“A integração é o caminho para a segurança pública”

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Fotos: Paulo José

Conhecido por ser homem operacional, o delegado Álvaro Cássio dos Santos, 58 anos, assumiu a Delegacia-Geral de Polícia Civil dia 1º de março deste ano para comandar uma instituição que tem a missão de apurar milhares de crimes que ocorrem quotidianamente em todo o estado. A missão não é fácil, principalmente porque falta delegado, agente, escrivães. Mas isso não o desencorajou. “O secretário [de Segurança Pública, José Eliton], quando me chamou para a Delegacia-Geral, me perguntou: ‘Você acha que tem condições de melhorar o desempenho da Polícia Civil com o que temos?”, conta. Ele então deixou o comando da Delegacia Regional de Anápolis para aceitar o desafio. A partir de então, está empenhado em reduzir a criminalidade em Goiás, através da elucidação de crimes e realização de operações para prender criminosos.

Manoel Messias e Daniela Martins

Tribuna do Planalto – O senhor assumiu a direção da Polícia Civil num momento em que a área de segurança pública estava – e continua de certa forma – fragilizada, com elevados índices de criminalidade por todo país e Goiás não foge à regra. Nesses quatro meses, já há resultados a mostrar?

Álvaro Cássio dos Santos — Sem dúvida nenhuma! Dia 1º de março, tive o privilégio de ser escolhido delegado geral da Polícia Civil do Estado de Goiás, mas tenho dito que o privilégio maior foi ter o nosso vice-governador, Dr. José Eliton, como secretário de Segurança Pública. Com isso, ficou demonstrado claramente que o governo estava preocupado com a segurança pública e com os olhos voltados para esta área. Eu me surpreendi com a determinação, a dedicação e a força de trabalho do secretário de Segurança Pública. Com a renovação, motivação dos agentes, escrivães, enfim, de todos os policias, foi possível conseguir esta queda dos indicadores da criminalidade. É preciso ainda ressaltar o trabalho de integração com as demais forças policiais.

Houve redução nos índices de crimes graves, como homicídio?
Exatamente. Definimos os dez crimes de maior gravidade e conseguimos que todos tivessem uma queda significativa nesses quatro meses. E ainda queremos melhorar mais, com muito trabalho, dedicação de todos os policiais do Estado de Goiás.

Para esclarecer para quem não é da área. O homicídio, em geral, é um crime de difícil prevenção para toda a Segurança Pública. A Polícia Militar trabalha muito com a apreensão de armas, retirando foragidos de circulação, e a Polícia Civil faz a investigação, após o crime ocorrido. Então, desvendando crimes ocorrido, a polícia prende o criminoso e diminui a criminalidade.

Exatamente. Daí a importância do trabalho integrado, que é o caminho. A Polícia Militar faz a sua parte, na prevenção, e a Polícia Civil faz a sua parte trabalhando com troca de informações, integrando as inteligências. Então, isso tem provocado esses resultados positivos no Estado de Goiás. Por onde passei, sempre trabalhei integrado às demais forças de segurança pública. A integração é o caminho, fortalece, e quem ganha é a sociedade.

A unificação das forças de segurança, especialmente das polícias Civil e Militar, é o próximo passo para a melhoria da segurança pública? Há essa possibilidade, ou ela é remota ainda?
Acredito muito mais na integração. A integração está dando resultado no Estado de Goiás. Agora, estamos buscando a integração com os estados limítrofes a Goiás, através do Consórcio Brasil Central. Estamos integrando as inteligências. Hoje mesmo está sendo desencadeada uma grande operação integrada com alguns Estados e os resultados são altamente positivos.

P5-3“O vice-governador tem aberto as portas para a melhoria da Polícia Civil”

Como dirigir uma polícia que conta com apenas um terço do efetivo necessário?
A primeira ação do nosso secretário de Segurança Pública foi anunciar um concurso público. Agora, dia 22, já será lançado o edital para mais 500 vagas, sendo 280 para agentes e 220 para escrivães. A Polícia Militar lançou concurso para 2.500 soldados, bombeiros… E, o mais importante para a Polícia Civil, houve a nomeação de 50% dos peritos e o restante será nomeado em agosto ou setembro. Isso também vai ser um facilitador para dar maior celeridade aos inquéritos policias. Já foi anunciado que, agora em agosto, serão nomeados 50% dos papiloscopistas aprovados. Isso é um avanço significativo. Por isso digo que tive o privilégio de ser o delegado-geral com o vice-governador, que tem aberto as portas para a melhoria da Segurança Pública, para a melhoria da Polícia Civil.

