Os goianos olímpicos

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Participar de uma Olimpíada é o ponto máximo da carreira de todo atleta. Imagina competir em jogos olímpicos no próprio país. É um sonho que poucos podem realizar e Goiás tem seus representantes nesse seleto grupo de atletas que vão defender a bandeira brasileira nos Jogos do Rio 2016

Daniela Martins

A partir da sexta-feira, 5 de agosto, data da abertura dos Jogos do Rio 2016, o sonho de centenas de atletas brasileiros se tornará realidade. Eles irão defender o Brasil nas Olimpíadas, o maior evento esportivo do mundo. E mais: vão competir em casa, contando com calor da torcida verde e amarela.

Os números das Olimpíadas impressionam. São 10 mil atletas, 206 países participantes, 42 modalidades, 19 dias de competições. Dentre os milhares de atletas, 465 são brasileiros, profissionais de toda parte do país (inclusive de Goiás) e que, na sua imensa maioria, participam pela primeira vez de uma Olimpíada. Dos 465 convocados para representar o país, 316 estarão pela primeira vez em Jogos Olímpicos.

Além disso, o Brasil fará sua primeira aparição em algumas modalidades olímpicas, como badminton, ginástica de trampolim, tiro esportivo e hóquei sobre grama. No caso da própria ginástica de trampolim, o representante brasileiro é o goiano Rafael Andrade. Conheça quem são atletas goianos presentes nos Jogos do Rio 2106.


Clemilda Fernandes, Ciclismo de Estrada

a10f2 cópiaA ciclista goiana Clemilda Fernandes, 37 anos, é uma das promessas de medalhas no Rio. Depois de alguns sustos no início de ano, quando foi atropelada por um caminhão já nos últimos últimos dias da classificação, e ainda teve sua bicicleta presa na Alfândega, ela vislumbra dias de vitória.

“Lutei muito para conquistar essa vaga, foi muito difícil e, apesar de minha irmã Janildes (suplente na equipe de ciclismo) não ir comigo, vou estar com a torcida. O Brasil inteiro estará comigo.”

Experiência ela tem. É atual campeã brasileira e disputa as Olimpíadas pela terceira vez. “Infelizmente,fiquei em dois tombos, em Londres. Agora, Deus preparou esse momento.Estou distante de tudo, amigos, família, e 100% concentrada. Quero a medalha”.

Quando o assunto são os momentos difíceis, Clemilda lembra de outro acidente, em 2013, quando também foi atropelada por um caminhão. Foram seis dias em UTI e mais de um mês no hospital. “Foi complicado. Quando saí, estava sem esperança de voltar a andar”, recorda, citando a importância do fisioterapeuta Robson Porto na recuperação.

O começo da carreira também não foi fácil. De família humilde de 12 irmãos, todos apaixonados pelo ciclismo, ela conta que vendia rodos e, à noite, partia para os treinos. “Meu pai queria um time de futebol e acabou com uma equipe de ciclismo”, brinca.

Agora, Clemilda finaliza os treinamento fora do país para sair em busca da sonhada medalha no Rio no Ciclismo de Estrada. “Estou feliz. É um orgulho representar meu país numa Olimpíada no Brasil. É uma coisa sem explicação”, emociona-se.

Lais Nunes, Luta Olímpica

a10f1História de determinação e garra. Assim pode ser definida a trajetória de Lais Nunes. Natural de Bairro Alto, cidade de 10 mil habitantes, a 246 quilômetros de Goiânia, ela sonhou com o mundo e o conquistou por meio do esporte.

Hoje, aos 23 anos, já viajou muito, competiu no exterior, conquistou uma porção de medalhas e títulos. Nos próximos dias, pisará na Arena Carioca, no Rio de Janeiro, como uma das cinco representantes do Brasil na Luta Olímpica Livre. Lais é esperança de medalha para o país.

“Estou pronta para fazer o meu melhor e acreditar em uma medalha. Tenho treinado duro, e me esforçado bastante. Já são muitos anos nisso, então que venha o melhor”, vislumbra a jovem.

A trajetória de Lais no esporte começou com um projeto social levado à sua escola, quando ainda cursava o ginásio. Um tempo depois, aos 15 anos, ela deixou a pequena Barro Alto para voar alto. Passou por Brasília, Rio de Janeiro, até chegar a Osasco, em São Paulo, onde mora atualmente.

“É uma emoção muito grande saber que não importa de onde você vem, quão longe e desconhecido seja seu estado ou sua cidade. Se você acreditar, sairá de lá para alcançar o mundo e conseguirá viver coisas grandes”, diz.

Não foi fácil vencer os obstáculos do caminho, mas a postura da atleta sempre foi a de “superar e persistir nos momentos difíceis”. O começo, por exemplo, foi bastante complicado. “Precisei me adaptar numa cidade grande, longe de casa, tendo, inclusive, de superar algumas frustrações”, desabafa.

