Pobre campanha. Pobre?

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Altair Tavares – Rádio 730

A nova legislação eleitoral que impede a doação de empresas para campanhas eleitorais já tem provocado uma nova realidade nas estruturas das candidaturas a prefeito e vereador de todo o país. A reclamação dos candidatos é generalizada quanto à falta de recursos agora, na pré-campanha, e não será diferente durante a campanha propriamente dita, após o registro das candidaturas. A pobre campanha exigirá muito dos candidatos no convencimento, mas, efetivamente, vai acabar com o poder econômico nas eleições?

Em diversas campanhas, o site Às Claras evidenciou uma realidade contabilizada nas campanhas eleitorais passadas: Quem arrecadou mais, e investiu mais, nas estruturas candidaturas conseguiu consolidar vitórias. Em síntese: Quem tinha dinheiro, ganhava a eleição. A análise das prestações de contas mostra com clareza – e sem avançar em dados do caixa dois das campanhas – que a vitória eleitoral tinha relação direta com a arrecadação e o gasto dos candidatos e partidos.

Agora, os candidatos não pedem recursos às empresas, por que é proibido, mas podem pedir aos “donos das empresas”, alertou o advogado eleitoral Colemar Moura, em recente entrevista. A doação sai do CNPJ para o CPF.

Como consequência, quem tem mais amigos com mais dinheiro tende a ter mais recursos para a campanha eleitoral, lógico. Só a amizade bastará, então, para uma campanha eleitoral ser mais irrigada? Mesmo assim, será preciso de muito convencimento.

A política é território que o eleitor médio critica com acidez e os prováveis doadores estão entre eles, inclusive quando levantam cartazes em manifestações. Agora, esse eleitor aprendeu a observar o tamanho das campanhas e tende a operar como fiscalizador dos candidatos. Uns vigiarão os outros e o promotores eleitorais vigiarão todos os candidatos.

A nova legislação eleitoral já diminuiu o tamanho das campanhas eleitorais, mas não terá efeito tão relevante para reprimir o poder econômico na eleição de prefeitos. Há uma tendência de eleição de candidatos com maior patrimônio e o fenômeno registrado pelo Às Claras tende a se repetir. Valerá o poder de quem investe mais na estrutura política permanente.

A nova legislação fez assim: quem não tinha recursos e partido capitalizado, continuará a não ter. Quem tem o poder econômico, vai utilizá-lo.

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