Mobilidade é desafio na Capital

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Marcos Rothen: “A população precisa de conscientização e incetivo para deixar os carros em casa”

Yago Sales

Trânsito lento, carros sobre calçadas, acidentes, falta de sinalização, motoristas irritados. Não é difícil ver tumulto no trânsito de Goiânia. O excesso de carros, justificado muito pela falta de qualidade do transporte coletivo da capital, exige de candidatos a prefeito uma lista de ações capaz de mudar o cotidiano do goianiense nas ruas. Caso contrário, corre o grave risco de perder o debate e votos nas urnas.
O especialista em trânsito Marcos Rothen, professor do Instituto Federal de Goiás (IFG), critica a mesmice das propostas para o trânsito da capital. Para ele, os projetos apresentadas até agora “não são viáveis”.
A solução para o trânsito, diz Rothen, é a criação de uma equipe de engenharia de tráfego especializada. “O próximo prefeito precisa criar uma boa estrutura de gerenciamento, para resolver os problemas cotidianamente. Não adianta querer solucionar os problemas sem técnica”, defende.
O aumento de carros nas ruas de Goiânia complica ainda mais um trânsito cujo motorista é famoso por descumprir a legislação. “Motoristas andam na contramão, estacionam onde não pode”, exemplifica. Falta educação no trânsito, diz, mas também falta fiscalização.
” Goiânia precisa de conscientização e incentivo para deixar os carros em casa”, defende.  Marcos Rothen reconhece que pouca gente se sente motivada a isso. Uma das grandes reclamações dos eleitores é justamente o transporte coletivo.
Para o trânsito fluir melhor, o especialista  sugere, por exemplo, a criação de uma central de controle para sincronizar os semáforos.

Propostas
Para o transporte coletivo, Adriana Acorsi (PT) reconhece que “precisa investir na qualidade do serviço e priorizar o investimento em corredores exclusivos de ônibus”. Pelo menos 30% da população, diz ela, “utiliza o ônibus coletivo e a grande maioria é formada por pessoas mais humildes que vivem nos bairros mais distantes”.
Em seu site, Accorsi  diz que estuda os contratos das empresas de ônibus. “Eles são uma concessão pública. A prefeitura deve cumprir a sua parte, mas também tem a obrigação de reforçar a fiscalização para que as empresas cumpram seus compromissos”, escreveu.
Accorsi  acredita que sua gestão pode proporcionar à cidade um “transporte público de qualidade, fluidez no trânsito,  alternativas não motorizadas, que são caminhos para um acesso mais democrático ao espaço urbano e representam menos congestionamento, menos acidentes, menos estresse e menos mortes no trânsito.”
Francisco Júnior (PSD) propõe a redução das tarifas do transporte coletivo. “Se queremos uma maior adesão da população ao transporte público, é preciso baixar o preço. O poder público tem que dar conta de subsidiar. O dinheiro virá a partir da unificação da gestão do transporte urbano em Goiânia, com SMT e CMTC juntas.” Para ele é preciso “uma mudança total dos conceitos e, se necessário, o rompimento dos contratos”.
Segundo Júnior, para que o goianiense deixe o carro em casa, os ônibus precisam superar quatro desafios: “É preciso pontualidade, conforto, segurança e passagem mais barata”. A mobilidade, diz, precisa ser pensada de forma integrada e, do mesmo jeito, os investimentos. “Precisamos pensar em novas fontes de receita, propaganda nos pontos de ônibus, estacionamentos, explorar o subterrâneo e o espaço aéreo”. Para o candidato, essas ações visam melhorar o tráfego, a qualidade dos ônibus e “baixar o preço das passagens”.
Djalma Araújo (Rede) pretende romper os contratos com as empresas. “Vamos promover uma auditoria nos contratos e estabelecer o cumprimento do contrato em 90 dias. Caso o contrato não seja cumprido, vamos abrir novas licitações. E vamos também, através de aplicativos, transportar passageiros por meio de vans.” Ele critica o fato de as empresas serem comandadas pelo mesmo grupo há mais de 60 anos.
O candidato Delegado Waldir (PR) aposta na padronização de calçadas para gerar melhorias na mobilidade urbana. “Em relação a pedestres, queremos criar incentivos no IPTU para iniciar um projeto de padronização de calçadas, para que deficientes e pessoas idosas possam fazer caminhadas. Também vamos implantar ciclovias, motovias e criar bicicletários para integrar o transporte coletivo.”
Para resolver os problemas do transporte coletivo, Flávio Sofiati (PSOL) sugere consultar a população, mas também defente romper os contratos com as empresas que operam o sistema. “A gente quer perguntar pras pessoas o que elas acham do transporte coletivo. O PSOL quer fazer governos com participação, então não vamos chegar lá e decretar a estatização do sistema, pois não é assim que funciona. Caso seja eleito, iremos progressivamente estatizar o sistema.”
Iris Rezende (PMDB) defende o investimento no Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). O candidato acredita em um acordo entre taxistas e motoristas da empresa Uber para melhorar o trânsito. “Vamos buscar recursos para fazer o VLT. Não podemos desconhecer a evolução da ciência e da tecnologia. Agora temos que considerar esse avanço na questão do Uber, mas não podemos desconsiderar as famílias que dependem do táxi para ganhar o pão de cada dia.”
Vanderlan Cardoso (PSB) tem criticado a atual gestão, a quem acusa de desviar dinheiro das multas de trânsito para custear outros serviços públicos. O dinheiro, segundo ele, tem de ser investido no tripé engenharia, educação e fiscalização.
O candidato pretende reverter os recursos das multas em sinalização, semaforização inteligente, fiscalização, estudo e reengenharia apontando soluções para dar fluidez e educação constante.
“Não é papel da administração gerenciar uma indústria de multas, o objetivo é educar para que o motorista auxilie na construção de um trânsito humano, para que não seja punido financeiramente pela eternidade”, diz.
“Não jogo minha responsabilidade para os outros. Aliás, quem nomeia o presidente da CMTC [Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo] é o prefeito, então não pode fugir. Quero ampliar parcerias com o governo do Estado, para construção de trincheiras, viadutos. Nos primeiros meses da minha gestão, vou despachar diretamente da CMTC, contratarei os melhores técnicos. Vamos solucionar o problema com boa governança”, diz.

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