Quatro filmes goianos disputam premiação do Fica

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Conhecido internacionalmente e com a maior premiação da América Latina, o Festival Internacional de Cinema Ambiental – Fica 2016 – é uma vitrine para as produções goianas. Neste ano, a edição tem quatro filmes goianos entre os 22 selecionados.

Os selecionados são: Ensaio sobre um fim de mundo (Jônatas Borges e Samuel Peregrino, ficção, 12m22s); Taego Ãwa (Marcela Borela e Henrique Borela, documentário, 1h15m); Leblon Marista(Fabrício Cordeiro e Luciano Evangelista, documentário, 13m) e E o Galo Cantou (Daniel Calil Cançado, ficção, 23m).

Ensaio sobre um fim de mundo
Jônatas Borges e Samuel Peregrino são estudantes da Universidade Estadual de Goiás (UEG), do Curso de Cinema e Audiovisual e integrantes do Coletivo Cabeça de Câmera. O curta-metragemEnsaio sobre um fim de mundo foi escrito por Getúlio Ribeiro, que também é aluno da universidade e retrata um cenário goiano apocalíptico. Escrito em 2014, o filme foi gravado em Goiânia, em dois meses e envolveu cerca de 30 pessoas, entre artistas e direção. O patrocínio de R$ 500 de um amigo foi toda a verba utilizada.

Com orgulho, Samuel comemorou a seleção e afirma que participar do Fica é uma surpresa. “Estaremos ao lado dos irmãos Borela e de nomes como Daniel Calil e Fabrício Cordeiro, cineastas que respeitamos demais. Para nós, agora, o que vier já é lucro”, afirma entusiasmado. A estreia do filme foi no Cine Cultura, em fevereiro deste ano e Ensaio sobre um fim de mundo também foi selecionado para a 14ª Mostra de Audiovisual Universitário América Latina(Maual), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Entre o campo e a cidade
O curta-metragem E o Galo Cantou, que já faturou o prêmio de Melhor Ator no Festival Guarnicê de Cinema, em São Luís do Maranhão, traz o renomado Chico Diaz e é uma das obras goianas selecionadas para o Fica 2016. Com assinatura de Daniel Calil Cançado, o filme foi produzido com uma verba de R$ 88 mil do Fundo de Cultura da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), além de patrocínios com instituições privadas.

A obra retrata o conflito entre um pai (Chico Diaz) e seu filho (Allan Jacinto – ator goiano). Enquanto o pai planeja para o filho uma vida de trabalho na lavoura, no campo, o filho deseja conhecer a cidade, deixando para trás a família, assim como fez seu irmão. As gravações foram feitas em maio de 2015, na Chapada dos Veadeiros, e a estreia ocorreu um ano depois, em maio de 2016, no 16º Cine a La Calle em Barranquilla, na Colômbia. Na próxima semana o filme será exibido no 9º Festival de Cinema de Triunfo, no Pernambuco.

Leblon Marista
Documentário de Fabrício Cordeiro e Luciano Evangelista, Leblon Marista busca uma reflexão sobre a cidade e nasceu sobre a necessidade de repensar o lugar em que vivemos. Na véspera da filmagem, uma pequena reunião informal foi realizada. Fabrício explica que não havia roteiro, nem tampouco planejamento. A filmagem durou duas tardes e, por isso, virou um curta. “Não posso dizer onde foi filmado porque estragaria a leitura do que pensamos. O filme também não custou dinheiro. Luciano tinha a câmera e o equipamento de captação de som, mas claro, custou nosso tempo e trabalho”, explica Fabrício Cordeiro.

O filme já foi exibido no 6º Anápolis Festival de Cinema, onde ganhou o prêmio de Melhor Curta Metragem do Centro-Oeste. “Agora, estou particularmente curioso com a exibição no Fica, sobretudo porque acho bom que a noção de ‘ambiental’ seja flexibilizada a ponto de se discutir o espaço urbano nas nossas vidas e o impacto que isso tem. É meu primeiro filme no Fica e a edição deste ano tem vários outros filmes que lidam com essa questão e acho que vai ser interessante que o filme seja exibido ao lado de outras produções ‘primas’, digamos assim”, finaliza Fabrício.

Taego-Ãwa.-Foto-Carlos-CiprianoTaego Ãwa
O filme dos irmãos Henrique e Marcela Borela já foi exibido na 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes e noCinéma du Réel, um dos festivais de documentários mais importantes do mundo, realizado em Paris. O filme aborda a luta dos índios conhecidos como Avá-canoeiros do Araguaia pela demarcação de território. Além disso, há uma tentativa de reconstruir o passado e definir a identidade do grupo.

A ideia inicial surgiu após Marcela Borela encontrar cinco fitas VHS na antiga faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Goiás (UFG). As imagens são de 1989 e 1991. Anos depois, munidos de mais imagens fotográficas, foram ao encontro dos Ãwa, levaram as imagens e discutiram a possibilidade do filme. Daí, surgiu a amizade e a convivência com um grupo que foi aberto e os tratou com bastante carinho.

FONTE: GOIÁS AGORA

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