O adeus de Iris Rezende

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Iris Rezende anunciou fim de uma carreira política iniciada na década de 1960 em Goiás

Com 82 anos de idade, Iris garante que desta vez não tem volta. Anúncio pegou aliados de surpresa, já que o nome dele era apontado como certo para concorrer à Prefeitura de Goiânia este ano

Manoel Messias

Figura inseparável da política goiana desde a década de 1960, o ex-governador, ex-senador, ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende anunciou na terça-feira passada, dia 5, o fim de sua carreira política. Vista com desconfiança por alguns, a decisão parece ser definitiva, especialmente quando se leva em conta a idade do peemedebista, 82 anos.

O anúncio pegou aliados de surpresa, já que o nome de Iris era apontado como certo para concorrer à Prefeitura de Goiânia. Aliás, seria o retorno de Iris à prefeitura, cargo a que renunciou para se candidatar – e ser derrotado – a governador de Goiás em 2010, situação que se repetiu em 2014, com nova derrota para Marconi Perillo.

“Conhecido o resultado da última eleição para governador, em 2014, tomei uma decisão, de foro íntimo: encerrar ali minha carreira política com a consciência do dever cumprido”, declarou Iris em carta a Goiânia.

“Nos últimos meses, porém, com o surgimento do meu nome com destaque em pesquisas eleitorais, percebi o interesse de uma parcela importante da população de Goiânia para que eu pudesse rever minha posição e considerar uma nova candidatura a prefeito de Goiânia nas eleições de outubro próximo. Refleti muito nos últimos meses e concluí, enfim, que realmente devo finalizar a minha caminhada política”, explicou na carta.

Em entrevista coletiva, Iris garantiu que não há chance de voltar atrás, como ocorreu em 2014. Naquele ano, quando o empresário Júnior Friboi também era pré-candidato, ele chegou a anunciar desistência, depois recuou e acabou disputando a eleição para governador de Goiás.

Nos bastidores, acredita-se que as sucessivas derrotas em nível estadual – o PMDB perdeu todas as disputas ao Palácio das Esmeraldas desde a eleição de 1998 –, a conjuntura nacional, com velhos caciques – especialmente peemedebistas – sendo desalojados do poder e alguns com pedido de prisão, pesaram bastante na decisão de Iris. Em nível regional, Iris perdeu o comando do PMDB para o grupo do ex-governador e prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, que emplacou seu filho, deputado federal Daniel Vilela como presidente da legenda.

Acompanhado de correligionários como o presidente do partido em Goiânia, deputado estadual Bruno Peixoto, e o vice-prefeito da capital, Agenor Mariano, e vereadores, Iris declarou também que não vai dar palpite nas eleições nem participar da campanha eleitoral deste ano.

“Que o PMDB faça o que quiser. Estou desistindo de ser candidato e não vou entrar nisso”, falou.

Ronaldo Caiado afirma que Iris Rezende “é um político nato”
Ronaldo Caiado afirma que Iris Rezende “é um político nato”

Caiado diz que tentará convencer peemedebista a disputar eleição

O senador Ronaldo Caiado (Democratas) garantiu durnte em entrevista à Rádio 730 que irá insistir para que o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) reveja sua intenção de desistir da disputa à sucessão na Prefeitura de Goiânia. Para o parlamentar, o caos administrativo da capital e o momento político delicado do Brasil não permitem este recuo, considerando principalmente a ampla experiência política e administrativa do peemedebista.

“O ex-prefeito está bem de saúde, com todas as condições para participar do processo político eleitoral. Você há de convir que não é o momento para recuos”, disse aos jornalistas Rubens Salomão e Cléber Ferreira. “Li a carta em que ele afirma sua renúncia mas acho muito difícil Iris se aposentar. Não é o perfil dele. Ali ele esboçou muito mais uma preocupação, uma decepção. Iris é um político nato. Ele tem um carinho especial por Goiânia e sei que vai analisar a situação que a cidade está vivendo”, disse.

Ronaldo Caiado diz que irá procurar Iris Rezende para uma conversa nos próximos dias, com a intenção de fazê-lo repensar sobre o seu posicionamento. “As decepções existem em qualquer setor mas não é muito característica dele sair do embate, principalmente no momento em que ele sabe que existe disposição enorme em apoiá-lo”, reforçou.

O parlamentar se encontrou com o ex-governador na semana passada para uma conversa informal e disse que, em momento algum, sentiu sua disposição em deixar a vida política. “Conversamos mais de uma hora. Lógico que ele estava refletindo sobre o momento político, as decepções, as ansiedades que a vida política tem trazido. Mas hora alguma transpareceu que poderia abrir mão da continuidade da vida política. Hora alguma”, reforçou.

Para o senador, o encaminhamento político este ano será de extrema importância para a condução dos caminhos em 2018. “A posição de Iris é fundamental agora até porque seria uma alavancadora do processo de 2018. Sabemos que ele é um líder experiente, bom gestor e reconhecido nacionalmente”, completou.

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