Diário de um analista 73

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2029

Jorge de Lima

O que representa esta crise para você?
Como sobreviver durante os tempos difíceis?
Acho interessante a percepção distorcida e reducionista da maior parte das pessoas, no que se refere à crise econômica de nossa atualidade que atravessa fronteiras. Existe um mantra, um complexo ativado na psique coletiva que idolatra a crise, a desgraça, o pessimismo. Todo mundo reclama muito, vive falando mal de tudo e de todos, se justifica mas em termos de ações práticas… pouco ou nada faz. Em minha percepção como analista e psicólogo clínico a maior crise de nossa atualidade é a de criatividade. Muita receita pronta e velharia em tempos cuja mudança é vital.
Um dos aspectos belos de meu trabalho é lidar com pessoas  de todas as classes sociais, credos, raça, gênero. Hoje com mais de 53 estagiários sob minha responsabilidade, 14 colegas, ainda dando supervisão para pelo menos 30 profissionais,  fora os meus pacientes, tenho uma percepção da vida no coletivo, no atacado, fazendo diariamente outras leituras da realidade social e cultural. Às vezes sem ler as noticias aprendo a realidade pela percepção coletiva de um jeito subjetivo. Os fatos que marcam nossa sociedade aparecem em várias percepções.
Esta crise econômica espelha a crise de criatividade. O mundo diferente que mudou, e as pessoas querendo ganhar dinheiro reproduzindo modelos falidos, a receita do bisavô , que ganhou dinheiro ha 50 anos atrás. Falta de atualização, de percepção da nossa realidade sócio- histórica, a noção do que virou nosso mundo, falta de planejamento e de inovação.
Muitas pessoas acomodadas defendendo defuntos, teorias mortas, velharias em um novo tempo. Um anacronismo doentio que não funciona mais.
Em minha área a psicologia canso de ouvir colegas reclamando que estão sem dinheiro, que os clientes sumiram, que a área esta ruim. Quando aprofundo a conversa vejo que estes profissionais estão desatualizados, presos a abordagens ultrapassadas, sem percepção da realidade do tempo em que vivemos, defendendo teóricos mortos com lápide de ouro. Em uma era em que vivenciamos epidemias de depressão, de transtornos, de dependência química é vergonhoso ver profissionais formados que não tem a menor aptidão para atuar junto a tais patologias. Culpa de formação acadêmica ultrapassada, e de alunos acomodados. Falta inovação, criatividade, ousadia e de ir atrás do que nosso tempo histórico pede. E quanto maior a acomodação, a resistência ao novo, a estagnação maior a crise econômica. Vejo colegas querendo que o mercado lhes aceite com abordagens e teorias de 1920 exercitando a teimosia e o reclamar, passando dificuldade por falta de percepção, o que é uma pena. Hoje existe uma falta de bons profissionais em uma área repleta de profissionais formados mas sem noção do mundo em que vivem.
A criatividade deve acompanhar a leitura de nosso tempo, das mudanças que tem ocorrido, dos hábitos, do novo tipo de comportamento social em uma adequação que é dinâmica. Não ter medo de ser e fazer diferente. caso contrário o que vai existir é crise…e o mercado não perdoa!(continua)
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Jorge Antonio Monteiro de Lima é deficiente visual (cego), analista (C. G. Jung), psicólogo clínico, pesquisador em saúde mental, escritor, cronista e músico.

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