Não basta ser contra o aumento de impostos

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Nada menos que 81% de brasileiros acham que o governo já arrecada muito e não precisa aumentar impostos para melhorar os serviços públicos. A informação faz parte de uma pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (Ibope), divulgada no último dia 12. Foram entrevistadas 2.002 pessoas em 143 municípios, entre os dias 17 e 20 de março.

De acordo com o levantamento, o percentual de brasileiros que consideram os impostos no Brasil muito elevados passou de 44% em 2010 para 65% em 2016. Os que consideram que os impostos vêm aumentando muito subiram de 43% em 2010 para 83% este ano. Além disso, 70% concordam que a baixa qualidade dos serviços públicos é mais consequência da má utilização dos recursos do que da falta deles.

Para 84% dos entrevistados, os impostos no Brasil são elevados ou muito elevados e 73% são contra o retorno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Para 80% dos entrevistados, o governo deve reduzir as despesas atuais para diminuir os déficits orçamentários e 59% consideram que os gastos públicos subiram muito nos últimos anos.

Entre os que recomendam o corte de gastos, a prioridade deve ser reduzir o custeio da máquina pública e os salários dos funcionários públicos, na opinião de 32% e 22%, respectivamente.

Para os que acham que o governo deve manter os gastos, foram apresentadas três opções para estabilizar as contas. E 42% disseram que o governo deve vender ou conceder bens e estatais à iniciativa privada, 17% defenderam a criação de impostos e 12% acham que é melhor aumentar a dívida pública. Outros 30% não souberam responder.

Quanto menor a instância de governo, maior a percepção da população de que o dinheiro é bem utilizado. A pesquisa apurou que 83% consideram que os recursos federais são mal utilizados ou muito mal utilizados pelo presidente da República e seus ministros. O percentual cai para 73% quando se analisa o orçamento estadual e para 70% quanto se verifica o municipal.

A sinalização de que, quanto mais elevada a instância de governo, maior a percepção de que os recursos são mal utilizados deve ser vista como um indicador de que precisamos de transparência no trato com o dinheiro público. O Brasil ainda está engatinhando em termos de transparência, porque não basta disponibilizar dados sobre contas públicas, gastos, arrecadação. É fundamental a população, em maior número possível, estar acompanhando, ter conhecimento da real situação financeira do poder público, para que possa fiscalizar, avaliar e sugerir melhorias no serviço público.

Não basta ser contra o aumento de impostos. Acima de tudo, é preciso exigir que os recursos públicos hoje existentes tenham destinação correta, sem desvios ou má utilização.

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