Em seu quarto mandato de governador, Marconi Perillo domina a política goiana desde o final dos anos 1990, quando conseguiu derrotar o cacique Iris Rezende e, desde então, o grupo político liderado pelo PSDB jamais perdeu uma eleição para o governo estadual. Lá se vão quase 20 anos e não se vê sinais de esgotamento político ou real ameaça à manutenção do poder que está nas mãos tucanas. Se, em parte, isso se deve à inegável falta de habilidade e competência dos adversários, em que pese o carisma e popularidade do ex-governador Iris Rezende, agora aposentado após a última derrota para Marconi, o fato é que todo esse poderio do PSDB e aliados está intimamente ligado à figura de Marconi Perillo. E é fácil descobrir porque ele se mantém no poder por tantos anos. Basta uma pergunta sobre a economia de Goiás e ele desata um rosário de informações exatas, atualizadas e incontestáveis, baseadas em números oficiais, sobre a economia, educação, saúde, cultura. Tudo entrelaçado e com foco, um discurso linear próprio de quem está preparado para discutir aquele ou qualquer outro assunto. Assim transcorreu a entrevista exclusiva concedida na tarde de sexta-feira aos jornalistas da Tribuna do Planalto, que deveria ter ocorrido na sede do jornal, mas de última hora, devido a compromissos de agenda, teve de ser realizada no Palácio das Esmeraldas. O assunto é Goiás e quem fala é o governador que mais vezes foi escolhido pelo voto para comandar os destinos do Estado.

Daniela Martins, Fabiola Rodrigues, Manoel Messias, Marcione Barreira e Ronaldo Coelho


Tribuna do Planalto – O senhor homenageou esta semana, na Cidade de Goiás, várias personalidades e políticos importantes com a comenda Ordem do Mérito Anhanguera. É um reconhecimento aos agraciados, mas também uma demonstração de prestígio de Goiás, com a presença de governadores, ministros, embaixadores, artistas…

Marconi Perillo – Todo esse esforço que fazemos, todos os anos, convidando personalidades para a transferência da capital tem como objetivo valorizar a memória e a história do estado de Goiás, valorizar a nossa antiga capital, difundi-la, divulgá-la, dar visibilidade a esta que é uma das maiores preciosidades do Brasil Colonial. Goiás é um dos 20 sítios considerados Patrimônio Mundial pela Unesco. Aqui no Brasil temos apenas 12 cidades históricas com este reconhecimento, incluindo uma moderna, que é Brasília, sete sítios ambientais, dentre eles, a Chapada dos Veadeiros, e um sítio arqueológico. Portanto, Goiás está entre as 12 cidades brasileiras, de quase 5.600, a ostentar esse título de Patrimônio da Humanidade. Esse ano, vamos comemorar 15 anos da outorga desse título e a cidade completou agora 289 anos, portanto, é uma das mais antigas do País. E eu faço esse esforço para mostrar ao Brasil essa joia que temos aqui no coração do País. É claro que levar personalidades, lideranças, autoridades, é também uma demonstração de que nosso estado é cada vez mais respeitado no país. Mas eu faço esse esforço todos os anos para enlevar a nossa antiga capital, além do que gosto muito de lá, do povo de lá. E é bom lembrar, sem Vila Boa, sem Goiás, não seríamos o que somos hoje.

A realização do Fica, em sua 18ª edição, é mais um esforço para que Goiás continue viva e forte…

O Fica foi um esforço adicional para a viabilização da candidatura da cidade de Goiás ao título de Patrimônio da Humanidade. Paralelamente ao Fica, que é hoje um dos seis mais importantes festivais temáticos do mundo na área ambiental, naquela época investimos muito também em infraestrutura. Substituímos a fiação aérea pela subterrânea, fizemos restaurações de casarões antigos, saneamento básico. O Fica hoje é um festival consolidado, que oferece a maior premiação da América Latina e que goza de alta credibilidade aqui e fora. Mas o Fica também é um meio que encontramos de valorizar, difundir e dar visibilidade à antiga capital.

