Um recomeço para o Brasil

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Após quase nove meses que paralisaram o país, o processo de impeachment contra Dilma Rousseff chegou ao fim na quarta-feira da semana passada, dia 31, com a condenação da ex-presidente pelo Senado e perda do mandato. Horas depois da decisão da Câmara Alta do Congresso Nacional, o presidente Michel Temer tomou posse, às 16h50. E, logo em seguida, o presidente viajou para a China, não sem antes fazer a primeira reunião ministerial com sua equipe após a efetivação.
Como ocorreu com o impeachment de Fernando Collor, no início da década de 1990, quando o vice Itamar Franco assumiu o poder, novamente o PMDB tem nas mãos a direção do País. A troca de comando de uma nação é sempre um momento de renovação das esperanças de todo seu povo, especialmente quando ocorre em virtude de fortes manifestações populares, como se viu no Brasil no período que antecedeu ao impeachment de Collor e, agora, de Dilma Rousseff.
O Partido dos Trabalhadores, que se construiu de forma orgânica e estruturada até chegar ao poder máximo do País, em 2003, teve em suas mãos a chance de mudar o rumo do Brasil, teve a oportunidade de ditar as mudanças mais severas aguardadas, como as esperadas reformas política e tributária, mas, deslumbrado com o poder ou por não ter interesse, as esqueceu. Perdeu o bonde da história, foi deixado de lado.
Antes de embarcar para a China, ainda na quarta-feira, Michel Temer deixou gravado um pronunciamento que foi ao ar em rede nacional de rádio e televisão na noite daquele mesmo dia. Na fala de cinco minutos, veiculada às 20h, o peemedebista afirmou que o governo não terá como garantir o pagamento da aposentadoria sem uma reforma na Previdência Social e defendeu mudanças nas regras trabalhistas.
“Tenho consciência do tamanho e do peso da responsabilidade que carrego nos ombros. E digo isso porque recebemos o país mergulhado em uma grave crise econômica”, disse Temer no pronunciamento, acrescentando que há no país cerca de 12 milhões de desempregados e que as contas públicas deverão registar um rombo em 2016 estimado em R$ 170 bilhões.
Apesar de chegar com uma maioria considerável no Congresso, Temer precisará de grande habilidade política para conseguir aprovar as medidas amargas que são necessárias para colocar a casa em ordem. Nesse momento, as atenções do mercado financeiro se voltam para as ações do governo de Michel Temer. E os olhares serão especialmente voltados para os sucessos e insucessos nas negociações das reformas com o Congresso. Até aqui, o governo Temer estava sob a sombra da interinidade, o que, por mais improvável que fosse o retorno de Dilma ao poder, ainda travava as negociações. Agora essa desculpa não existe mais, é hora de arregaçar as mangas e provar a que veio.

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