“Esse mandato que termina com minha licença é muito vitorioso”

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Foto: Paulo José

Novo secretário estadual de Governo, Tayrone di Martino (PSDB) fala à Tribuna do Planalto como pretende cumprir a sua nova missão no governo estadual. Fala também sobre a relação com o PT e com o prefeito Paulo Garcia e afirma que sua luta contra o aumento do IPTU até hoje é reconhecida pelo goianiense. Sobre a sucessão na capital, Tayrone diz que os líderes nas pesquisas são populistas e estão acostumados a fazer os discursos que o povo quer ouvir, mas não fazem o que a cidade precisa. Para ele, Giuseppe Vecci (PSDB) é o melhor porque fará governo planejado e inovador em Goiânia. Questionado se é um político apoiado pela Igreja Católica, ele responde o seguinte: “Às vezes a Igreja vê no Tayrone o perfil que a instituição pede para que os seus seguidores possam votar”.

Ronaldo Coelho e Fabiola Rodrigues


Vereador, o senhor está tomando um rumo novo na sua carreira política deixando de concorrer à reeleição para assumir a Secretaria Estadual de Governo. O convite partiu do governador Marconi Perillo, qual a orientação que ele deu nessa nova função no governo?
O governador me fez o convite para compor a equipe dele no sentido de eu poder fortalecer o governo, de estar perto da população ee fazer com que as ações de governo tenha a cara voltada para o povo, como já é de costume por parte do próprio governador. O governador ele disse claramente que ele quer que eu trabalhe muito e que quer que eu esteja perto da população e continue fazendo um trabalho conforme eu sempre fiz na vida pública, com muita seriedade.Eu só quero acrescentar que estou entrando numa secretária que está saindo uma pessoa muito respeitada, que é o Henrique Tibúrcio, muito respeitado que conseguiu fazer com que a Secretaria tivesse a aglutinação de vários projetos. Por isso, ele precisa ser valorizado e exaltado pelas ações e pelos benefícios que conseguiu fazer enquanto esteve à frente da secretaria de governo.

O senhor está assumindo uma secretaria política num ano eleitoral. Já tem ideia de como vai ser a sua atuação junto aos pré-candidatos da base do governo em Goiânia e no interior?
Na verdade, a secretaria não pode se envolver diretamente no processo eleitoral porque a gente precisa mostrar o respeito e zelo pela coisa pública. Obviamente, como um líder político e que compõe o mesmo partido político do governador, vou ter o meu trabalho político dentro do processo eleitoral e vou ajudar as candidaturas que eu acho que sejam importantes, mas eu não vou confundir isso com o trabalho da Secretaria.

Todo ano eleitoral existem denuncias e reclamações de uso de dinheiro público em beneficio de A, B ou C e há uma preocupação dos governantes de que a máquina não seja usada em benefício de nenhum candidato. Neste caso, qual vai ser a conduta do governo para evitar que a máquina seja usada?
Cumprir a Legislação. A legislação não permite que o governo priorize qualquer candidatura. O processo eleitoral precisa ser limpo para que as pessoas possam participar da eleição e escolher aquilo que é melhor para o seu município. Eu vou seguir a Legislação, e terei a responsabilidade com a coisa pública. Do ponto de vista político eu vou separar o trabalho político das obrigações que eu tenho com o exercício do cargo.

Trabalho na pasta visa efetivar ações do governo

Antes mesmo de assumir o senhor já deve ter olhado os projetos da Secretaria de Governo. Tem algum que gostaria de destacar ou alguma mudança em mente, como, por exemplo, o projeto do Passe Livre Estudantil?
Essa Secretaria é muito importante porque tem inúmeros projetos que abrangem a população, por exemplo, o Governo Junto de Você, que é esse trabalho de o governo ter ali todas as outras secretarias envolvidas no sentido de dar suporte e resultado no dia a dia da população. Eu quero avaliar e ver no que a gente pode aperfeiçoar esse projeto que já é de sucesso do governo. Nós temos na Secretaria de Governo esse projeto do Passe Livre Estudantil, que é muito importante porque dá garantia para que o estudante possa frequentar a escola. Nessa Secretaria todos os convênios de todas as prefeituras passam por ela. Então, qualquer coisa que seja feita pelo governo para atender as prefeituras a agente vai atuar. Nós temos nessa secretaria o advogado ativo, que é a garantia judicial para que a pessoa que não tem condição de pagar um advogado tenha condição de ter o atendimento do Estado. Então, nós temos uma série de coisas nessa Secretaria que vamos dar atenção e respaldo no sentido de efetivar as ações de governo.

