A retomada do crescimento

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A última semana indicou uma possível mudança nos rumos da economia brasileira, que, finalmente, após agonizar por praticamente dois anos, pode começar a respirar. Aos poucos, a economia brasileira parece estar ganhando confiança, essa palavrinha poderosa, imprescindível a qualquer economia forte.

Análise do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, feita durante cerimônia com empresários no Palácio do Planalto, indica que os índices de confiança na economia brasileira já estão subindo. Segundo Meirelles, isso é o “primeiro sinal” de que a economia “vai começar a andar”. O ministro disse ainda que a aprovação de medidas propostas pelo governo, entre elas a que fixa um teto para o aumento dos gastos públicos, trará “previsibilidade” a investidores e, assim, também contribuirá para a retomada do crescimento.

A base do raciocínio de Henrique Meirelles é de que confiança gera previsibilidade, que, por sua vez, trazem tranquilidade e capacidade de planejar o futuro. Sem esse ambiente seguro, os investimentos não vêm e, sem eles, o país não progride.

Nesse raciocínio, inverte-se a lógica da recessão, em que as ações ou falta delas ocorrem geralmente obedecendo o seguinte padrão: por medo de perder seu emprego, os consumidores param de comprar, o empresário para de produzir e os bancos diminuem seus empréstimos.

Nesse contexto, o governo destaca que contribui muito a “boa receptividade” do Congresso à proposta do governo de limitar o aumento dos gastos públicos, em um ano, ao índice de inflação do ano anterior. A medida valeria por até 20 anos e abrangeria inclusive as despesas com Saúde e Educação.

Contribuíram ainda, segundo a análise do Planalto, para a mudança no cenário econômico, a renegociação das dívidas dos estados com a União. O acordo permite um alongamento do prazo de pagamento das dívidas por mais 20 anos e estabeleceu uma carência no pagamento das parcelas mensais pelos estados até o fim deste ano. Em contrapartida, os estados também irão limitar o aumento de seus gastos nos próximos anos, nos mesmos moldes do que está sendo proposto para o governo federal.

Essas medidas, consideradas como estruturais, são apontadas pelo governo federal como fundamentais e devem se somar a reformas microeconômicas (como a nova proposta de governança das empresas estatais) e às mudanças no setor de petróleo (projeto em tramitação tira da Petrobras a exclusividade de operar no pré-sal), contribuindo, todas, para a restauração da confiança no Estado brasileiro.

Na análise de integrantes do governo, o mercado financeiro já tem reconhecido as iniciativas da gestão Temer na área econômica. Isso já estaria visível nas expectativas de inflação, que “estão caindo”, convergindo para atingir o centro da meta de inflação, de 4,5%, em 2017, segundo analistas.

Além disso, os indicadores do risco Brasil caíram rapidamente nas últimas semanas. Esses são, segundo o Planalto, os primeiros sinais de que a política econômica está no caminho certo.

O governo Temer tem uma ótima oportunidade de reerguer a economia nacional, mas precisa estar atento ao Congresso Nacional, ao poderio de velhos grupos que, mais que qualquer coisa, deseja apenas se perpetuar no poder, ocupando postos-chaves da República e mantendo privilégios seculares.

Manoel Messias – Editor Executivo

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