Iris é favorito, mas não tem vitória garantida

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A Tribuna do Planalto repercutiu com analistas e cientistas o desempenho de cada candidato neste início de campanha. Para eles, Vanderlan é forte, Waldir e Adriana não conseguem ir longe e disputa deve ser polarizada entre Iris e grupo de Marconi Perillo

Marcione Barreira, repórter de Política

O processo eleitoral definitivamente começou e os últimos levantamentos dão conta de que a volta de Iris Rezende (PMDB) à disputa o reconduziu ao favoritismo. O cenário que antes tinha o deputado federal delegado Waldir (PR) em primeiro se apresenta agora com Iris na ponta, trazendo o empresário Vanderlan Cardoso (PSB) colado em Waldir na disputa pelo segundo lugar, segundo pesquisa Serpes divulgada pelo jornal O Popular.
Essa semana a Tribuna do Planalto buscou analistas e cientistas políticos para analisar o contexto da política local, em especial no que tange os candidatos a prefeito. Para eles, Iris Rezende é o favorito, entretanto, isso não significa vitória certa no findar do processo. Apesar de Waldir Soares estar em segundo, quem deve brigar em melhores condições com Iris é Vanderlan, na opinião dos entrevistados.
A composição de Vanderlan com o PSDB é tida como principal fator e sinônimo de força na campanha para tentar vencer Iris Rezende. Os argumentos são de que com o conglomerado de partidos ele ganha tempo de TV, além disso, a estrutura partidária é a maior e tem ao seu lado apoio do governo, o que pode beneficiá-lo.
Na opinião dos entrevistados, o suporte do governador Marconi Perillo (PSDB) é avaliado como importante fator na campanha de Vanderlan, no entanto, ele deve arcar com algumas críticas que devem ser utilizadas pelos adversários. Historicamente, o governador Marconi Perillo não tem boa avaliação do eleitorado goianiense.
Nas outras postulações o que pesa contra é o isolamento. As candidaturas do vereador Djalma Araújo (Rede),  do sociólogo Flávio Sofiati (PSOL) e do deputado estadual Francisco Junior (PSD) estão praticamente sozinhas em termos de composição.
Os entrevistados falaram também sobre qual tema deve predominar nessa campanha. Para eles, apesar de não ser um setor que dependa exclusivamente da administração municipal, a segurança pública deve dominar os debates. É possível notar o fato pelas candidaturas. Dos sete postulantes a prefeito, dois são delegados da Polícia Civil e dois candidtos a vice são militares.

