ENTREVISTA/André Luiz Souza: “As portas estão abertas para as vítimas”

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André Souza: “Atendemos 1.200 pacientes, vítimas do Césio”

A foto de Leide das Neves sorrindo ilustra, em um quadro, a parede da sala de André Luiz Souza, diretor do Centro de Assistência aos Radioacidentados (Cara). O prédio de dois andares – onde funcionava a Vigilância Sanitária na época do aciente – tem enfermagem, sala para atendimento psicológico, assistência social, consultório médico e, inclusive, odontológico. Uma sala serve como memorial do acidente, e expõe fotografias dos meses de terror pelos quais passou a população de Goiânia.
Há quase seis anos na direção, André Luiz considera o trabalho que exerce desafiador. “São quase 60 funcionários – metade da área técnica – mantido pelo tesouro Estadual. Trabalhamos para dar total apoio às vítimas”, diz.
Segundo André, pelo menos 540 pensões são pagas pelo Estado de Goiás e 250 pagas pelo Governo Federal, em um total de 790 radioacidentados benefíciados.

Qual o papel do Cara?
Fazemos atendimento multidisciplinar, com médicos de até sete especialidades, como  psicólogos, odontólogos, enfermeiros, farmacêuticos.

Vocês assistem quantas pessoas?
Em torno de 1.200 pacientes. Grupo 1 e grupo 2 – e seus familiares – que foram efetivamente vítimas do acidente. Eles têm o compromisso de aparecer duas vezes ao ano na unidade para serem monitorados. Já os integrantes do grupo 3, que correspondem aos trabalhadores da área contaminada, devem comparecer uma vez por ano. Na medida em que eles necessitam de alguma consulta, a  unidade está aberta, no horário comercial, para o paciente.

Esse grupo 3 é composto por quem?
São pessoas que se envolveram com o acidente radiológico, mas são casos em que não ficou comprovada a contaminação. Por exemplo, os trabalhadores que contribuíram para a descontaminação dos locais, na fase de controle do acidente radiológico isolando as áreas, fazendo o isolamento das casas e descontaminação de áreas e pessoas. Ou seja, policiais militares, bombeiros e trabalhadores de órgãos públicos como antigo Consórcio Rodoviário Interestadual (Crisa) e a Companhia de Urbanização (Comurg).
 Tem aumentado a procura por atendimento e indenização pelo grupo 3?
Evidentemente, ao passo que a população envelhece, a demanda cresce. A lei faculta o benefício, ao passo que a pessoa apresenta  alguma doença crônica que eventualmente advém da radiação. Esse paciente tem as portas abertas para obter esse beneficio. Evidentemente que isso carece de provas materiais, de laudos médicos e passar por uma junta médica. Evidentemente, se o processo for indeferido, há uma orientação.

As vítimas reclamam da defasagem do auxílio do Governo Estadual…
Todo setembro há reclamação. Embora esteja em dia, esse aumento precisa vir da Assembléia Legislativa.

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