“Estou pronto para ser prefeito de Anápolis”

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Deputado estadual Carlos Antônio: “A população anapolina me quer candidato”

Eleição para prefeito de Anápolis, maior município do interior de Goiás, atrás de Goiânia e Aparecida de Goiânia, costuma ser imprevisível, principalmente pela dificuldade que a base de apoio ao governo estadual costuma ter em emplacar um nome. O deputado estadual Carlos Antônio quer mudar essa escrita. Recém-filiado ao PSDB, ele chega trazendo a força do eleitorado das classes C e D, principalmente, onde tem grande penetração. Espera, assim, vencer resistências e, com as bênçãos do governador Marconi Perillo, chegar à cadeira de prefeito. Eleito o vereador mais bem votado em 2008, ficou apenas dois anos na Câmara, indo para a Assembleia Legislativa após ser eleito, em 2010, deputado estadual com 17 mil votos; em 2014 foi reeleito com 28 mil votos. Na primeira eleição de deputado, Carlos Antônio, que é radialista, oriundo do Maranhão, teve 95% dos votos em Anápolis; na reeleição, dos 28 mil votos, teve 16 mil em Anápolis e 12 mil fora do município. Mas em compensação, foi o mais bem votado na cidade. No próximo dia 3, ele deverá ter seu nome formalizado em convenção como candidato do PSDB e partidos aliados. A partir daí, começa a campanha.

Ronaldo Coelho e Manoel Messias


Tribuna do Planalto – O Sr. se elegeu vereador e, logo em seguida, deputado estadual duas vezes, sempre em votações crescentes e surpreendentes. Agora chega ao PSDB e já sai candidato pela terceira maior cidade do estado. Chega na disputa pra valer?

Carlos Antônio – Sem dúvida. Crescendo cada vez mais, até porque enquanto estava no Solidariedade, quando houve a decisão de meu retorno ao PSDB (onde comecei minha carreira política como candidato a vereador em 2004), unimos o PSDB com o grupo político que eu já pertencia e o PSDB já possui lideranças de renome na cidade e no estado, como o ex-prefeito Adhemar Santillo, Ridoval Chiareloto, Onaide Santillo e tantos outros nomes importantes. Se você junta duas forças, o resultado é sempre positivo.

De qualquer forma, o Sr. chegou há poucos meses no PSDB. A base está unida em torno de seu nome?

A perspectiva de vitória na eleição deste ano faz a união. O PSDB, que tentou diversas vezes ganhar a Prefeitura de Anápolis, está vendo, na união dessas forças – as que já estavam no partido e as que estamos trazendo – uma grande possibilidade de vitória. E como é interesse do governador ganhar a prefeitura em Anápolis, o PSDB comandar a prefeitura, isso faz com que a união da base se fortaleça em torno do nosso nome para a eleição deste ano.

Qual é o perfil de seu eleitor?

Eu tenho uma penetração muito forte principalmente nas classes C e D, que é o povo e onde se encontra grande parte do eleitorado, o povo que elege, como popularmente se diz.

O Sr. não teme resistência ao seu nome em outros segmentos, nos formadores de opinião, por exemplo, empresários, patronato, eleitores da classe A e B?

Não, porque o PSDB acaba sendo meu fiador nessa classe, porque é inquestionável a história de um Adhemar Santillo, do Ridoval Chiareloto, ex-presidente da Acia, secretário de Estado, do pastor Vitor Hugo. Então nessa soma de valores, nessa união é que está a grande aposta da nossa vitória

O Sr. já tem um discurso pronto pra campanha, que já está chegando?

Tudo que é pré-fabricado corre um risco muito grande. É preciso sentir o que se vai dizer, à época e para quem. Em política, se você tiver um discurso universal, se irá dizer coisas para quem não precisa e tropeçar naquilo que não há necessidade. Então acredito que estou preparado, principalmente devido às reuniões que temos feito diariamente. Estamos preparados. Tirei o ano de 2015 pra me preparar pra ser candidato a prefeito de Anápolis. Para se ter ideia: fiz curso de Gestão, visitei sete cidades do porte e vocação semelhante a Anápolis. Buscamos conhecimento para estarmos com um discurso preparado, mas não pré-fabricado.

