Pais aprendem a lidar com a sexualidade infantil

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A comunidade escolar juntamente com os professores tiveram orientações e esclarecimentos importantes

Em palestra na escola, pedagoga explicou a pais e professores que até os cinco anos de idade a criança fica cheia de dúvidas e quer conhecer o próprio corpo

Fabiola Rodrigues

A sexualidade infantil é um assunto que está sendo descoberto pelas crianças cada vez mais cedo, seja na família ou ambiente escolar. Para discutir e orientar aos pais e professores como tratar o tema com a criança, foi realizada na semana passada uma palestra no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Domiciano de Faria, no Residencial Eli Forte, em Goiânia. A comunidade escolar e com os educandos tiveram orientações e esclarecimentos importantes.
Leda de Jesus, diretora do Cmei, que atende 90 estudantes entre 2 e 5 anos, percebeu a necessidade de esclarecer aos pais dúvidas que às crianças têm frequentemente sobre sexualidade. Realizada no último dia 24, a palestra “Sexualidade Infantil” despertou nos pais e professores o interesse de buscar conhecimento sobre o assunto.
“Percebi que as crianças estavam cheias de dúvidas, principalmente sobre de ondem elas vieram. O acesso aos aparelhos de smartphones, que têm várias imagens impróprias para a idade deles, também causa questionamentos. Vendo tudo isso, me preocupei em orientar os pais de modo geral. Eles devem ser os primeiros a responder as perguntas sobre esses assuntos”, explica a diretora.
A curiosidade referente à sexualidade surge desde cedo na vida das crianças – se desenvolve desde o nascimento. A pedagoga e mestre em educação Ritta Carvalho, que ministrou a palestra, diz que até os cinco anos de idade a criança fica cheia de dúvidas e quer conhecer o próprio corpo.
“O interesse pela sexualidade sempre existiu, mas as crianças de outras gerações não podiam perguntar e questionar sobre esse assunto, sob pena de punição. Talvez a principal mudança ocorrida seja o fato de que atualmente a criança, inclusive da educação infantil, tem voz e vem sendo ouvida nas instituições e em casa, tendo seus questionamentos considerados”, diz Ritta de Carvalho.
A pedagoga observa que discutir sexualidade infantil da criança é complexo, porque normalmente o adulto não entende ou não aceita que as crianças tenham uma sexualidade. Por isso, é importante realizar momentos de formação com professores e também com pais no ambiente escolar.
Segundo a diretora, as maiores dúvidas dos pais são relacionadas a como eles responderão às perguntas dos filhos. Questionamento  que para os familiares pareciam complexas foram respondidas durante a reunião.
“As dicas que todos receberam da pedagoga serão muito úteis. A participação principalmente do pai da criança foi muito importante. Geralmente as mães participam mais. Nossos alunos receberão as informações corretas dos pais e dos professores. Nos sentimos mais qualificados”, observa diretora.


Conversas devem ser “claras, objetivas e pontuais”

Durante a palestra Ritta de Carvalho deu importantes dicas para os pais dos alunos. As orientações servem para todas as famílias que têm crianças pequenas. Quando o assunto é sexualidade, algumas abordagens não podem ser esquecidas.
“Entre tantas perguntas que surgem em busca de orientação e esclarecimento, vale a regra das respostas verdadeiras, claras, objetivas e pontuais, de acordo com a maturidade e a curiosidade expressada pela criança. A falta de informação ou inverdade acabam por inibir a busca de conhecimento saudável pelas crianças”, observa a pedagoga.
Ritta de Carvalho lembra que as conversas sobre sexualidade devem ocorrer naturalmente como qualquer outra que a família tem com a criança. Os julgamentos e preconceitos, sempre que possível, devem ser deixados de lado para que o assunto não seja visto como tabu.
“É preciso ensinar à criança noções de intimidade. É importante que pais e professores dialoguem com as crianças e adolescentes, já que as pesquisas mostram que crianças e, por conseguinte, adolescentes que possuem conhecimento sobre sexualidade tendem a iniciar a vida sexual mais tarde e com maior responsabilidade sobre seu corpo”, observa a pedagoga.

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