Um dos desafios que o senhor deve enfrentar na Secretaria é levar esse Passe Livre Estudantil para todo o Estado, para as cidades do interior que estão reclamando esse benefício também.
Então, esse é um dos objetivos principais, tentar ampliar ao máximo no sentido de a gente equilibrar o que a gente tem de receita para beneficiar a população. Eu vejo que a gente precisa também tentar acabar, nessa questão do Passe Livre Estudantil, com os excessos que,às vezes, possam ser cometidos, por exemplo, a pessoa tem o beneficio, mas ao invés dela utilizar, ela passa para o familiar ou terceiros. Isso acaba tendo um custo para o Estado. Eu quero entender bem com é o projeto e o quê que a gente pode propor de alternativa.

População não quer mais candidatos populistas

O senhor conhece bem a política em Goiás. O que acha que pode acontecer em Goiânia?
Eu Goiânia eu falo basicamente de duas coisas. Pelo que a gente conhece eu falo que assusta e da tristeza, mas pelo que conheço da história de Goiânia a gente tem esperança. Quando eu falo que assusta e da tristeza, se a gente pegar os dois candidatos que estão liderando as pesquisas, os dois têem o mesmo discurso de sempre. Ou o mesmo discurso voltado para o populismo. Estão acostumados a fazer os discursos que o povo quer ouvir. Uma coisa é você fazer o discurso populista, outra coisa é fazer mais por Goiânia. Mas, por outro lado, você tem a esperança porque você tem a possibilidade de eleger nomes como, por exemplo, e aí eu defendo a candidatura do Vecci, que apresenta perspectiva de planejamento eficaz para a cidade. É um cara que se for eleito para ser prefeito da cidade vai conseguir colocar um planejamento no sentido de a cidade se desenvolver. Aí eu vejo uma esperança.

Secretário, se juntar os três candidatos da base eles não chegam a dois dígitos nas intenções de voto. O que está faltando para a população reconhecer isso que o senhor falou do Vecci?
Faltando a campanha na televisão. Faltando as pessoas conhecerem o projeto do Vecci. Faltando as pessoas conhecerem o que o Vecci fez enquanto foi contribuinte do governo Marconi Perillo para implementar os programas que estão acontecendo no Estado. Falta isso. Depois que isso for solucionado eu tenho absoluta certeza que o Vecci vai crescer e muito nas pesquisas e não tenha dúvida. Nós já tivemos casos em que em outras eleições candidatos que já tiveram índices baixos nas pesquisas e quando mostram que tem sonho, vontade, realização, planejamento e perspectiva passam a crescer e fazer a diferença no processo eleitoral.

O PSDB está fora do poder em Goiânia há muito tempo. O que está acontecendo com essa perspectiva que o senhor falou?
Primeiro porque não estava apresentando nomes. A gente vê a Lúcia Vânia como último nome apresentado pelo PSDB. Se a gente for fazer essa comparação, em 2004 o PSDB apoiou o PP, em 2008 apoiou o PP, e depois apoiou o PTB. Então, o próprio PSDB não entrou no processo depois que apoiou a Lúcia Vânia. Esse é um fator. O segundo fator é que, às vezes, a população vai insistindo em nomes que acham que estão contribuindo para a cidade, mas na hora que ela percebe que a cidade não se desenvolve ela começa ver outra alternativa e aí começa a ocorrer a grande mudança.

Uma das coisas que a gente vê falar do Vecci é que ele é um tecnocrata que sempre se preocupou em aumentar a arrecadação do Estado, cobrar impostos e punir empresários. Isso estaria atrapalhando bastante o Vecci nessa campanha…

Eu sempre falo o seguinte: a população quer resultados. Tem vários caminhos para que as pessoas possam se convencer da necessidade do aumento do imposto. Apesar de que o caminho que precisa ser seguido é o da diminuição da carga tributária. Eu acredito que o Vecci é uma pessoa que foi eleita deputado federal, mostrou enquanto deputado federal que tem capital eleitoral porque se não teria sido eleito, além de ter sido muito bem votado, ele teve muito o apoio de empresários, de funcionários públicos, pessoas que estão nos organismos da sociedade. Então, acredito que isso vem ao encontro do que a sociedade precisa.