Então o Sr. está pronto pra ser prefeito?

Estou pronto pra ser prefeito de Anápolis.

A força da opinião popular me credencia a concorrer”

Uma pesquisa recente apontou o atual prefeito de Anápolis em primeiro lugar em intenção de voto e o Sr. na segunda colocação. Esse é o quadro real?

Não. Há muito questionamento – não da minha parte, porque estar em segundo em toda pesquisa que o PT realiza me dá uma expectativa de estar no segundo turno, que é uma nova eleição. Mas a cidade de Anápolis questiona esses números, porque nenhuma outra pesquisa apresenta esse resultado, especialmente quando a única pesquisa destoante das demais é aquela contratada pelo partido que aparece em primeiro lugar. Queremos então a realização de uma pesquisa neutra, para que se divulgue um resultado verdadeiro.

Nas pesquisas internas do PSDB, o Sr. está na frente?

Não só nas pesquisas do PSDB, mas também nas de outros candidatos.

Sua carreira tem sido meteórica e sempre com votação crescente. Essa é sua credencial para chegar no PSDB e já sair candidato a prefeito?

Eu costumo dizer que o passado serve pra nos trazer até aqui, até o momento atual. O que me credencia a ter a indicação do PSDB é a preferência popular. Hoje temos uma indicação popular e foi exatamente isso que me fez candidato, a indicação de que a população anapolina me queria candidato a prefeito nesse momento. Essa força que vem da opinião popular me credencia a concorrer, me deixa tranquilo a entrar na disputa.

“Vamos fazer uma campanha propositiva e pra isso é que estamos preparados para apontar soluções”

Já detectamos dois gargalos:saúde e segurança pública”

O projeto “Eu quero opinar” busca justamente potencializar esse lado de contato com o povo e as demandas populares?

Estamos levando esse projeto em 45 edições em todas as regiões de Anápolis (já realizamos 28 reuniões), pedindo a opinião da população, daquilo que ela quer ver incluído no nosso programa de governo. Estamos ouvindo a população, buscando na população aquilo que vamos colocar no nosso programa de governo. E já deu pra detectar que temos dois gargalos em Anápolis: saúde e segurança. Ou seja, sabemos que qualquer administração a partir de 2017 terá que focar muito para resolver os problemas de saúde e segurança em Anápolis.

E o Sr. já tem alguma ação delineada pra melhorar a saúde?

Temos. Contamos com técnicos na área da saúde e segurança que estão nos municiando com informações para preparação do programa de governo. Vamos apresentar alternativas para a população de solução de problemas e tenho certeza que a população vai abraçá-las.

Na área de saúde, por onde passa a solução dos problemas?

Em Anápolis, temos problemas na marcação de consulta e na marcação de exames, atendimento, oferta abaixo da demanda. Todos esses pontos serão atacados. Vou dar um exemplo: um médico plantonista em Anápolis recebe R$ 527,00; Goiânia paga o dobro disso; Brasília, quatro vezes. Ou se melhora essa remuneração ou não teremos médicos trabalhando em Anápolis. Hoje falta médico em Anápolis porque esse profissional é mal remunerado. Isso vamos resolver. Falta recursos? Sim. Mas também há despesas e gastos desnecessários. Então iremos cortar o que for desnecessário para fortalecer e atender a necessidade de contratação de médicos e outros pontos que a área de saúde está requerendo.

O que o Sr. como prefeito pretende fazer na área de segurança pública?