A duplicação da GO-070 também irá beneficiar diretamente a antiga capital…

Essa é a maior obra física em apoio à Cidade de Goiás enquanto destino turístico dos mais importantes do Brasil Central. É uma obra cara, uma obra muito importante e é aguardada com muita ansiedade, porque, com ela bem encaminhada, quase pronta, o fluxo de turismo pra Goiás já aumentou consideravelmente. Com essa rodovia duplicada, temos certeza de que esse número vai crescer mais ainda e, à medida que cresce o turismo, cresce o comércio, serviços e a geração de empregos na cidade.

Goiás é o estado brasileiro que mais gerou emprego no primeiro semestre. A que se deve esse resultado altamente positivo, em meio à recessão econômica?

Eu sintetizaria isso da seguinte forma: Goiás não está sinalizando que vai sair da crise, Goiás já saiu da crise. Foi o primeiro estado brasileiro a sair desta que foi a maior crise econômica da história do Brasil, e de forma altiva. Não ficamos apenas no primeiro lugar na geração de emprego. Fomos um dos dois estados brasileiros a ter salto positivo de empregos no primeiro semestre e ficamos muito à frente do segundo colocado, que foi Mato Grosso. Nós geramos 16.500 empregos, em saldo positivo, e Mato Grosso, 5.500. Todos os demais estados brasileiros tiveram saldo negativo, sendo que São Paulo experimentou um saldo superior a 150 mil postos de trabalho a menos. Por outro lado, fizemos todo o ajuste que era necessário no Governo, a partir de 2014, quando começamos a prever a crise que se avizinhava; fizemos um grande choque no orçamento, um equilíbrio fiscal e financeiro, de forma que neste primeiro semestre já tivemos uma execução orçamentária muito positiva, gastamos bem menos do que estava projetado e arrecadamos mais do que estava previsto, bem mais do que ano passado, e fizemos os ajustes que eram necessários para que o equilíbrio voltasse. Tenho certeza que vamos chegar ao final do ano numa situação muito boa e em condições de acelerarmos os investimentos a partir dos próximos anos.

“É claro que um jornal como esse só vai pra frente se tiver um líder, e o Sebastião Barbosa foi e é esse timoneiro”

Tomamos medidas antipopulares para chegar a uma situação de equilíbrio”

Mesmo com a crise, várias obras continuaram em andamento?

Nós já estamos com um bom cronograma de obras hoje, terminando obras importantes como o Hugol, Credeq de Aparecida de Goiânia, a duplicação da rodovia para Senador Canedo, a duplicação para Bela Vista, retomamos a duplicação pra Goiás, a duplicação de Nerópolis a Belém-Brasília, retomamos a duplicação de Morrinhos a Caldas, estamos realizando um programa de manutenção da malha rodoviária em todo o estado, em mais de mil quilômetros de rodovias pavimentadas e não pavimentadas. Estamos fazendo obras importantes em rodovias que estavam muito danificadas e, a partir do ano que vem, vamos acelerar ainda mais esses investimentos. Vamos concluir o Programa Reconstrução 3, que serão mais 2.100 quilômetros de estradas reconstruídos, concluindo rodovias e outras obras que estão iniciadas. Este ano, já estamos dando sequência a muitas obras – Credeqs, hospitais, escolas, institutos tecnológicos, casas, presídios – e estamos trabalhando com planejamento para que, a partir do ano que vem, a gente acelere todos esses investimentos depois de tudo que feito do ponto de vista de equacionamento fiscal, financeiro e orçamentário.

O senhor tratou a crise como no passado. Há indicativos macroeconômicos de que estamos superando a recessão?