Às vésperas dos Jogos do Rio, ela vive tempos de felicidade e gratidão ao conquistar a chancela de atleta olímpica. “Graças a Deus, valeu a pena toda jornada até aqui, os sacrifícios, as dificuldades, que superei. É gratificante, me sinto uma vencedora por poder lutar uma Olimpíada em casa”, ressalta. “Sou movida por fé, por visões, pelos sonhos que um dia Deus colocou no meu coração”.

Rafael Andrade, Ginástica de Trampolim

a10f3A responsabilidade do goianiense Rafael Andrade, 30 anos, é grande. Além de competir em casa, esta é primeira participação do Brasil na Ginástica de Trampolim numa Olimpíada. “Sinto-me muito honrado! Espero fazer bem meu papel, e representar todos que amam e se dedicam a esse esporte”.

Se a pressão é grande, jogar em casa também traz vantagens. “Ter uma grande torcida lhe apoiando é um grande incentivo para a gente entregar o nosso melhor na arena. Estou muito feliz em poder viver essa experiência de Jogos Olímpicos. É um evento muito especial e o ápice da minha carreira de atleta. Não poderia estar mais orgulhoso dessa fase que estou vivendo”, revela.

A falta de apoio e incentivo aos que escolhem se dedicar ao esporte, tanto na base quanto no alto rendimento, é uma das dificuldades citadas por Rafael Andrade como atleta. “Esse foi um dos motivos que me fez sair do país para buscar o melhor que eu pude por conta própria, lá fora”, explica.

O ginasta fez todos seu treinamento na Inglaterra, em Poole, onde conquistou uma boa evolução no esporte. Hoje, o foco e objetivo de Rafael Andrade é ter uma competição eficiente nos Jogos do Rio, com séries limpas.

“Assim, vou poder me orgulhar de ter feito o meu melhor naquele momento e representar bem o trampolim brasileiro nos jogos olímpicos”, finaliza.

a10f4Raiza Goulão, Mountain Bike

No mountain bike, o Brasil terá Raiza Goulão, goiana de Pirenópolis, de 25 anos. Ela começou no esporte há pouco tempo, em 2009. “Essa será minha primeira Olimpíada, estou começando minha carreira agora. Acho que seria muita ousadia falar em medalhas. Mas vou buscar um resultado bem expressivo, de top 15 para melhor”, aponta.

Sobre representar o Brasil, jogando em casa, Raiza diz ser “um sentimento inexplicável”. “Estou motivada e dedicada aos treinos. É muita paixão pelo esporte e por poder representar nossa Nação”.

Como a maioria dos atletas, as dificuldades de início de carreira são as mais complicadas. “Tenho muitas histórias para contar, mas acho que a maior dificuldade foi conciliar trabalho, estudo, treino e ainda correr atrás de patrocínio”, recorda.

Hoje, a ansiedade fica por conta da grande torcida não só brasileira, mas de goianos, que deve encontrar no Rio. “Vou ter muitos amigos, muita torcida do pessoal lá. Então isso vai fazer muita diferença, o calor da torcida. Tem muita gente de Goiás indo para lá torcer”.

A preparação nessa reta-final continua intensa, inclusive com competição. Dia 7 tem prova no Canadá. “É como uma prova preparação para as Olimpíadas”, diz.

Foco e determinação para correr atrás de vitórias, Raiza tem. Em 2015, ela conquistou uma das provais mais duras do mundo, a ultramaratona Brasil Radi. Foram sete dias de competição e mais de 600 quilômetros percorridos.

a10f5Renato Portela, Tiro Esportivo

Formado em Zootecnia, Renato Portela, 53 anos, é empresário e fazendeiro em Luziânia. Para o currículo, acaba de acrescentar o título de “atleta olímpico”.

O goiano irá representar o Brasil no Tiro Esportivo, o Tiro ao Prato. “Minha preparação está intensa desde o início do ano. Seria melhor se fosse há mais tempo, mas devido às dificuldades que o esporte amador tem em sobreviver, fazemos o que é possível”, admite.

Casado e pai de uma filha de 11 anos, Renato alcançou, durante o Campeonato das Américas em 2015, exatamente os 114 pratos necessários para se qualificar para a Olimpíada.

“Neste esporte, temos muitas dificuldades, é caro e muito controlado por usar armas. Sofremos muito preconceito por parte de pessoas que não conhecem o Tiro Esportivo e fazem associações com a violência, e só faz isso quem nunca foi em um clube de tiro”, avalia.

Renato explica que a conquista de uma ­medalha é extremamente difícil, pois no Brasil o Tiro Esportivo não é profissionalizado. “Todos com quem disputo são profissionais, mas estarei lá na disputa. O meu sentimento é de orgulho. É uma honra representar meu país, meu Estado e minha cidade”.

Mahau Sugimati, Atletismo

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