atender de forma digna o cidadão. Nós iniciamos na semana passada a construção de  dois Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis). Um investimento de quase R$ 3 milhões. Vão gerar aproximadamente 480 vagas nas creches para nossas crianças.
O senhor tem algum projeto que esteja vinculado à cultura? Por exemplo, Nova Veneza tem o festival gastronômico.
Nós temos ações contínuas. Em Inhumas nós temos uma feira gastronômica semanal que atende toda a comunidade. Aproximadamente duas mil pessoas passam por essa feira, que é uma feira gastronômica e cultural porque toda sexta-feira tem uma apresentação artística de cantores da terra. Tem dia que tem um samba, tem pagode, sertanejo de raiz, então as famílias se confraternizam alí e você encontra todos os tipos de comida. Ações assim é que a gente entende que tem que ser feita para o povo. Com relação ao esporte, eu sou do esporte. Então a gente tem uma atenção muito especial. Inhumas tem uma atividade esportiva muito grande. Nós temos um campeão sul americano Sul Americano de Jiu-Jitsu. Nós temos um atleta da seleção brasileira de ciclismo, que também é outro que nos orgulha muito. O município apoia. Nós temos outros atletas medalhistas em outros esportes. Isso me deixa muito orgulhoso de saber que esses atletas estão saindo de Inhumas e representando a nossa cidade.

Vivemos essa reviravolta na política em nível nacional, o que não deixa de ser atípico. Essa conjuntura toda tem mudando o cenário político na pré-campanha eleitoral municipal?
Não. Eu vejo que essas mudanças não chegaram aos municípios. Evidentemente que o povo de Inhumas acompanha de forma aflita esse cenário político nacional, mas cada município tem a sua particularidade. Nós ainda não fomos contaminados. Eu vejo que nós ainda temos condições de discutir projetos locais como nós estamos fazendo. A gente tem sido tratado de forma muito respeitosa com essas ações no município.

Você vai deixar mais para o momento da campanha para divulgar sua candidatura, pedir voto, claro, obedecendo o período legal. De alguma forma beneficia quem está na máquina?
Da minha parte, eu sempre foquei na questão do trabalho. Mas chega um ponto que nós temos que tomar a decisão e na segunda-feira, dia 13, nós fizemos uma reunião com os partidos de nossa base, os nossos pré-candidatos a vereador, onde eu coloquei o meu nome como pré-candidato do PDT para esse grupo, para que a gente possa dar continuidade nesse trabalho. Eu digo que nesse mandato de quatro anos, durante um ano e meio nós ficamos viabilizando recursos e buscando meios de trazer os benefícios para Inhumas e olha que nós somos vítimas de uma política muito maldosa, da mentira, do quanto pior melhor, retiraram recursos de Inhumas porque o prefeito, no caso eu que venci as eleições, não era o prefeito da base. Só que Deus é muito maior que isso e nós trabalhamos para que esses recursos fossem revertidos para Inhumas. De modo que nesses dois anos para cá as obras chegaram até Inhumas.
Muitos leitores não são de Inhumas e não conhecem o universo político da cidade. Então, só para explicar, quem era a base e quem se transformou em base de lá para cá?
Em 2012 nós disputamos o processo eleitoral com nove partidos. Naquela ocasião com duas frentes que eram nossos opositores com estruturas significativas. Mas nós conseguimos vencer com um projeto ousado e conversando com as pessoas e mostrando o que a gente podia fazer para Inhumas. Nós tivemos a confiança de 13.849 eleitores que me permitiram ser prefeito de Inhumas. Depois houve uma proximidade com o PMDB, que fez oposição a mim, hoje o PMDB faz parte da base como também fazem mais 14 partidos que me dão sustentação.

Essa eleição vai ser um pouco mais curta, apenas 45 dias. Qual o senhor acha que vai ser a maior dificuldade?
Eu, sinceramente, andei analisando como é que vai ser essa campanha e ainda não achei resposta. Nesses 45 dias nós vamos ter de 10 a 14 dias para preparar a parte burocrática da campanha. Então, nós vamos ter uma campanha efetivamente de 30 dias. Quando é que o eleitor vai entrar nessa campanha? Da nossa parte, nós estamos intensificando o trabalho de forma administrativa, falando com as pessoas aquilo que tem sido feito para o município e esperando as coisas acontecerem. Será uma campanha com poucos recursos e será intensificada nas redes sociais.

Sobre esse aspecto da campanha, agora que está como prefeito, o senhor acha que é possível qualificar melhor o nível da campanha?
Não tenho dúvida que a gente terá uma campanha de alto nível. Na última eleição nós nos pautamos por uma campanha propositiva. Da minha parte o eleitor vai ter uma campanha propositiva. Nós queremos mostrar para o eleitor aquilo que foi feito.

Em 17 de abril, no processo de impeachment, o PDT, que é o seu partido, teve alguns problemas internos com correligionários que não seguiram orientação do partido. Administração do senhor sofre alguma consequência disso?  
O PDT é um partido idealista, tem uma linha muito rígida a ser seguida. Isso é muito salutar. O que aconteceu foi um posicionamento pessoal de alguns parlamentares. O PDT repensou isso. Causou, naquele momento, um impacto muito grande, mas repensou tudo e eu vejo que o partido não pode expurgar. Não pode promover a caça às bruxas. Abriu-se ali processo administrativo para poder apurar essas condutas, a sanções foram aplicadas e o partido precisa seguir. Hoje o PDT segue aqui no estado de Goiás com uma condição muito grande de eleger diversos prefeitos, vices e vereadores e nós não podemos abrir mão de pessoas que também pensam assim. Isso foi superado e vai servir de lição.

O senhor tem alguns adversários políticos e nessa época os ânimos se exaltam. Na Câmara Federal a gente tem lá o Roberto Balestra  (PP), aqui na Assembleia tem o Lucas Calil (PSL). Como está a relação com essas pessoas?
É uma relação de muito respeito, tanto com o deputado Lucas quanto com o deputado Balestra. Nó somos adversários, nós não somos inimigos. Agora, adversário joga um contra o outro hoje e amanhã pode pensar em caminhar juntos para trazer benefícios para comunidade. Os grupos são consolidados, merece o nosso respeito, vamos ter um embate pesado. O que eu posso dizer é que nós estamos trabalhando para que a população possa ver aquilo que está acontecendo na cidade.

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