Todas as avaliações de agências internacionais, incluindo o FMI, apontam que o Brasil, neste ano, já diminuiu um pouco a queda do PIB e, por outro lado, acenam com um pequeno crescimento no ano que vem. Melhoramos muito nas exportações no ano passado e neste ano. A tendência é de termos um salto maior na balança comercial. Na minha opinião, o comando da equipe econômica do governo está em muito boas mãos, no geral, liderada pelo Dr. Henrique Meirelles. Eu acho que o que se avizinha é algo mais alvissareiro do que o que nós passamos. Tivemos dois anos de recessão, que significa depressão, mas percebo que já vemos uma luz no fim do túnel. É diferente a situação do Brasil em relação à nossa. Muitos estados entraram em colapso porque não tomaram as medidas que nós tomamos aqui. Tomamos medidas antipopulares, desgastantes, mas tomamos. Sem essas medidas não estaríamos chegando agora ao ponto que vamos chegar ao final do ano, uma situação de equilíbrio.

Qual a expectativa de investimentos do Governo até o final deste mandato?

Eu espero investir, nesses dois anos e meio que faltam, entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões pelo menos, em obras de infraestrutura, obras rodoviárias, civis, estradas, hospitais, escolas, presídios, saneamento básico, moradia. Ou seja, somando, os investimentos serão bem superior a esses R$ 3 bilhões.

O senhor conseguiu estabelecer uma agenda positiva mais cedo, tem viajado pelo interior inaugurando obras…

Estamos só começando, vamos acelerar muito ainda. Estamos também com a agenda dos programas sociais. Vamos relançar agora o programa Renda Cidadã, ampliando de 50 mil para 70 mil o número de famílias beneficiadas. Fizemos todo um recadastramento e vamos atender somente as famílias que efetivamente necessitem. O programa do Passe Livre continua e deve ser estendido a outras cidades além da região metropolitana. Programas como Restaurante Cidadão, Bolsa Universitária continuam. Então, a agenda dos programas sociais se acelera, a agenda do desenvolvimento econômico, também e a maior evidência disso é o saldo dos empregos. Esse dado do Caged é incontestável. Você pode aferir a saúde econômica de um estado pelos empregos gerados. Então acho esses números incontestáveis e, na minha opinião, são o carro-chefe para demonstrar que todo esse trabalho de liderança exercido pelo Governo de Goiás valeu a pena. Todo o trabalho para enfrentar e vencer a crise deu certo. O emprego é consequência de tudo que tem sido feito, parceria do setor público com o privado, agenda de reformas, enxugamento de gastos da máquina pra propiciar um ambiente melhor. Além disso, também tem os programas Inova Goiás e Goiás Competitivo, que também têm essa finalidade. E toda uma agenda de apoio e suporte a agregação tecnológica a nossa economia.

Eu vi de perto a trajetória da Tribuna do Planalto”

“Eu tenho duas satisfações ao falar dos 30 anos do jornal. A primeira é de muita alegria, satisfação de ter participado desde o início dessa história, quando eu ainda assessorava o Dr. Henrique Santillo como candidato a governador do Estado. A segunda é com um pouco de tristeza, porque já se passaram 30 anos e eu já fiquei bem mais velho. E também a sensação depois de transcorridos tantos anos. Mas eu vi de perto toda a trajetória do Jornal da Segunda, que fez muito sucesso aqui, no interior, em Brasília, e depois também toda a trajetória de sucesso da Tribuna do Planalto. É claro que um jornal como esse só vai pra frente se tiver um timoneiro, um líder, e o Sebastião Barbosa foi e é esse timoneiro. Ele sempre foi um ótimo articulador, sempre teve um bom relacionamento com todos e, por isso, conseguiu muitas fontes, deu muitos furos e ao mesmo tempo sustentou esse jornal com independência, com tenacidade, com uma excelente equipe de profissionais. O Jornal da Segunda e a Tribuna do Planalto já chegaram a ter uma das melhores equipes de jornalistas e colaboradores do Centro-Oeste. Então, é muito prazeroso estar aqui. E por outro lado foi sempre um prazer trabalhar, uma parceria sadia com o Jornal da Segunda e depois com a Tribuna, que é o Goiás na Ponta do Lápis. Esse foi um programa educativo desenvolvido a quatro mãos e que se revelou um dos mais importantes programas dos nossos governos.”

