Dilma com os dias contados

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O julgamento final do processo de impeachment que a presidente afastada Dilma Rousseff enfrenta no Senado terá início no dia 25 de agosto, às 9h. Segundo a Secretaria Geral da Mesa do Senado, o sinal verde para a fixação da data pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, foi dado com a entrega, na manhã de sexta-feira (12), das alegações finais da defesa, a pouquíssimos minutos do prazo final, pelo advogado José Eduardo Cardozo. A expectativa é que esta fase possa durar até cinco dias.
Apesar de ser um julgamento e, nesta fase, contar com a presidência de um magistrado da mais alta corte judicial do país, o presidente do Supremo Tribunal Federal, o processo de impeachment é, antes de mais nada, uma ação política, pois seus personagens, o chefe do Executivo Federal e os integrantes da Câmara dos Deputados e o Senado Federal são, essencialmente, políticos.
Cardozo ainda não confirmou se a presidenta afastada virá se defender pessoalmente no plenário do Senado durante o julgamento final. Sobre isso, ele disse que ainda vai consultar Dilma,  mas nos bastidores é grande a expectativa para que isso aconteça. No entanto, a julgar pelas atitudes até aqui tomadas pela presidente afastada, Dilma não irá se defender, mesmo porque enfrentaria um ambiente notoriamente hostil e desfavorável.
O documento da defesa chama atenção pelas 670 páginas, 661 a mais do que a peça apresentada pela acusação na última quarta-feira (10), que tem apenas 9 páginas.
O advogado de Dilma afirma que a defesa optou por fazer uma síntese de todas as discussões que estão no processo, incorporando ao libelo uma parte das nossas alegações finais e também a crítica o relatório do senador Antonio Anastasia.
Na prática, a peça rebate os argumentos apresentados pela acusação de que a primeira mulher a comandar o país teria cometido crime de responsabilidade ao editar três decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso Nacional. Dilma também é acusada de utilizar verbas de bancos federais em programas que deveriam ser bancados pelo Tesouro, as chamadas pedaladas fiscais.
No frigir dos ovos, como não se trata de julgamento jurídico, em sentido estrito, pouco ou nada importam as alegações da defesa, que desde o início nega que Dilma tenha cometido ddq qualquer crime de responsabilidade. O futuro da presidente foi definido quando ela perdeu o apoio político na Câmara dos Deputados, no período que antecedeu a votação da abertura do processo pelos deputados federais. Em maio, o Senado apenas ratificou a decisão dos deputados, pela admissibilidade do processo de impeachment, afastando assim temporariamente Dilma do cargo de presidente da República.
Se a presidente perdeu a capacidade de governar e a confiança política do Parlamento enquanto estava no poder, agora, com a caneta de presidente nas mãos do vice Michel Temer, tudo indica que Dilma será definitivamente afastada do poder. Assim, serão necessários 2/3 dos votos, 54 dos 81 senadores, para condenar a presidente, que, nesse caso, ficará inelegível por oito anos.

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