Prefeitos de xerox ou de soluções?

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Altair Tavares – Rádio 730

As candidaturas a prefeito de Goiânia, e em todo o país, entram na fase final de confirmações para a disputa de 2016 e é hora de os pretensos administradores mostrarem se são copiadores de propostas e de outras gestões ou se têm ideias próprias com soluções para as cidades. Chega o tempo que os candidatos tem que ser questionados sobre suas propostas e qual o custo para a implantação de cada ideia. Goiânia e as outras cidades precisam de soluções.

É curioso observar que, até agora, alguns candidatos apresentaram ideias ou projetos que já foram utilizados em outras instâncias, ou cidades, e tratam como soluções que podem ser encaixadas para a cidades de Goiânia. Assim, são entendidos como candidatos-xerox. Copiar uma ideia é o suficiente? Como a reprodução pode funcionar para todas as cidades?

As excelentes experiências de gestão tendem à aplicação nas várias localidades do serviço público e isso é compreensível. O que é estranho é que candidatos copiem propostas de outras localidades sem considerar um diagnóstico realista sobre a situação da cidade que pretendem administrar. Copiar Bogotá e o caso do policiamento comunitário ou do Transmilênio já caiu no lugar comum há anos. Reproduzir a política da Tolerância Zero de New York, também. Ocorre que lá a segurança é municipal, em Goiânia não é.

No caso da capital goiana, os candidatos precisam se concentrar bastante nos grandes projetos e nas fontes de receitas para sustentar as ideias. Propor que vai deixar a cidade limpa é pouco quando o que deve ser debatido é o custo de meio bilhão de reais por ano para manter os serviços da varrição, coleta, transporte e gestão do aterro sanitário de Goiânia. Na conta inclui, também a construção de praças e manutenção da jardinagem. Como fazer o que a cidade precisa na ampliação das praças e gestão do aterro para os próximos 50 ou 100 anos? O atual aterro tem tempo de vida limitado. E os grandes investimentos na área viária e no transporte?

A capital vai completar 100 anos de idade e precisa de muito mais que um prefeito copiador, mas criador de ideias e soluções em estreita interação com a sociedade a partir do diagnóstico real da cidade. Goiânia está atrasada em diversas áreas, não há dúvida, mas avançou em muitas, como o meio ambiente. Em tecnologia, por exemplo, está atrasada. Não se concebe mais a gestão da área azul como emissão de carnê quando tudo pode ser gerenciado por aplicativo com geolocalização e cartão de crédito. A ideia começou a operar em São Paulo e está centrada em solução aplicável a grandes municípios.

Mais do que copiar boas ideias, a gestão da cidade de Goiânia precisa construir um projeto que promova o orgulho do goianiense em relação à cidade. Muitos deles, por causa da nova realidade econômica, visitaram outros lugares e viram como o cidadão pode ser mais respeitado nos seus direitos. Há goianienses que perderam a conexão com a cidade como uma referência em qualidade de vida, ou seja, o padrão de exigência mudou e as gestões não perceberam. No diagnóstico, então, quais são as novas perspectivas desses eleitores-cidadãos na saúde, na educação ou no meio ambiente, por exemplo?

As expectativas dos eleitores, construídas em projetos, terão, assim, um custo para implantação. Onde está o dinheiro? Quais as fontes possíveis? Seria o caso do aumento do IPTU com correções necessárias como as que foram feitas em 2016? Esse é o debate realista. Cópias ou ideias originais, tudo tem custo. Só existe um tipo de organização que ganha muito com cópias: a própria xerox.

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