Goiás entra em alerta contra a febre amarela

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Este ano, um rapaz de 27 anos morreu vítima da doença e outras duas mortes estão sob suspeita. Também há casos já confirmados de macacos mortos pela febre amarela, tanto em Goiânia quanto no interior do Estado

Autoridades de saúde convocam população para se vacinar. Esta é a principal forma de prevenção contra a doença, que leva à morte na grande maioria dos casos

Daniela Martins

Doença grave e letal, a febre amarela voltou a ser motivo de preocupação para os goianos, especialmente para a população da Capital e de cidades do entorno. Este ano, um rapaz de 27 anos morreu, vítima da doença, e outras duas mortes estão sob suspeita, em Senador Canedo e São Luís dos Montes Belos.
Também há casos já confirmados de macacos mortos pela febre amarela tanto em Goiânia quanto pelo interior do Estado. “Esses eventos servem de sentinela. A doença é transmitida do macaco para o mosquisto e do mosquito infectado para os humanos”, explica Grécia Pessoni, gerente de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), da Capital.
Goiás é considerado pelo Ministério da Saúde área endêmica da febre amarela por conta das grandes extensões de matas, habitat do mosquito transmissor do vírus causador da doença. Por isso, é recomendada a cobertura de 100% de pessoas imunizadas nessas áreas, desde que não tenham contraindicações.
Depois desses casos de mortes, a preocupação com a vacinação torna-se ainda maior. “O fato de encontrar esses animais mortos é um sinal de alerta porque mostra que o vírus está circulante”, esclarece a médica imunologista Lorena Diniz. “Por se tratar de uma doença grave, há um alerta da SMS para que seja intensificada a vacinação da população”, completa.
Somente na Capital, 250 mil pessoas precisam ser imunizadas. Até o momento, pouco mais de 8 mil  procuraram as unidades de saúde. “Assim como a dengue, a febre amarela é uma doença grave. Mas para a febre amarela temos a vacina, então, não justifica não se proteger”, enfatiza Grécia Pessoni.
Pessoas acima de 5 anos que nunca tomaram nenhuma dose da vacina, ou que tomaram apenas uma há mais de dez anos, devem procurar as salas de vacinação. Quem não tem cartão de vacinação e não tem certeza se já se imunizou, ou de quantas doses recebeu, também deve procurar as unidades de saúde.
Goiás é um dos poucos estados brasileiros em que a vacinação contra febre amarela é obrigatória e faz parte do calendário básico de vacinas. Portanto, pessoas que se mudaram de outras localidades para o Estado também devem se vacinar com urgência.
“A vacinação é sempre a melhor estratégia para a prevenção da febre amarela”, reforça a médica Lorena Diniz. Além da vacinação, outros meios de evitar a transmissão, segundo a imunologista, é por meio do uso de repelentes e de roupas compridas, principalmente ao ingressar em áreas de matas.
Vale ressaltar que a vacina começa a fazer efeito em torno do 12º dia da imunização. Portanto, quem for viajar para locais de matas, para participar de pescarias, deve se vacinar com antecedência.
“Esse mosquito, o Haemagogus, quase nunca sai do meio da mata. Geralmente, quem apresenta a doença são pessoas que adentaram a mata”, avalia Lorena Diniz. Em Goiânia, há riscos também para os frequentadores de parques ao redor de matas, locais propícios aos moquitos.
Lorena Diniz explica que a população deve ter duas doses em seu calendário vacinal. Crianças e adultos que não receberam nenhuma dose devem se vacinar e, depois de 30 dias, fazer o reforço. “Não tem a indicação mais de repetir essa dose a cada 10 anos. Mas é preciso ter duas doses comprovadas”, orienta.
Já pessoas com mais de 60 anos e que nunca foram vacinados, ou sem comprovante de vacinação, deve ter uma orientação médica antes de se imunizarem. “O médico que assiste pacientes nessa faixa etária têm que colocar na balança o risco benefício. A vacina é de vírus vivo e, como geralmente, essas pessoas possuem algumas cormobidades, pressão alta, cardiopatia, insuficiência renal, elas têm de ser avaliadas antes da vacinação.


Doença pode matar em poucos dias

A febre amarela é uma doença febril aguda e tem curta duração, geralmente de, no máximo, 12 dias. “Apesar de ser grave, essa gravidade é variável”, observa a imunologista Lorena Diniz.
Uma pessoa picada pelo mosquito pode apresentar como sintomas mais comuns: febre, calafrios, dor no corpo, dor de cabeça, prostração, náuseas e vômitos. “A forma mais temida da febre amarela é a hepática e a renal, casos em que o quadro pode evoluir para uma insuficiência hepática e renal, levando essa pessoa a óbito em poucos dias”, adverte a médica.
O tratamento destinado ao paciente com febre amarela é o chamado de tratamento de suporte. “Vai depender do sintoma apresentado por aquele paciente. Não há um tratamento específico para a febre amarela, por se tratar de um vírus. Não tem antibiótico, não tem um antiretroviral para matar esse vírus especificamente. Então, o tratamento é de suporte sintomático”.

A vacinação é sempre a melhor estratégia para a prevenção da febre amarela” Médica Lorena Diniz
A vacinação é sempre a melhor
estratégia para a prevenção
da febre amarela”
Médica Lorena Diniz

O paciente que apresentar sintomas de feber amarela deve procurar atendimento, permanecer em repouso, com reposição de líquidos, conforme indicado pelo médico.
Para que a população possa se imunizar, as secretarias de Saúde de Goiânia e de Aparecida de Goiânia têm intensificado o trabalho de vacinação. Além dos postos com funcionamento de segunda a sexta-feira, em horário comercial, a sala de vacinação do Cais de Campinas tem sido aberta aos sábados.
Já em Aparecida, no próximo sábado, dia 27, os moradores poderão se vacinar também no Buriti Shopping, em um ponto de vacinação instalado pela Secretaria de Saúde próximo a loja Flavio’s Calçados, das 10h às 16h.]


Quem deve se vacinar

Quem se mudou para Goiás recentemente e não foi vacinado.
Crianças e adultos que não tenham duas
doses comprovadas.
Diante da comprovação da circulação do
vírus, o Ministério da Saúde recomenda a
antecipação da primeira dose da vacina de
febre amarela para crianças a partir de seis meses de idade.
Idosos acima dos 60 anos devem ter
prescrição médica.P8-2


Contra-indicações da vacina

Crianças menores de 6 meses;
Gestantes;
Pacientes com imunodepressão de qualquer natureza;
Pacientes infectados pelo HIV com imunossupressão grave, com contagem de células CD4 < 200 células/mm³;
Pacientes em tratamento com drogas imunossupressoras;
Pacientes submetidos a transplante de órgãos;
Pacientes com neoplasia;
Pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, ausência do timo);
Indivíduos com história de reação anafilática as substâncias presentes na vacina (ovo de galinha, gelatina bovina, etc).

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