Tempo seco aumenta casos de doenças respiratórias

0
1376

Se o tempo seco incomoda os adultos, imagine as crianças. A saúde dos pequenos exige maior atenção porque eles têm o sistema respiratório mais vulnerável. Portanto, a sobrecarga nos pulmões em desenvolvimento pode levar ao aparecimento de problemas respiratórios mais facilmente.

Crianças sentem os impactos com mais intensidade, assim como os idosos. Na região Centro-Oeste, principalmente, o inverno tem os índices mais altos de casos de doenças respiratórias. A procura por auxílio médico cresce visivelmente entre os meses de junho a setembro, a exemplo do que ocorre no Hospital Materno Infantil (HMI).

Para se ter uma ideia da gravidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que o ideal seria 60% de umidade do ar, mas em setembro do ano passado, o estado de Goiás chegou a registrar 11%, conforme informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Os problemas respiratórios se agravam nessa época porque, com a diminuição da umidade, mais partículas ficam em suspensão no ar e são inaladas pelas pessoas. Entre os elementos que acometem principalmente o grupo mais sensível – crianças, idosos e também gestantes e doentes crônicos – estão ácaros, o enxofre que sai do escapamento de veículos, partículas de poeira, restos de materiais queimados e outros.

“Consequentemente, o muco que ajuda a proteger o organismo de infecções fica espesso devido a desidratação das células e a limpeza das vias respiratórias é prejudicada”, explica a pediatra e diretora técnica do HMI, Sara Gardênia.

Assim, as estruturas responsáveis pelo transporte do ar no corpo humano se tornam mais secas em relação ao habitual e inflamam, o que facilita a colonização por vírus e bactérias responsáveis por infecções – o cenário favorece a aderência desses agentes às células ressecadas.

Apenas no hospital, de janeiro a abril de 2016, foram registrados 1.894 mensais atendimentos motivados pela baixa umidade do ar associada à mudança brusca de temperaturas baixas à noite e quentes durante o dia. O número está bem acima do verificado em todo o ano de 2015 que contabilizou 1.941 casos por mês.

A época é propícia para piorar ou mesmo desencadear sintomas de doenças do gênero, como tosse seca, chiado, crises de rinite alérgica e falta de ar. Na lista de principais doenças desse período estão a rinite alérgica, asma, alergia respiratória, viroses, faringite e sinusite.

Para minimizar ou prevenir o desgaste, medidas simples como hidratação frequente apresentam resultados positivos. “A ingestão de líquidos (água, sucos de frutas naturais e água de coco) e também a lubrificação das narinas com soro fisiológico são bastante significativas”, afirma a médica.

Aliado a isso, manter toalha molhada, umidificador ou uma bacia com água no quarto no período noturno aumenta a umidade e garante qualidade ao sono. A profissional orienta que, em casos mais graves ou quando os sintomas persistirem por mais de uma semana, é importante procurar auxílio médico.

A10 criança

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here