Grande projeto de Marconi

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Os dois primeiros anos da atual gestão do governo de Marconi Perillo (PSDB) refletem o clima de crise econômica nacional, mas o chefe do Executivo não deixou de estabelecer um audacioso projeto para zerar o déficit financeiro e orçamentário que chegou a R$1,88 bilhão em 2015. “É a maior crise da história”, disse várias vezes o governador de Goiás. A suspensão do pagamento das dívidas e a venda da CELG também embasam o projeto.
“O pior já passou”, disse a secretária da Fazenda, Ana Carla Abraão Costa, em entrevista à Vinha FM, antes do acordo da dívida. Pela negociação, esse ano, o Estado de Goiás deixará de transferir R$1 bilhão da receita para pagar dívidas ao Governo Federal.
A confirmação do leilão da CELG para Agosto é outro fator que adiciona recursos para investimentos, mas, claro, a depender do sucesso da operação que será levada ao mercado financeiro. Para a secretária, o valor apurado dos 49% das ações do Governo de Goiás, na empresa, serão aplicados em investimentos. Com a suspensão do pagamento da dívida, a decisão ganha embasamento e uma razoável justificativa.
O grande projeto de Marconi Perillo para 2016, então, está a caminho conforme preconizado por ele para o ano de crise nacional. Com a confirmação, poderá amplificar o discurso do governador que equilibrou as contas em ano de grande dificuldade econômica para os Estados. Mais de uma vez, Perillo afirmou que o Estado de Goiás se prepara para ser o primeiro a sair da crise e os cenários estão em consolidação.
Para o ambiente interno do Estado, em ano de eleição, a base marconista precisa, e muito desse ajuste. Pelo interior, aliados sentem o desgaste causado pela falta de obras e encaminhamento de programas sociais (Renda Cidadã, por exemplo, anunciado para retomada em breve).  Coube à secretária Ana Carla efetivar um compromisso de quitação de débitos do Governo Estadual com os municípios até o final do ano.
A cobrança da Federação Goiana dos Municípios, apresentada em reunião com a secretaria da Fazenda é de aproximadamente R$ 156 milhões que seriam devidos aos municípios, pelo Estado. O valor equivale ao acumulado de 2014 a junho de 2016. Além dos repasses do PSF e do Samu, ainda apresentam atraso o Confinamento de Serviços de Saúde Mental (CSSM), o Complemento Assistência Farmacêutica (CAF), o repasse Sistema Penitenciário (SP), o Termo de Ajuste Sanitário (TAS) e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Os aliados de Perillo, no interior, esperam que o governo movimente-se mais rápido, no entanto é preciso de tempo – e é exatamente isso que os prefeitos não têm em virtude da eleição que se aproxima para dar força a aliados ou candidatos nos municípios. Economia e política, assim, caminham lado a lado.
Apesar da dificuldade, o vice governador e secretário de Segurança Pública, José Eliton Júnior, apresenta uma audaciosa expectativa de que a base aliada composta pelos partidos que apoiam o governo de Perillo conseguirá eleger dois terços dos prefeitos, em Goiás ( 148 dos 247 prefeitos).
Do governante Marconi Perillo, não deve ser desprezada a capacidade que tem de estabelecer objetivos, planejar e alcançar os resultados. Mais do que a maioria dos políticos goianos, o governante goiano também tem conhecimento de sua real condição junto a eleitores e aliados para traçar caminhos. Na atual realidade, fazer o básico é muito relevante, sem perder o foco nos grandes projetos com impacto sobre o futuro do Estado, ou seja, alcançar o déficit zero.

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