OSs passam por seleção mais rigorosa

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A busca da inovação, ao final, servirá para oferecer ao educando ensino qualificado e eficiente

O novo modelo gestão compartilhada que será implantado a princípio em 23 escolas do estado, será instaurado ainda no início segundo semestre do ano letivo. Com maior exigência no processo de seleção os estudantes serão os maiores beneficiados

Fabiola Rodrigues

O repasse de 23 escolas estaduais para serem administradas por Organizações Sociais (OSs), previsto para acontecer até o mês de setembro, ganhou novo impulso. Comandado pela Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), o processo está em andamento através de novo edital para o chamamento das OSs interessadas em se qualificar. Além da seleção estar mais rigorosa para a escolha da entidade que vai gerir as escolas, todas da macrorregião de Anápolis, o acordo técnico realizado pelo governador Marconi Perillo com representantes do Banco Mundial assegura que desta vez não terá falhas no processo a ser implantado.

A secretária de Educação, Raquel Teixeira, diz que o edital de chamamento das OSs passou por novos formatos nos critérios de avaliação e, com isso, desta vez o processo de implantação deve chegar ao fim com êxito. O primeiro semestre do ano serviu de experiência após nenhuma das 10 OSs ter sido selecionada. Desta segunda vez já são 43 entidades na disputa tetando oferecer o melhor projeto e menor custo para gerir as 23 escolas.
“Foi aberto um novo edital, temos um potencial muito grande de concorrentes; tínhamos apenas 10 concorrendo da outra vez. Hoje temos muito mais que o dobro de entidades aprovadas ou em processo de aprovação, inclusive de outros estados”, afirma secretária.
A tentativa de fazer a melhor escolha da Organização Social (OS) que vai gerir as 23 escolas é para dar qualidade de ensino aos estudantes – afira Raquel Teixeira, destacando ainda que a pontuação dos alunos da rede estadual de educação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) precisa melhorar. A média atual dos estudantes no Ideb em Goiás é de 3.8.
Para a secretária, as experiências que estão sendo apresentadas são oportunidades para aperfeiçoar o modelo de gestão das OSs. A busca da inovação, ao final, servirá para oferecer ao educando ensino qualificado e eficiente. Nessa equação, as entidades sem fins lucrativos vêm com a capacidade de gestão, agilidade, flexibilidade administrativa e suporte pedagógico.
“As únicas reformas no mundo que estão dando certo são aquelas que estão sendo geridas por cidadãos autônomos com habilidades e competências principalmente na educação”, ressalta Raquel Teixeira.
Com ousadia para mudar, a secretária inspirou-se no modelo de gestão das escolas Chaters nos Estados Unidos. A parceira realizada com o Banco Mundial acordada neste mês de junho acelera o processo de implantação das OSs na educação estadual. O acordo não envolve os recursos públicos do governo. Raquel Teixeira lembra que o apoio do banco é técnico, com o objetivo de implementação eficiente do projeto de gestão compartilhada. A contribuição da entidade na elaboração do novo edital é para que desta vez não tenha nenhuma falha no processo de implantação das OSs.


Experiência norte-americana acelera implantação em Goiás

O técnico do Banco Mundial Alex Medler está em Goiânia trabalhando com a equipe da Seduce na troca de experiências educacionais e na discussão sobre o novo modelo a ser implantado em Goiás. O sistema charters nas escolas públicas dos EUA soma mais de 100 mil unidades escolares que atendem atualmente mais de 50 milhões de estudantes com este modelo de gestão escolar.
O técnico do Banco Mundial diz que está motivado em ajudar a instaurar o modelo semelhante aos das charters school na educação em Goiás. PhD em ciências políticas, consultor sênior em reformas educacionais e especialista em escola charter dos EUA, Medler acredita que suas experiências estão sendo transferidas de forma positiva para ajudar a contribuir com o novo modelo de gestão das escolas no estado.
“Vejo que esse projeto tem dado certo ao redor do mundo. Trouxe a experiência que adquirimos em 25 anos nos EUA para servir de inspiração. Acho que a equipe da educação aqui de Goiás está muito focada em garantir, acima de tudo, que os alunos sejam bem atendidos”, diz Alex Medler.
O técnico lembra que não está vendendo um modelo de gestão escolar, mas que pretende aperfeiçoar com suas experiências o processo de implantação das OSs. Segundo ele a busca pela nova maneira de ensinar precisa ser realizada com cautela e ordem e isso exige tempo e troca de experiências – reforça o norte-americano.
“Nosso maior objetivo é servir o estudante. Um dos vários motivos da instituição desse modelo de gestão escolar é a criação de uma escola melhor e mais próxima da comunidade. Estou trazendo caraterísticas fundamentais para que o processo seja executado da melhor maneira possível”, diz, confiante, o técnico.
Raquel Teixeira diz que a Seduce quer melhorar o sistema de ensino e aprendizado e fazer com que os alunos aprendam o que têm direito de aprender na idade certa. O técnico do Banco Mundial tem interesse em acompanhar o processo de implantação das OSs estando próximo ou não. Após retornar para os Estados Unidos, Medler continuará dando suporte para os educadores do estado de Goiás, por meio de intercâmbios e videoconferências.


Órgão criado irá monitorar entidades sem fins lucrativos

O processo de implantação das Organizações Sociais em Goiás está sendo redefinido e, nessa mudança, foi instituído o Núcleo de Acompanhamento, Monitoramento e Avaliação das Organizações Sociais. Criado pela Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), será dirigido pelo gerente de Licitação, Ademar Rodrigues, e terá a função de acompanhar e avaliar os trabalhos realizados pela Organização Social (OS) no ambiente escolar.
O superintendente de Ensino da Seduce, Marcos das Neves, explica que o núcleo ainda está sendo criado formalmente e que ele é uma das mudanças que estão sendo feitas para o pleno funcionamento das OSs.
A secretária Raquel Teixeira diz que o intercâmbio com o representante técnico do Banco Mundial, Alex Medler, está permitindo que sejam definidos os parâmetros, por exemplo, de como construir uma governança na escola entre diretores eleitos e a gestão administrativa da unidade, como avançar nas práticas pedagógicas e como ter transparência na contabilidade e prestação de contas.
As mudanças que vêm sendo realizadas no processo de implantação das OSs no estado estão acontecendo sequencialmente através de processos, seletivas e editais. O Mistério Público de Goiás havia questionado alguns itens do antigo edital de chamamento das OSs. Atualmente o novo edital passa por mudanças para não ter nenhuma divergência de informações ao implantar o novo modelo de gestão escolar.
“Está bem explícito agora na própria lei estadual das OSs, que foi alterada no mês de maio: não poderão participar pessoas com processos administrativos, julgadas, com processos transitados em julgado ou não”, esclarece a secretária.
Raquel Teixeira frisa que o projeto de implantação das OSs será realizado no segundo semestre deste ano e lembra a todos que a responsabilidade política e pedagógica pela educação, em toda a rede estadual, continuará sendo da Seduce.

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