MARCONI PERILLO ENTREVISTA NO PALACIO-FOTO PAULO JOSE-29-07-16 (49)“Muita gente ainda não entendeu que o Brasil é outro”

O PT ficou praticamente quatro mandatos no governo federal e não conseguiu fazer as grandes reformas, como a política e a tributária. Há algum sinal de que Temer possa avançar nesse sentido?

Eu não apoio uma reforma do ICMS que nos exclua. Só [apoio] quando tivermos segurança de que uma reforma será benéfica para todos e que ela não vai nos alijar do processo desenvolvimento, é que nós vamos apoiá-la. Mas o Brasil ainda está longe de uma agenda que possa permitir um maior equilíbrio federativo. Eu diria que, se o Temer fizer duas ou três reformas, ele já terá feito um bem ao Brasil. Uma delas é a reforma da Previdência, porque hoje em dia a população está vivendo muito mais e isso criou um desequilíbrio no fundo da previdência pública muito grande. Acho que precisamos fazer também a reforma trabalhista e, fundamentalmente, a reforma política.

Qual reforma política?

O Brasil não pode continuar a conviver mais com quase 40 partidos, precisa acabar com a coligação proporcional. Esses ajustes políticos são fundamentais para que a gente possa ter ajuste ético e ajuste na governabilidade. Se não diminuirmos o número de partidos não vamos conseguir vencer essa histórica situação perversa de desvios, de corrupção, de caixa 2 para as eleições. Infelizmente tem muita gente que não está entendendo o que está ocorrendo no Brasil hoje e continuam com as mesmas práticas e o Brasil é outro; a Justiça funciona, dentro das suas limitações, o Ministério Público também, mas muita gente ainda não entendeu que o Brasil é outro. E acho que a reforma política pode ser o início de uma mudança comportamental, uma mudança ética daqui pra frente. Porque o que passou, passou, não se tinha uma regra clara em relação a caixa 2, em relação a financiamento de campanha e isso precisa ser resolvido daqui pra frente.

A situação dos municípios está um caos, sendo que cerca de 30% estão sem condições de fechar as contas. Tem solução pra essa situação nesse momento?

A Constituição de 1988 garantiu aos estados e municípios uma participação maior no bolo tributário, mas de lá pra cá os sucessivos governos federais foram subtraindo dinheiro dos estados e municípios na medida em que foram dando concessões, subsídios no imposto, que é dividido entre a União, estados e municípios e foi criando cobranças para estados e municípios e que não são compartilhadas com a União. Então municípios e estados perderam receitas. E nós temos que nos virarmos para conseguir uma situação equilibrada. Nós estamos conseguindo esse equilíbrio porque fizemos um ajuste muito mais forte do que outros fizeram. Ajustes que causaram muitos desgastes, inclusive na minha popularidade, mas eu sabia que isso era importante para eu deixar um legado administrativo responsável e eficiente do ponto de vista do foco que a gente tem, que é ter as contas equilibradas, cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal para poder usar o dinheiro que sobra em investimentos públicos de qualidade.

“A população quer políticos transparentes e verdadeiros”

O país tem vivido momentos de tensão, protesto e crises políticas nos últimos anos, com destaque para a força da mobilização do eleitor através das redes sociais. Tudo isso acaba afetando a campanha eleitoral? A campanha deste ano será diferente?

