“Na grande maioria dos municípios nós vamos ter disputa entre base e oposição”

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Foto: Paulo José

Presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, o deputado Helio de Sousa (PSDB) explica, em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, os motivos da antecipação da eleição da nova Mesa Diretora da Casa e fala do consenso em torno do nome de Jose Vitti, o novo presidente do Legislativo estadual. O parlamentar diz ainda que estuda maneiras de cortar ponto dos colegas gazeteiros, garante que não sobe em palanque de candidato peemedebista e afirma que essa aliança nacional entre PMDB e PSDB não chegará a Goiás nem nestas eleições, nem em 2018. Para ele, o governador Marconi Perillo está ganhando projeção nacional e pode ser a surpresa do seu partido para as eleições presidenciais.

Ronaldo Coelho, Manoel Messias e Marcione Barreira


Presidente, os deputados anteciparam a eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia para o dia 30 de junho último, o que culminou na eleição de José Vitti (PSDB) como presidente da Casa. Por que ocorreu essa antecipação?

Tem um pleito que se inicia e já existe uma movimentação lá na Assembleia com dois nomes da base do governador Marconi Perillo (PSDB) disputado. Como é que o senhor está vendo essa disputa e como avalia isso?

É uma questão pacifica. De dois em dois anos nós temos eleições. A primeira do início da legislatura é obrigatória que tem que ser no dia 1º de fevereiro porque é a data em que os deputados tomam posse. Tomam posse e escolhem a Mesa Diretora. Para o segundo período tinha antigamente uma data de 1º de fevereiro também, só que recentemente passou para outubro e agora achamos por bem fazer essa votação no mês de junho. O motivo é que devido as eleições municipais os deputados pegariam um período conturbado e aí teríamos problema. Então, a Mesa Diretora, de comum acordo, tomou a decisão em conjunto com todos os deputados para que fizéssemos a eleição no dia 30 junho.

Não é um negócio meio que dançar com a irmã essa questão de consenso num poder que representa todos os segmentos da sociedade?

Não. Não é bem neste sentido. Se você olhar o Congresso Ncional, que um ambiente de vários parlamentares, obrigatoriamente deve ter várias candidaturas. Na Assembleia nós temos 41 deputados e lá se mede duas forças: quem é governo e quem é oposição. Há uma desproporcionalidade muito grande hoje. Nós somos 31 deputados. Então, dificilmente você teria alguém da oposição com uma chapa vitoriosa.

O deputado Francisco Oliveira estava disposto a ser presidente da Casa na eleição anterior, nesta também ele tinha o desejo. Foi fácil sensibilizá-lo?

No caso da minha candidatura eu tinha uma segurança razoável do meu pleito porque era de todos os deputados, 19 tinha hipotecado apoio à minha candidatura. Daqueles novatos, pelo menos cinco diziam publicamente que iriam apoiar a minha candidatura, então eu entendo que a minha situação era relativamente confortável. Dessa vez acredito que o Francisco fez a mesma matemática. Acredito que foi até um gesto de grandeza do Francisco em não causar um racha dentro da base.

Houve interferência do governador?

Minha candidatura foi construída sem nenhuma interferência com o Executivo. Eu acredito que agora também foi resolvida dentro da Assembleia.

Corte de pontos dos faltosos pode ser implantado

Deputado, mais de uma dezena de deputados pensam em ser candidatos a prefeito e o senmhor já começa a ter problemas. Outro dia fez um discurso duro dizendo vai cortar o ponto de quem faltar às sessões. O senhor já resolveu isso, os deputados estão entendendo bem?

Alguns acham que o fato de estar visitando as bases no interior, ou no gabinete ou mesmo no Salão Nobre ele acha que está no exercício do mandato eu acho que ele está, só que nessas funções um assessor resolve essas questões. Ele fala por você. No plenário é só eu que posso fazer. Nós estamos querendo fazer dentro da Assembleia regras que façam com que o deputado encarna o seu mandato. Uma das regras, por exemplo, é publicar no portal da transparência a frequência do deputado na hora da votação. A segunda medida também é importante. Para que o projeto de algum deputado esteja na ordem do dia ele tem que estar presente no plenário, se ele não tiver nós tiramos o projeto dele. Agora, só isso não basta. Eu pretendo ter o apoio da maioria dos deputados para mudar o Regimento Interno. Porque da forma que está hoje ele não da uma segurança jurídica para eu cortar ponto dos deputados.