As pessoas elogiam minha atitude”

O senhor foi do PT, a sua formação foi dentro do Partido dos Trabalhadores até chagar a vereador em Goiânia. Hoje está no PSDB. Sente-se adaptado nesse novo projeto político?
Primeiro eu sempre fui uma pessoa muito correta, verdadeira e coerente. Hoje, eu acredito que no próprio PT a maioria lamenta a minha saída. Muitas pessoas que eu converso dentro do partido falam claramente que a decisão do partido de me expulsar foi precipitada. Eu ouvi isso, inclusive, do próprio prefeito Paulo Garcia (PT). Ele disse que houve momento dentro do grupo que ele fazia e eu também, que era o grupo Articulação, para que não levasse adiante o processo de expulsão. Mas eu acho que a política é isso. As vezes tem decisões precipitadas. Fui expulso do partido e eu teria que escolher outro caminho, outro partido que permitisse seguir minha caminhada. Eu sempre disse que não queria um partido pequeno, eu queria um partido grande para construir um projeto grande. Analisando todos os partidos eu percebi que o PSDB é o partido que, inclusive, compartilha com aquilo que eu sempre acreditei. Eu acredito que o PSDB é um partido estruturado e respeitado no País e obviamente tem pontos positivos e pontos negativos, mas é um partido que mais tem acertado do que errado ao longo de sua caminhada.

O senhor retomou o diálogo com o prefeito Paulo Garcia, foi assessor de imprensa dele, tinha uma relação muito boa. Vocês têm conversado? Que avaliação faz do prefeito neste momento?
Depois que passou o processo eu fiquei quase um ano sem falar com o prefeito (Paulo Garcia). Depois disso eu fiz questão de procurá-lo para que a gente pudesse ter uma relação respeitosa. Eu acho que a gente, na política, precisa separar as questões políticas das questões pessoais. Então, eu procurei o prefeito e disse que tinha o maior respeito enquanto ser humano, por ele. Tinha alguns posicionamentos políticos diferentes em relação à forma com que foi conduzido o processo daquela votação do IPTU/ITU.O prefeito Paulo Garcia, na minha avaliação, errou muito nesse processo de gestão dele. Eu acredito que ele próprio reconhece os próprios erros dele e acredito que neste último ano ele tem acertado bastante. Ele tem conseguido superar muitos obstáculos que ele tinha, inclusive quando tinha aliança com o PMDB. Não estou dizendo que a gestão está no ideal, mas eu acho que a gente precisa ser muito justo com as pessoas e hoje a gestão está num momento melhor do que foi no ano passado ou nos anos anteriores.

Quando um político é expulso de um partido geralmente ele é execrado, fui expulso não presta, mas esta expulsão sua foi completamente diferente. Parece que ela deu foi uma upgrade na sua carreira política. Foi uma expulsão positiva para sua carreira?
Olha, eu respeito muito as pessoas do PT. Deixei lá vários amigos, mas eu não posso negar que o PT fez um favor para mim de mostrar para a sociedade que expulsou uma pessoa que votou a favor da sociedade. Então, isso para mim foi muito positivo. Eu fui expulso porque eu votei contra o aumento abusivo de 400% no IPTU. Hoje, qualquer lugar que eu vou em Goiânia as pessoas elogiam minha atitude.

O senhor deixou de ser candidato à reeleição. Como é que vai ser a sua carreira política daqui para frente, qual é o projeto, já tem algo delineado?
Primeiro, eu tenho muita clareza que esse mandato que termina com minha licença é um mandato muito vitorioso. Por exemplo, tem vereador que passa o mandato de quatro anos sem conseguir aprovar leis. Eu aprovei 30 projetos. Trinta que foram inclusive sancionadas pelo prefeito. As pessoas estavam me apoiando, em todos os lugares que eu andava eu sentia o apoio das pessoas, o que me deixou muito tranquilo com relação a uma possível candidatura. Eu teria apoio do povo, mas obviamente você precisa tomar decisões e a minha decisão é não construir carreira política no sentido de você ficar naquele mesmo cargo, naquele mesmo lugar e ficar alí só para ocupar cargo. Eu tinha muito claro comigo que eu queria contribuir com a população. Então, contribui com a população como vereador e contribui bem. Agora, na Secretaria de Governo, vou poder contribuir bem do mesmo jeito. Depois podem surgir outros espaços e se não surgir eu não estou aqui para virar carreirista da política, eu estou para os espaços públicos, quero fazer bem feito.

O senhor é um político que cresceu muito rapidamente, foi muito bem votado como vereador. A gente poderia dizer hoje que o senhoré um político apoiado pela Igreja Católica?
A Igreja Católica não apoia ninguém de forma institucional. Se a Igreja me apoiasse individualmente eu acho que isso não seria correto. O que a Igreja faz e aí eu concordo plenamente e gosto é dizer das pessoas que são sérias. Isso a Igreja reconhece muito de mim. Às vezes a Igreja vê no Tayrone o perfil que a instituição pede para que os seus seguidores possam votar.

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