Ela é diferente. Isso já aconteceu em 2014, quando falamos com muita objetividade de temas polêmicos. Os outros sempre queriam fazer média; eu dizia: olha, não vamos poder fazer isso porque não vai dar… Com as redes sociais, com essa abertura toda que há, os políticos e autoridades de modo geral são cobradas a colocarem suas opiniões cada vez mais de forma consistente, verdadeira e transparente. Aliás, nesse quesito transparência eu estou feliz, porque estamos conseguindo colocar Goiás entre os dois primeiros estados brasileiros no ranking da transparência. Na Controladoria Geral da União, somos o primeiro e no Ministério Público Federal somos o segundo. Mas, enfim, a população quer que seus políticos sejam cada vez mais transparentes e verdadeiros. E isso vai ser muito cobrado.

O senhor vai participar efetivamente das campanhas, visitando municípios?

Minimamente. A minha obrigação é ficar aqui comandando o estado, viabilizando condições para o estado se desenvolver cada vez mais. E é o que estou fazendo. Eu acho que todo mundo vai ganhar muito mais, uma vez eleitos, com o estado em condições de ajudar as prefeituras, com convênios, com apoio, do que se eu ficar me imiscuindo no debate.

Em nível estadual, o senhor já galgou os mais altos postos políticos, senador, quatro vezes eleito governador. Qual seu projeto político para 2018?

Meu projeto é terminar muito bem esse último governo. Eu confesso que no ano passado fiquei muito preocupado, trabalhamos demais toda a equipe econômica dentro do governo, para que pudéssemos superar aquela fase difícil. Mas hoje eu estou bem mais tranquilo em relação ao que fizemos e as consequências dos ajustes que foram feitos e aos benefícios que colheremos por conta disso, mas em relação a projetos de natureza pessoal, eu te diria que não tenho nenhum. Acho que primeiro precisamos ver o que vai acontecer com o Brasil.

Mas o nome do senhor é falado como candidato a presidente da República…

Felizmente é. E fico feliz por isso. Mas não significa que eu seja candidato ou que seja pré-candidato. Eu já fui convidado por vários partidos para ser candidato a presidente, mas eu acho que num momento como esse é preciso ter muita cautela, muito equilíbrio, muita sensatez, porque o que está em jogo a partir de agora é o futuro do Brasil. A minha torcida é para que o Governo do presidente Temer dê certo, consiga resolver equações que estão para serem resolvidas há muito tempo e faça a travessia para que o Brasil possa ser um outro país com a grandeza que ele merece ter.

MARCONI PERILLO ENTREVISTA NO PALACIO-FOTO PAULO JOSE-29-07-16 (11)“As OSs foram decisivas para melhorar a saúde em Goiás”

O Sr. está satisfeito com os avanços alcançados por Goiás na área educacional?

Avançamos demais na educação. Ficamos em primeiro lugar no Ideb e tenho certeza que vamos avançar muito mais à medida em que começarmos a experiência das Organizações Sociais. Os colégios militares militares são hoje modelo, tanto de hierarquia mas principalmente de novas dos alunos. E na saúde, temos hoje na minha opinião o melhor sistema estadual público do Brasil. Vamos completar agora 20 secretários de Saúde que já vieram aqui para conhecer o Conecta-SUS, o funcionamento dos nossos hospitais. Eu digo com toda segurança: temos problemas de falta de financiamento do SUS, pelo Governo federal, falhas na atenção básica por parte de alguns municípios, mas a parte do Governo estadual tem sido feita assim de forma muito eficiente.

Nesse contexto, as OSs na saúde foram decisivas?

Extremamente decisivas. A saúde é outra, completamente diferente. Temos ajudado não apenas a saúde do estado, pública, mas as instituições filantrópicas, como as Santas Casas, hoje fui ao Hospital de Dermatologia Sanitária (antiga Colônia Santa Marta), onde estamos investindo mais de R$ 5,5 milhões na construção de apartamentos para os portadores de hanseníase; estamos mantendo e vamos estabelecer novos convênios com o Hospital Araújo Jorge, de combate ao câncer, e a Vila São Cottolengo, em Trindade. Ou seja, além daquilo que diz respeito a nós, estamos fazendo também com as filantrópicas. Hoje ajudamos a pagar quase 500 leitos de UTIs, em Goiânia, Aparecida, Anápolis, que não estariam funcionando na rede privada/conveniada se não fosse a gente, porque o SUS paga menos de R$ 500 por leito, que custa pelo menos R$ 1.100; essa diferença quem está pagando é o estado de Goiás.