E aqueles que estão fazendo campanha eleitoral e não comparece à Assembleia?

Pois é, essa é a medida que a Mesa Diretora está fazendo. Nós vamos dar mais publicidade às faltas.

Outro dia eu vi um balanço na Assembleia sobre quantidade de projetos aprovados. Projetos do Executivo e projetos de deputados também. Parece ter sido um balanço positivo…

Sim. Um balanço positivo. Nessa legislatura nós estamos trabalhando em dia. Nós não temos acúmulo. Aquilo que foi apresentado no primeiro semestre nós aprovamos ou não os projetos, mas são discutidos. A capacidade de resposta em termos de projeto está sendo boa.

Aliança nacional entre peemedebistas e tucanos não chega a Goiás, afirma deputado

Deputado, o senhor é um dos parlamentares mais próximos ao governador Marconi Perillo. É presidente da Assembleia, é aliado de primeira hora do governador. Como é que está sendo a articulação do PSDB para este ano, qual é a meta da base em geral?

Eu vejo que na grande maioria dos municípios nós vamos ter a disputa entre base e oposição. Esse confronto ele está previsto e aonde a gente tem representação fica mais fácil na questão da posição daquele embate. Nós, que somos da base do governo, vamos apoiar. Agora, será mais complexo nas cidades onde tenham candidatos que pertencem a dois partidos da base. É aí que eu vejo alguma dificuldade. Porque muitas vezes você pode ter afinidade com o candidato e ele não ser do PSDB. As vezes isso é muito difícil de ser administrado. Mas você tem que tomar posição e eu acho que o político tem que ter posição.

Isso está acontecendo em Goiânia, o governador tem a preferência dele, mas tem outros dois que são da base. Vai subir em apenas um palanque, como vai ser?

Eu acho que no caso do governador é muito complicado. Acho que a leitura que devera se feita é a seguinte: aonde tiver a presença de deputados da base o governador provavelmente não vai participar de uma maneira direta. Essa é a minha leitura. Agora, no meu caso especifico, o PSDB tem candidato e no caso de Goiânia o apoio que eu vou dar é um apoio natural ao nome do meu partido que é o Vecci.

Essa aliança nacional que surgiu aí do novo governo Michel Temer, essa aproximação em nível nacional pode refletir nos estados e municípios nessa eleição?

Eu inclusive estive com o presidente da República e ele sabe que para fazer o projeto que o Brasil precisa ele necessita do apoio de todos os partidos, então ele é o presidente da união. Ao mesmo tempo ele sabe que nos estados cada um terá sua própria realidade. Nos estados e no caso de Goiás eu vejo que esta união pacifica de tentar fazer um agrupamento único em 2018 eu vejo que não vai acontecer. Vamos ter candidato do PSDB e candidato do PMDB em 2018.

Então, não refletirá nem agora e nem em 2018?

Eu acredito que não.

O senhor teria dificuldade de subir no palanque do PMDB?

Sim, para prefeito sim. Não subiria. O meu eleitor não vai entender. Eu particularmente acho que tem situação e oposição.

O senhor subiria no palanque com Ronaldo Caiado?

Veja bem. Eu fiquei 30 anos do Democratas, o antigo PFL. Eu tive oportunidade de nesse período sempre ser fiel ao meu partido e fui. Tanto que eu saí agora no mês de março e não fiz nenhuma festa. Quando eu saí eu conversei com o presidente do partido para dizer os motivos que eu estava saindo. Eu estava isolado dentro do projeto que o Democratas tem daqui para frente que estar ao lado do PMDB. A cidade que eu represento, o meu adversário é o PMDB. Então eu não teria condições de conviver e ser falso num num palanque entre pessoas que não são meus eleitores. Eu estaria traindo meus eleitores. Se o Ronaldo Caiado fosse candidato e o meu partido tivesse candidato eu não teria coragem de desonrar o meu partido para apoiar outro candidato.