Favoritismo
Tentando se eleger pela quarta vez, Iris Rezende carrega até aqui a responsabilidade de erguer o PMDB que há pouco estava sem direção. Com a volta do líder da legenda, o cenário mudou da água para o vinho. O retorno de Iris ao embate deu ao partido a garantia de que a legenda competirá com reais chances de vencer.
Para o analista político Joãomar Carvalho de Brito Neto,  que é professor e pesquisador de jornalismo e de comunicação, com Mestrado em Comunicação pela Université Catholique de Louvain (Bélgica) e Doutorado em Ciências da Informação e da Comunicação pela Université Paris VIII (Paris), o fato de Iris ser o mais conhecido da população goianiense dá a ele  preferência na disputa. “Iris está despontando porque é o mais conhecido. É natural que ele esteja na frente”, afirma. Entretanto, o professor alerta. “Não se pode dizer que ele já venceu as eleições”.
Para Marcos Marinho, professor e consultor político, membro da Associação Brasileira de Consultores Políticos (ABCOP) e diretor da M. Marinho Marketing Ltda, o fato de Iris ter desistido da aposentadoria da vida pública trouxe a ele uma atenção que o favoreceu nos índices. “Isto lhe gerou mais evidenciação midiática, o que pode ter repercutido nas últimas pesquisas”, salienta. O também professor licenciado da PUC e doutorando do Instituto Universitário de Lisboa acredita que a atual conjuntura ainda esta aberta. “Penso que há sim possibilidade de outro resultado além da vitória do ex-governador”, completa.
Analistas
Chances
O cientista político e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Pedro Célio Alves Borges expõe que existe favoritismo de Iris, mas aponta que existe chances de outra candidatura vencer. Para ele, a postulação do empresário Vanderlan Cardoso se apresenta como a única com possibilidades. “Não há dúvida quanto ao favoritismo de Iris, mas parece-me que Vanderlan é o que pode chegar ao ponto de ameaçar Iris”, constata.
Em segundo até aqui, o Delegado Waldir tem caminhado praticamente sozinho em termos de composição partidária. Na visão de Pedro Célio, a candidatura dele não deve ter fôlego até o fim. “Vejo a tendência de desidratação progressiva em Waldir e Adriana Acorsi”, afirma.
Para ele, a circunstância que leva Vanderlan a ter vantagem sobre Adriana e Delegado Waldir se deve pela consolidação do seu nome. “Vanderlan Cardoso é razoavelmente consolidado através de duas eleições majoritárias, a rejeição é muito baixa, ele conseguiu uma coligação poderosa em tempo de propaganda e em estrutura”, declara.
O professor Joãomar Carvalho considera que Vanderlan “abriu os olhos”. Segundo o especialista, ao compor com Marconi Perillo e ter ao seu lado o Executivo Estadual isso lhe dará possibilidades antes nunca vista. “Ele montou uma estrutura. Resolveu conversar com os outros. Tem chances. Mas para Waldir vencer só se acontecer um milagre”, disse.
Marcos Marinho vê o Delegado Waldir solitário na corrida eleitoral. Marinho afirma que ao não conseguir compor com um número maior de partidos, ele saiu em desvantagem. “O Delegado Waldir não conseguiu viabilizar sua campanha, não conseguiu agregar partidos e apoios ao seu projeto, tornando esta uma luta de, praticamente, um homem só”, explana.
Base
Não é de hoje que existe a discussão de que a base aliada do governador Marconi Perillo iniciaria a eleição fragmentada. Com a aliança entre PSD e PTB e a composição do PSDB com o PSB, o fato se concretizou. Para essas candidaturas, ainda há a figura de um grande líder que responde pelo nome de Marconi.
A discussão é saber qual rumo o governador vai seguir: se segue com o seu partido, se abraça seus aliados antigos, ou se fica neutro na disputa. Pedro Célio acredita que Marconi até agora tem demonstrado que está com Vanderlan Cardoso. “A crer no noticiário da imprensa e na oficialização das coligações, o candidato de Marconi é Vanderlan”, argumenta.
Já Marcos Marinho pondera que Marconi tem experiência e sabe fazer um bom jogo de bastidor. Ele aposta que o líder peessedebista adotará postura conservadora visando 2018. “Acredito que no primeiro turno sua posição será a do observador, e no segundo, aí com as coisas já afuniladas e sem o risco de se indispor com A ou B, deve aglutinar toda a sua base ao redor do candidato que seja mais adequado ao seu projeto para 2018”, analisa.
É comum entre os observadores que o apoio do governador é essencial para qualquer um dos candidatos, ainda que sua avaliação junto ao eleitorado não seja favorável. Segundo Joãomar Carvalho, as obras que o governo tem espalhadas pela capital não repercutem sobre o eleitorado.
“Essa percepção das obras que o Marconi fez em Goiânia não passa para o eleitor. Ele , talvez, tenha promovido mais obras aqui na capital do que o próprio prefeito. É interessante isso”, afirma Joãomar.
Pedro Célio observa que a fidelidade do eleitorado de Marconi em Goiânia poderá beneficiar Vanderlan, além de que, segundo ele, a máquina e a estrutura poderão contar pontos. “O apoio do governador ajuda e muito qualquer candidato. Imagine o que isto significa em termos de mobilizar recursos e máquina de apoio. Além do mais, o capital eleitoral do governador carrega uma respeitável dose de fidelidade”, explica.
Marcos Marinho analisa que Marconi, mesmo com percentual de desgaste, tem boa parte do eleitorado da capital. “Mesmo com alguma reprovação e um percentual de desgaste, a figura do governador representa boa parte dos eleitores e, também, toda a estrutura do Estado”, disse.

Debate
Até aqui tem se observado uma forte tendência para a centralização dos debates no setor de segurança pública. Haja vista que muitos concorrentes são do meio e o tema, por si só, concentra o foco. Waldir Soares e Adriana Accorsi são delegados e cabeças de chapa. Major Araújo e Coronel Pacheco são da Polícia Militar e também estão em chapa majoritária como vices.
Por mais que não seja uma prerrogativa do executivo municipal a esfera também trás responsabilidades aos municípios em percentagem menor. Para Joãomar Carvalho, a população não sabe dividir de quem de fato é a responsabilidade e, por isso, os candidatos vão focar no tema.
Segundo ele, essa vai ser a temática predominante. “Isso será muito forte nessa campanha. De fato o setor está precário e por isso vai atrair o foco. As pessoas acham que a responsabilidade é do município. Elas não sabem dividir. Acho que vai ser essa a discussão”, conclui.
Para Pedro Célio, além da segurança, outros dois temas devem prevalecer. Ele diz que o debate sobre saúde, bem como o do transporte público também deve predominar. “Há outros, mas as equipes dos candidatos já dão sinais de que vão malhar sobre especialmente estes três”, aponta.
O analista Marcos Marinho compartilha da mesma opinião de Joãomar. “Aparentemente tudo está indicando que o tema central será a falta de segurança. Há aqui um misto de desconhecimento sobre o real poder do prefeito para fazer algo sobre a questão, o que será aproveitado nos discursos populistas”, comenta.

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