Na educação, as OSs passam a gerir escolas ainda neste segundo semestre?

O procurador-geral do Estado me afirmou ontem que hoje estaria encaminhando a homologação do chamamento para a Secretaria de Educação. Isso ocorrendo, nos próximos dias será feito o chamamento para o primeiro lote das escolas de Anápolis e depois vamos prosseguir para outras regiões do estado. Mas eu estou muito esperançoso de que essa seja a grande mudança necessária, depois desses últimos 100 anos de educação convencional, para começar um grande upgrade na educação brasileira.

“Nos próximos dias, o PSDB irá decidir como se comportará em Goiânia”

“Teremos candidatos em todos os municípios”

Estamos às vésperas da campanha eleitoral para prefeitos e vereadores. Este ano o PSDB chega com candidato próprio a prefeito de Goiânia, Anápolis e Aparecida. Essa é uma estratégia partidária?

Nós somos muito cobrados em relação a candidaturas próprias. Mesmo que isso gere algum ciúme em partidos da base, mas como o PSDB é o maior partido entre os aliados é natural que sua militância, lideranças cobrem candidaturas próprias, mas eu sempre levo em consideração a unidade da base, procuro sempre considerar a unidade de uma base que nos fez ganhar cinco eleições seguidas pro Governo do estado. Essa unidade sempre foi fundamental para sairmos vitoriosos. Mas teremos candidatos em todos os municípios goianos, ou do PSDB ou de partidos que são da base. Em alguns lugares nem interessa ao PSDB lançar candidatos, porque não queremos confrontar com históricos aliados nossos. Mas teremos um bom número de candidatos a prefeito, com chance de fazermos um bom número de prefeitos e creio que a nossa base elegerá um número significativo de prefeitos, o que facilitará os convênios, as parcerias com as prefeituras, embora eu trabalhei nesse último mandato com quase 100% dos prefeitos, fui republicano com todos.

Em Goiânia, é possível reunir toda a base em torno de um nome?

Eu me reuni duas vezes agora esta semana com pré-candidatos e presidentes de outros partidos e senti muito boa vontade, muita abertura. O fato é que não tivemos nessa base tradicional nenhum candidato que despontasse. Quando algum nome se desponta, fica mais fácil dele aglutinar os demais, mas quando todos estão mais ou menos no mesmo patamar nas pesquisas, fica mais difícil de se encontrar um critério mais objetivo. Eleição é assim. E no caso de Goiânia não despontaram porque são pouco conhecidos. Com essa legislação nova, a campanha será só de 45 dias; o PSDB lançou um dos seus melhores quadros no Brasil, que é o deputado Vecci. Ele foi meu secretário três vezes, fez meus planos de governo; é um homem qualificadíssimo; mas ele disputou a primeira eleição agora em 2014, é pouco conhecido da população. Então fica difícil um pré-candidato crescer nas pesquisas nessas condições. O deputado Luiz Bittencourt, por exemplo, está afastado há muitos anos da política e também tem uma certa dificuldade para se inserir em termos de conhecimento; da mesma forma ocorre com o deputado Francisco Júnior, que também é um excelente nome, além de outros que estão na base. Mas eu vejo isso com naturalidade. Estamos conversando e certamente haverá uma decisão nos próximos dias de como o PSDB irá se comportar em Goiânia, mas nós temos uma ampla quantidade de candidatos no interior, muitas e boas alianças, e estou convencido de que vamos chegar muito fortalecidos no ano de 2018.

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