Workshop reúne organizações sociais da Educação para tirar dúvidas

0
948
Raquel Teixeira, secretária estadual de Educação, Cultura e Esportes. Foto: Paulo josé

Evento reuniu técnicos da Seduce e do Banco Mundial, além de diretores de 23 escolas. Modelo deve começar a ser implantado em agosto

A Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce Goiás) promoveu nesta segunda-feira, 20/6, o Workshop Organizações Sociais na Educação (OSE). O principal objetivo foi reunir representantes de organizações sociais, qualificadas ou em processo de qualificação, para apresentar a rede pública de ensino, tirar dúvidas, mostrar cases de sucesso – como as escolas charter dos Estados Unidos -, esclarecer o papel da Seduce, da OSE e as metas a serem cumpridas no próximo chamamento.

O evento foi realizado no auditório Jacy Campos Neto, no Setor Santo Antônio, e reuniu, além dos representantes de 22 organizações sociais, a equipe técnica da Seduce que está envolvida no projeto, os diretores das 23 escolas ligadas à Subsecretaria Regional de Anápolis, por onde começará a implantação da gestão compartilhada, o coordenador do setor de desenvolvimento humano do Banco Mundial, Pedro Olinto, e o técnico do banco Alex Medler, que é PHD em ciências políticas, consultor sênior em reformas educacionais e especialista em escola charter dos Estados Unidos.

Todo o conteúdo discutido no workshop, bem como o andamento do processo de implantação da gestão compartilhada com organizações sociais na Educação e o termo de cooperação recém-assinado com o Banco Mundial, serão tema de entrevista coletiva nesta terça-feira, 21. A secretária Raquel Teixeira recebe a imprensa em seu gabinete, às 15h30.

Durante o evento, Raquel frisou a importância do evento, dizendo que é um momento importante para se entender o conceito do projeto que será implantado no segundo semestre deste ano. Também enalteceu a parceria firmada recentemente com o Banco Mundial. “O que estamos sentindo é que essa parceria com o banco deu uma nova dimensão sobre o projeto em Goiás. É como eles disseram, estamos confiantes de que o modelo concebido aqui pode ser um exemplo a ser seguido por outros estados ou outros países”, disse.

Dentro do que a Seduce espera da organização social está o levantamento de ideias inovadoras em termos de gestão, cumprimento das metas e políticas de valorização do professor. “As escolas permanecerão públicas e gratuitas. A política pedagógica e formação de professores continuam de responsabilidade da Seduce”, resumiu. “O que esperamos é uma boa relação entre a OSE e o diretor da escola, ou seja, reunir as experiências de gestão e pedagógica em benefício dos alunos”.

O workshop teve momento para perguntas e respostas. Entre as dúvidas levantadas pelos representantes das organizações sociais estavam questões de repasse de verbas, adaptação dos professores ao novo modelo de gestão, metas a cumprir e critérios de seleção da OSE que vai assumir a gestão das 23 primeiras escolas.

Experiência nos EUA 

Técnico do Banco Mundial, Alex Medler está desde o dia 13 de junho em Goiânia trabalhando com a equipe da Seduce na troca de experiências educacionais e na discussão sobre o modelo novo a ser implantado em Goiás.

O profissional fez um panorama geral do sistema de escolas públicas dos Estados Unidos, que somam mais de 100 mil unidades e atende mais de 50 milhões de estudantes, e as escolas charters, que representam 6% desse cenário educacional americano – são 6.700 escolas com 2,9 milhões de alunos. Atualmente, um milhão de estudantes aguardam uma vaga em escolas charter nos EUA.

Um dos três formatos de escola charter é a gestão por entidades sem fins lucrativos, o que mais se assemelha ao modelo pensado para as 23 escolas da Subsecretaria Regional de Anápolis. “Elas são definidas como escolas públicas, não cobram mensalidade de alunos, possuem mais flexibilidade do que as escolas tradicionais e são monitoradas e acompanhadas pelo governo. Elas precisam fazer, por exemplo, 50 relatórios anuais da evolução, aprendizagem e resultados. Aqui em Goiás, o conceito segue a mesma linha”, explicou Alex.

O técnico ainda falou sobre a motivação dos EUA em implementar a escola charter, as mudanças nas escolas, o debate com a comunidade e a proficiência dos alunos. “Um dos vários motivos citados foi a criação de uma escola melhor, mais próxima da comunidade e que preparasse o aluno para uma vida acadêmica. Percebemos que as escolas charter apoderaram a comunidade e que o grupo mais beneficiado com esse modelo de gestão foi a população de risco, aqueles mais vulneráveis”, respondeu.

Alex finalizou a apresentação com dicas para os representantes das 22 organizações sociais qualificadas ou em processo de qualificação no Estado. “Os gestores das unidades educacionais precisam de muito conhecimento, entender como o governo funciona e como uma escola funciona. Os líderes daquela escola precisam ser capacitados e terem como prioridade a missão educacional direcionada a melhora do desempenho dos alunos. A organização social precisa vir para cooperar, adicionar e fazer o melhor”, finalizou.

Raquel Teixeira, que acompanhou a apresentação, afirmou que as experiências vividas e transmitidas por outras pessoas são oportunidades para aperfeiçoar o modelo com o que deu certo e evitar aquilo que foi visto como erro. “Nós queremos mais do que um tipo de escola. Queremos avanço e inovação. As organizações sociais sem fins lucrativos vêm com capacidade de gestão, agilidade, flexibilidade administrativa e suporte pedagógico. As únicas reformas que estão dando certo no mundo são aquelas que formam cidadãos autônomos com habilidades e competências, papel principal da educação”, ressaltou a secretária.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here