Idosos encaram desafio da formação superior

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Aposentada Raimunda Alves: “Estou chegando no final de uma jornada estudantil que me mudou para melhor sem dúvida”

Com mais de 60 anos, eles recuperam o tempo perdido e, com dedicação nos estudos, buscam o aprimoramento pessoal fazendo um curso superior

Fabiola Rodrigues

O sonho de fazer um curso superior, de explorar novas áreas de conhecimento ou de simplesmente continuar aprendendo são motivos que levam idosos a voltar para a sala de aula. Atualmente a Universidade Federal de Goiás (UFG) tem 38 estudantes com idade acima de 60 anos, em diferentes cursos de graduação. O longo período longe da sala de aula é um desafio a ser superado.

Professor do Curso de Pedagogia da UFG, Carlos Cardoso diz que os idosos estão buscando novas perspectivas de vida relacionadas à aposentadoria. Eles querem recuperar o tempo perdido e investir nos estudos.

“A busca para realizar os sonhos que ficaram para trás está levando pessoas com idade mais avançada a procurar as universidades. Existem também aqueles que já são formados em outras graduações e aproveitam o tempo disponível para se formar em outros cursos”, diz Carlos Cardoso.

O professor avalia que a inserção de idosos no meio acadêmico, além de promover participação social, escolarização e profissionalização, representa a realização e valorização pessoal, ainda que eles não queiram atuar no mercado de trabalho. As experiências levadas para a sala de aula são um diferencial para as turmas.

“A convivência com eles é muito significativa no sentido humano, pois são pessoas que têm muita experiência e enriquecem o grupo. É preciso trabalhar metodologias que valorizem essas histórias para ajudar eles a superar as dificuldades cognitivas”, comenta.

Doutor em Educação, Carlos Cardoso observa que a quantidade de estudantes idosos nas universidades tende a aumentar significativamente nos próximos anos, contribuindo para uma maior heterogeneidade no perfil dos acadêmicos em sala de aula. No último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mais de 400 pessoas com mais de 60 anos fizeram a prova com o desejo de conquistar uma vaga na universidade.

“São pessoas fáceis de trabalhar. Além de serem muito esforçados, gostam de participar de tudo nas aulas. A universidade está de portas abertas para recebê-los”, comenta, animado o professor.

Sonho realizado aos 73 anos de idade

Raimunda Alves Rocha, de 73, anos está cursando o último período do curso de Ciências Sociais na UFG. Depois de ficar fora da sala de aula por mais de 22 anos, em 2005 ela concluiu o ensino médio por meio de supletivo. Quando se sentiu segura em 2009 após estudar somente em casa, foi aprovada no vestibular e no ano de 2010 ingressou na universidade.

“Queria testar minha capacidade. E consegui mesmo depois de longas paradas na carreira estudantil. Mesmo na faculdade, parei por um tempo, mas agora estou chegando ao fim de uma jornada que me mudou para melhor sem dúvida”, diz, emocionada.

A estudante relata que progrediu bastante em todos os sentidos de sua vida. A rotina de levantar cedo e pegar o ônibus que sai da cidade de Nerópolis rumo à universidade não é sacrifício, pois o desejo de conquistar o diploma aumenta a cada dia.

“Estou formando nesse mês de julho. Já apresentei todos os trabalhos, falta bem pouco para eu encerrar esta fase da minha vida. No passado não tive tempo porque tive que criar meus três filhos sozinha, cuidar da casa e do trabalho, mas agora estou realizada”, comemora.

Mesmo aposentada, Raimunda Alves precisou abrir mão do trabalho como massoterapeuta, para se dedicar aos estudos, mas, prestes a realizar o grande sonho, ela não tem dúvidas de que o esforço valeu a pena. Ela agora já pretende fazer outro curso superior, na área de artes.

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