Ainda assim, o número é aquém do ideal, já que segurança não pode esperar. Esa é uma equação que precisa de mais agilidade?
Com certeza. O nosso secretário tem consciência disso. Tanto que já anunciou que no final de 2017, início de 2018, já vai dar o start em outro concurso para a Polícia Civil.

Contratar policiais com salário de R$ 1.500,00 não é uma opção arriscada para uma instituição que trata com importantes investigações, crimes patrimoniais de grande vulto, crimes contra a Administração Pública?
Olha, agente substituto não é uma inovação de agora. No último concurso, nós tivemos delegado substituto e nem por isso a qualidade do serviço da Polícia Civil caiu. Então, são R$ 1.500 iniciais, mas a pessoa pode fazer trabalhos extraordinários, tem a gratificação do Entorno do Distrito Federal. No final, esse salário pode ser, consideravelmente, muito maior do que isso. Basta a pessoa ter determinação e vontade de trabalhar.

“Goiás é vanguarda em transparência na segurança pública”

A nova plataforma de dados estatísticos de crimes registrados em Goiás é importante para o cidadão saber como anda o trabalho dos órgãos de segurança?
O Estado de Goiás, mais uma vez, sai na vanguarda do Brasil. Vai ser o mais transparente de todos os Estados brasileiros. Qualquer cidadão, qualquer jornalista, qualquer estudioso pode acessar e terá todos os dados. É transparência total. É um grande avanço. Antes, os profissionais de comunicação tinham que esperar. Agora, lá da redação mesmo, do jornal, ele poderá acessar todos os dados.

Constantemente, vemos denúncia de delegacias sucateadas, precisando de reforma. Esse problema está sendo resolvido?
No ano passado, na administração anterior, já foram feitas várias reformas e ampliações em delegacias, através do Programa Estadual Dinheiro Direto nos Quartéis e Delegacias (PDDQD). Em Goiânia, ampliamos e reformamos o 20º e o 21º Distritos Policiais. Em Anápolis, ampliamos e reformamos a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Em Goianésia, foi feita uma delegacia. Então, os avanços estão acontecendo. Para este ano ainda, já tenho a autorização do secretário de Segurança Pública para reforma e ampliação de mais cinco delegacias.

Há solução à vista para o problema de presos lotando carceragens de delegacias?
Temos avançado significativamente para mudar essa realidade. Ainda no mês passado, a Agência Prisional assumiu o presídio que estava sob a guarda da Polícia Civil em Mara Rosa. Então, hoje há pouquíssimas cidades em que a Polícia Civil ainda está cuidando de presos.

A tendência é que zere?
A tendência é que zere, principalmente com a nomeação do agentes penitenciários, que foram aprovados no concurso e que estão aguardando essa nomeação.

“Sou favorável ao cidadão ter o direito de se defender”

 O senhor acha que a maioridade penal deve ser revista, para a punição mais rigorosa no caso de crimes graves cometidos por menores de idade?
O Estatuto da Criança e Adolescente tem de ser aprimorado. Aos 17 anos, um menor hoje comete um crime gravíssimo e fica somente três anos internado. Mas a preocupação maior da Polícia Civil, que é também uma preocupação do secretário de Segurança Pública, que encampou essa luta, é a construção de presídios. Temos buscado sensibilizar o governo federal para a necessidade de construir mais presídios. Hoje não temos nem presídios para os maiores. Precisamos, então, primeiro enfrentar, com muita determinação, muita força de vontade, essa questão de presídios. Nós precisamos construir mais presídios.

Hoje a gente vê, inclusive pelas redes sociais, uma mobilização nacional no sentido de flexibilização do Estatuto do Desarmamento. Um dos argumentos básicos é que o criminoso tem acesso à arma e o cidadão tem maior dificuldade, mais rigor, porque tem de cumprir a lei. Qual sua opinião?
Sou favorável ao cidadão de bem poder ter o direito de se defender. O próprio bandido tem grande facilidade. Sou favorável a essa questão. Hoje é muito difícil o cidadão de bem possuir uma arma. É uma burocracia muito grande que já desanima qualquer cidadão a correr atrás para regularizar sua situação com relação ao porte de arma.

O senhor é favorável à flexibilização…
Sim, seria facilitar que o cidadão de bem possuísse uma arma.

A Lei Maria da Penha, que está completando 10 anos, tem conseguido seus objetivos?
Sim. Essa lei já evitou que muitas mulheres fossem violentadas, agredidas, mortas, prevê um tratamento mais duro contra o agresor. Mas precisamos avançar, e um dos avanços é o projeto de lei complementar que está no Senado e que permite à Autoridade Policial afastar o agressor, em caso de risco imediato, através da aplicação das medidas protetivas de urgência.

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