Na eleição municipal se tiver PSDB e DEM…

Eu não vejo problema.

Na eleição de 2018 já serão 20 anos desse projeto político do Tempo Novo. Muita gente fala que está exaurido. O que o senhor acha?

Eu entendo o seguinte: você pode renovar sem mudar. Se você analisar aí o próprio governador Marconi Perillo fez mandatos diferentes um do outro. Bem diferentes. Eu vejo que o fato de que termos candidato nas eleições de 2018 e de já termos aí 20 anos de domínio político, desde que tenhamos propostas atuais, nós estaremos então iniciando um novo ciclo. Não precisa necessariamente renovar a pessoa e nem de partido. Basta que se renove a proposta e não o governo. Então eu acho que o ciclo não acabou.

Marconi pode ser a surpresa do PSDB para 2018

Na sua visão o que significou essa renegociação das dívidas do Governo Federal com os estados?

No caso de Goiás nós temos previsão de suporte de caixa de R$ 1 bilhão daquilo que nós vamos deixar de pagar para o Governo Federal. Além de jogar de 10 para 30 anos, daqui até o fim do ano nós temos uma carência. Isso dá um suporte para o governador fazer um novo ânimo na administração. Para alguns estados representa apenas uma sobrevida. Para nós representa a certeza que nós vamos continuar com um investimento forte para o Estado.

Em 2018 o PSDB vai ter candidato a presidente, como vocês estão pensando sobre sse assunto?

Eu diria que nós temos quatro lideres hoje a nível de Brasil. Geraldo Alckmin, Aécio Neves e José Serra, o quarto é Marconi Perillo. Como o povo brasileiro quer mudanças e o Marconi representa o novo eu vejo que ele tem chance em 2018. Essa liderança ela está acontecendo de maneira natural e eu diria que nós temos governos no Centro-Oeste brasileiro, no Norte do País e um ou dois estados do Nordeste que já defendem um projeto maior para o Marconi Perillo. Esse é um fato concreto. Esse Consórcio Brasil Central, do qual ele é um dos lideres, e essa renegociação das dívidas dos estados ele foi o principal interlocutor. Então. O Marconi passa a ser enxergado por diversos líderes. Eu vejo que Marconi pode ser a grande surpresa em 2018.

O senhor acha que essa aliança PMDB/PSDB em nível nacional não dura muito tempo?

Nada em política está demonstrado que é impossível. Tudo é possível. Agora, a gente tem que fazer o trabalho do nosso lado e tentar compor com o nosso projeto. Se hoje o PSDB está apoiando o projeto do PMDB, quem sabe em 2018 o PMDB apóie o projeto do PSDB.

Novo prédio da Assembleia só no próximo mandato

O novo prédio da Assembleia Legislativa será inaugurado na sua gestão?

Não. Eu não vou inaugurar. Aquela obra foi iniciada em 2005. Fez um pequeno trabalho e depois ficou parada praticamente seis anos. E depois, quando eu assumi, estavam lá mais ou menos 20% da obra. Eu sou uma pessoa que aprendi que a coisa mais importante numa obra pública é você não ter qualquer questionamento da construção de uma obra. Montei uma equipe dentro da Assembleia para me respaldar para que a gente não errasse na construção do ponto de vista legal e, ao mesmo tempo, conversando com o Tribunal de Contas do Estado e com o Ministério Público,vimos que era impossível que uma obra iniciada há 11 anos tivesse condições de ser terminada com os mesmos quesitos porque as mudanças estruturais eram visíveis do ponto de vista de acabamento e até de tipo de materiais que seriam usados. Então, nós procuramos a empresa para que, de maneira consensual, a gente pudesse encerrar o contrato e fazer uma nova licitação. Encerramos o contrato. Terminada a essa fase foi sugerido que eu teria que fazer um laudo técnico da obra, que está sendo feita neste momento, para se evitar que no futuro a obra desse qualquer problema na construção. Nesse momento nós temos uma licitação. Feito isso, vamos fazer a licitação. Então, eu vejo que ela deverá ser concluída no próximo mandato.

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