Cumprir a frase completa “Segurança pública é dever do estado e responsabilidade de todos”. Então, vamos propor parcerias nesse sentido. Já estamos na pré-campanha comunicando à população que vamos implantar a Guarda Civil em Anápolis, que, aliás, já funciona muito bem em municípios como Senador Canedo e Aparecida de Goiânia, como uma sustentação do sistema oficial já existente. Com isso, vamos possibilitar que os policiais que estão em prédios públicos possam ir pra rua e a própria Guarda Civil, que pode andar armada, pode exercer em muitos casos o papel de polícia. Então o primeiro ato para melhorar a segurança pública em Anápolis é implantar a Guarda Civil.

O Sr., como presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da Assembleia Legislativa de Goiás, tem projeto para esta área em Anápolis?

Sim. Entendemos que atender a criança e o adolescente passa pelo fortalecimento da educação, por isso queremos melhorar a qualidade do ensino. Para tanto, vamos reeditar programas importantes que fizeram história em Anápolis, como o Programa Dom Bosco, para absorver o tempo ocioso do adolescente. Vamos desenvolver ações, como o combate às drogas, para que a criança e o adolescente se desenvolvam em um ambiente saudável e propício para que se tornem cidadãos.

Marconi tem sido um companheiro de primeira ordem”

A sua candidatura conta com apoio de vários partidos da base aliada do governo estadual. O governador Marconi Perillo tem dado suporte ao seu nome?

Tem sido um companheiro de primeira hora, até nos surpreendendo, fazendo muito mais do que a gente esperava, até porque ele tem o estado todo para dar atenção. Mas Anápolis é a menina dos olhos do governador. Então ele tem dado a sustentação, tem conversado com partidos da base, tem sido um conselheiro de primeira hora. Eu não tenho dúvidas da importância e do envolvimento do governador Marconi Perillo nas eleições de Anápolis este ano.

Como candidato, Marconi é muito bem votado em Anápolis, mas esse sucesso não se repete quando ele pede voto para candidato a prefeito. Como o Sr. pretende enfrentar essa situação?

O governador, como você bem disse, é muito querido na cidade de Anápolis e ter o apoio dele, sem dúvida alguma, nos fortalece. Por alguma razão, num momento do passado, candidatos apoiados pelo governador não ganharam, mas hoje existe uma aposta imensa de que estaremos nessa condição de vitória, porque eu já trago comigo uma significativa aceitação popular. Não é só a carga do PSDB em cima da nossa candidatura, eu trago um patrimônio eleitoral, que ajuda bastante. Aquilo que o PSDB tem somado com o que a gente conquistou ao longo do tempo na militância política acaba dando uma perspectiva de vitória muito grande.

O Sr. é oposição ao atual prefeito. A campanha será mais propositiva, o Sr. vai questionar os pontos negativos da gestão atual?

Numa disputa política, é preciso mostrar o que está errado para apresentar a alternativa, a solução. Claro que não vamos ter baixaria, não vamos para o lado pessoal, vamos fazer uma campanha propositiva e pra isso é que estamos preparados para apontar soluções e alternativas novas para aquilo que não deu certo.

O cenário político nacional, com manifestações contra a corrupção, impeachment da presidente, operação Lava-Jato, prisões de políticos, potencializado pela massificação das redes sociais, tudo isso terá influência na campanha deste ano?

Sem dúvida. O problema será municipalizado. Em Anápolis, que é administrada pelo PT, não dá pra se fugir do que está ocorrendo em nível nacional, que de alguma forma reflete no município. Isso será trazido à tona, não tenho dúvida, e tem reflexo, tanto que qualquer pesquisa aponta uma rejeição enorme ao Partido dos Trabalhadores.

E esse cenário também exige um maior preparo dos candidatos…

Se você não tiver zelo pela sua postura política, pelos seus atos, certamente será julgado por isso.

A chapa majoritária já está fechada?

Sim. O indicado para candidato a vice é o pastor Elismar Veiga, do PHS, testado em urna, que era o perfil que a gente queria. Além da bagagem eleitoral, que é importante, ele traz consigo o segmento evangélico.

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